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terça-feira, junho 9, 2026

Mudanças climáticas e poluição levam oceanos a ponto crítico, diz ONU

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Uma nova avaliação da ONU sobre a saúde dos oceanos documenta uma “crise em aprofundamento”, à medida que as mudanças climáticas, a poluição, a sobrepesca e a perda de biodiversidade ameaçam ecossistemas marinhos essenciais para a sobrevivência humana.

O resultado é a elevação do nível do mar, a acidificação dos oceanos, o desaparecimento de recifes de coral e a redução dos estoques pesqueiros que fornecem 20% da proteína animal consumida pela humanidade, segundo o relatório divulgado nesta segunda-feira e elaborado por 600 cientistas de 86 países. Trata-se da terceira Avaliação Mundial dos Oceanos desde 2015, sendo a última atualização realizada em 2021.

“A próxima década será decisiva: sem uma ação global rápida e coordenada, a saúde dos oceanos continuará a se deteriorar, ameaçando a estabilidade climática, a resiliência da biodiversidade, a segurança alimentar, os meios de subsistência e o bem-estar de bilhões de pessoas”, afirmou Ian Butler, um dos principais autores da avaliação e ecologista marinho do governo australiano, em mensagem por e-mail.

A avaliação estima que até 45% da atividade econômica global ocorre nas regiões costeiras do mundo e que 3 bilhões de pessoas vivem a menos de 100 quilômetros do oceano.

“A contaminação e a poluição, como resíduos plásticos, escoamento agrícola, esgoto e produtos químicos, são fatores importantes para o declínio da saúde dos oceanos”, afirma o relatório de 1.352 páginas. Esses poluentes, por sua vez, acumulam-se nos organismos marinhos, tendo seus efeitos ampliados ao longo da cadeia alimentar até chegar aos animais consumidos pelos seres humanos.

Segundo os dados mais recentes disponíveis, cerca de 38% dos estoques pesqueiros globais em 2021 estavam sendo explorados em ritmo superior à capacidade de reposição natural das populações, ante 35% dois anos antes.

Trabalhadores comercializam sardinha fresca em porto de Joal-Fadiouth, no Senegal, em 20 de outubro de 2025 — Foto: Stefan Kleinowitz/Bloomberg

Somando-se à pressão sobre a pesca estão os impactos das mudanças climáticas, que estão devastando os recifes de coral que servem de habitat para 25% da vida marinha. De acordo com a avaliação, um sexto de todo o calor absorvido pelos oceanos nos últimos 70 anos foi registrado apenas entre 2018 e 2023.

O aumento da temperatura da superfície do mar tem gerado furacões e ciclones tropicais mais destrutivos, além de levar algumas espécies marinhas a migrar para águas mais frias, prejudicando pescarias locais.

Os cientistas afirmam que o rápido aquecimento dos oceanos também é responsável por 30% a 50% da elevação do nível do mar, colocando comunidades costeiras em risco. À medida que a água se aquece, seu volume se expande. Entre 2013 e 2023, a elevação global do nível do mar foi de 4,3 milímetros por ano, em comparação com 2,1 milímetros anuais entre 1993 e 2002.

Embora a pandemia tenha reduzido temporariamente a pressão sobre os oceanos devido à desaceleração da atividade econômica, a industrialização dos ecossistemas marinhos continua avançando, afirmaram os pesquisadores. Operações planejadas de mineração em águas profundas representam riscos potenciais para os ecossistemas do fundo do mar.

Apesar da abrangência da avaliação, os pesquisadores reconhecem que ainda há muito desconhecimento sobre os oceanos. Apenas 27% do leito marinho global foi mapeado até agora. O relatório é divulgado no momento em que a administração do presidente Donald Trump avança com planos para desmontar a mais extensa rede mundial de sensores oceânicos e plataformas de observação.

“Pouco se compreende sobre a vulnerabilidade da biodiversidade marinha, da genética das espécies e das comunidades microbianas — especialmente nas profundezas oceânicas — às mudanças climáticas e às novas atividades econômicas”, afirma o relatório.

Ainda assim, Butler disse haver motivos para otimismo, destacando a ratificação, no ano passado, do tratado da ONU sobre biodiversidade em alto-mar, que permite a criação de áreas marinhas protegidas em águas internacionais.

“Acredito que, com uma ação global urgente e coordenada, ainda podemos restaurar a saúde dos oceanos e garantir um oceano saudável e biodiverso, beneficiando toda a vida na Terra”, afirmou.

[Fonte Original]

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