O filósofo franco-argelino Louis Althusser ( brooklyn institute for social research )
A expansão do que vem sendo chamado de inteligência artificial, como fenômeno transversal à vida social, recoloca questões teóricas antigas – algumas delas já formuladas em outros momentos de inflexão tecnológica. Algo que impacta, e também tem valor, quanto ao exercício da política. Em um contexto marcado pela complexificação de formas sociais e por abalos visíveis nas relações que sustentam sua reprodução, a inteligência artificial não pode ser tratada apenas como um conjunto de artefatos técnicos ou uma etapa de progresso tecnológico, mas, sim, como um problema teórico-político que exige a habilitação de chaves de leitura inafastáveis.
A psicanálise – especialmente via contribuições lacanianas – é, portanto, canal de acesso privilegiado para a análise desse contexto, em razão de um arcabouço conceitual capaz de tensionar promessas de autonomia, transparência e controle que atravessam tanto narrativas tecnológicas quanto certas concepções políticas contemporâneas. Por meio desse enquadramento, a IA traz desafios à figura do indivíduo plenamente autodeterminável e capaz de decidir racionalmente sobre si ou sobre o que o cerca. Essas são limitações que se manifestam por meio da sensação difusa de repetição; a recorrência de crises e a insistência de impasses que parecem retornar sob novas embalagens exemplificam tal percepção. Trata-se de uma repetição que não é apenas histórica ou social, mas que assume um caráter quase automático, em diálogo com a própria tradição da cibernética.
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