A bilheteria da sétima arte da América do Norte voltou a cruzar uma marca que não aparecia desde antes da pandemia de covid-19. Em maio de 2026, a arrecadação de cinemas nos Estados Unidos e no Canadá passou de US$ 1 bilhão, algo que não acontecia desde 2019.
Os números ainda aguardavam consolidação, mas a estimativa do Box Office Mojo apontam para US$ 1,063 bilhão no mês. O resultado representa alta de 9,9% em relação a maio de 2025, quando o mercado havia fechado em US$ 967,6 milhões.
O dado chama atenção por outro motivo: desta vez, o desempenho não foi puxado por um filme da Marvel ou pelo universo cinematográfico da companhia, algo que havia marcado vários dos meses de maio bilionários do passado. Em anos anteriores, esse patamar foi alcançado em ciclos impulsionados por títulos como “Thor”, “Homem de Ferro 3”, “O Espetacular Homem-Aranha 2”, “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” e pelos anos em que os filmes dos “Vingadores” estiveram em cartaz.
O que puxou a bilheteria de maio
O filme de maior arrecadação do mês foi “Michael”, da Lionsgate, com US$ 210,2 milhões nos Estados Unidos e no Canadá. Logo atrás apareceu “O Diabo Veste Prada 2”, da 20th Century Fox, com US$ 209 milhões. Outro lançamento relevante do período foi “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”, que somou US$ 137 milhões no mercado dos Estados Unidos e Canadá.
Se os dois primeiros colocados ajudaram a sustentar o mês, parte importante da recuperação veio de filmes que alteraram o ritmo esperado da segunda metade de maio. “Obsessão”, da Focus Features, saiu de uma estreia de US$ 17,1 milhões para um acumulado doméstico de US$ 104,7 milhões, impulsionado pela repercussão após o lançamento. Já “Backrooms: Um Não-Lugar”, da A24, abriu com US$ 81 milhões.
Sem super-herói dominante
O calendário do início do verão americano quase voltou a repetir a velha fórmula dos blockbusters de super-heróis. Em um momento anterior, “Vingadores: O Juízo Final” estava previsto para ocupar a janela do fim de abril e começo de maio, nos mesmos moldes de outros filmes da Marvel que haviam ajudado a levar o mês acima de US$ 1 bilhão no passado. Mas, com a decisão da Disney de adiar o título para dezembro, abriu-se um espaço que foi ocupado por outros lançamentos.
Esse rearranjo mudou o perfil do mês. Em vez de uma arrecadação concentrada em um único fenômeno de quadrinhos, maio de 2026 foi sustentado por um conjunto mais diverso de títulos, liderado por cinebiografia, sequência voltada a um público nostálgico e dois filmes que ganharam força por repercussão e surpresa de mercado.
A tabela histórica ajuda a mostrar essa diferença. Em 2023, por exemplo, “Guardiões da Galáxia Vol. 3” respondeu sozinho por 40,2% da arrecadação total de maio. Em 2022, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” representou 47,9%. Em 2012, “Vingadores” concentrou 51,9% do total do mês. Em 2026, o líder “Michael” ficou com 19,8% da bilheteria de maio, sinal de uma distribuição mais pulverizada do desempenho.