Pesquisadores brasileiros publicaram na revista científica Frontiers in Neuroscience Neuropharmacology um relato de caso de uma paciente de 80 anos com doença de Alzheimer que apresentou melhora em alguns indicadores após receber um tratamento com psilocibina, substância psicodélica presente em alguns fungos conhecidos como “cogumelos mágicos”.
A publicação é de apenas um caso, ou seja, não representa uma evidência de eficácia ou segurança do uso da psilocibina como tratamento. Ela não envolve um grande número de pacientes dentro de uma pesquisa rigorosa que permita estabelecer causalidade entre o tratamento e o desfecho estudado. Ainda assim, relatos do tipo podem gerar hipóteses para serem exploradas em estudos maiores.
No experimento, os pesquisadores acompanharam uma mulher de ascendência japonesa octogenária que vivia sob supervisão contínua da família e com apoio de cuidadores e tinha um declínio cognitivo e funcional progressivo decorrente de um diagnóstico de Alzheimer que evoluiu ao longo de aproximadamente 10 anos.
Segundo escrevem no artigo, durante os cinco anos anteriores ao tratamento, a fala da paciente tornou-se predominantemente monossilábica, acompanhada por redução severa da interação espontânea, incontinência urinária crônica, disfunção executiva, mobilidade prejudicada, disfagia (dificuldade ou incapacidade de engolir alimentos) e grau elevado de dependência para atividades da vida diária.