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quinta-feira, junho 13, 2024

Empresas colombianas enfrentam crise energética com queda nas reservas de gás

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As maiores empresas da Colômbia se preparam para uma disparada dos custos da energia nos próximos meses, à medida que a produção cada vez menor de gás natural obriga o país a recorrer a importações caras para evitar que haja falta de gás.

O presidente esquerdista Gustavo Petro, para quem o combate às mudanças climáticas é uma prioridade, tem se recusado a conceder licenças para explorar novos locais de perfuração de poços, apesar do fato de que as reservas do país estão se esgotando. E os poços que são explorados no Caribe não serão operacionais antes de 2027, pelo menos.

Isto está obrigando a empresa estatal de petróleo, a Ecopetrol, a analisar formas de o país comprar gás natural liquefeito (GNL) do exterior, que podem ser duas ou três vezes mais caras do que o suprimento atual da Colômbia.

A situação pode até provocar a paralisação da já letárgica economia da Colômbia, que no ano passado se expandiu ao ritmo mais fraco desde 1999, sem contar o período da pandemia. Também pode corroer de maneira expressiva a lucratividade das empresas, pois o fraco crescimento econômico torna mais difícil o repasse do aumento dos custos para os consumidores.

Além disso, embora as reservas já estivessem em queda há vários anos quando Petro chegou ao poder, a escassez de energia representa outro obstáculo para sua tentativa de transformar o modelo “favorável às empresas” da Colômbia. Com muitas de suas ambiciosas reformas paralisadas, seu governo também se debate hoje com uma deterioração das perspectivas fiscais.

“Vamos nos defrontar com um problema muito sério, e muito rapidamente”, disse o ex-ministro de Minas e Energia Tomás González, que hoje comanda o think-tank Centro Regional de Estudos de Energia, de Bogotá. “Não se pode deixar a indústria sem gás natural por nenhum período de tempo — isso teria um impacto enorme na economia.”

Bandeira Colômbia — Foto: Flavia Carpio/Unsplash

Quando os estoques de gás são limitados, o governo da Colômbia exige que a prioridade seja para as famílias, as pequenas empresas e o setor dos transportes, em vez da indústria. Por isso, as empresas estão tentando descobrir como lidar com a escassez.

“Você precisaria ser louco para tentar aumentar os preços nesse ambiente”, disse Diego Jaramillo, que dirige a associação representativa do setor que reúne os maiores consumidores de energia e gás natural do país.

Mesmo nos preços atuais, a energia e o gás são responsáveis por algo entre 25% e 40% dos custos totais dessas empresas, segundo Jaramillo. Ele advertiu que se esses preços derem um salto quando as importações começarem, a indústria colombiana simplesmente “não será competitiva”.

No mês passado, a Agência Nacional de Hidrocarbonetos informou que as reservas de gás caíram para o equivalente a 6,1 anos de produção no fim de 2023. Isso significa uma queda em relação aos 7,2 anos de 2022 e é metade do que era há uma década.

Mesmo com alguma margem de manobra, a Ecopetrol avalia que haverá um déficit de 8% entre o fornecimento de gás e a demanda total a partir do ano que vem, diferença que aumentará para cerca de 25% em 2026 e 30% no ano seguinte. As previsões da empresa sugerem que os déficits se manterão acima desse nível até perto de 2030, quando os depósitos submarinos começarem a atender à demanda.

Seu executivo-chefe, Ricardo Roa, argumenta que a Ecopetrol tem feito tudo o que pode para evitar o racionamento. “Estamos trabalhando para garantir o fornecimento de gás”, disse ele em uma entrevista. “Nós entendemos as implicações para a indústria.”

Para começar, a estatal pretende retomar projetos que estavam suspensos por falta de segurança ou de licenças ambientais. Em abril, ela anunciou um acordo com a Parex Resources para exploração na área de Piedemonte Llanero, no centro do país. A empresa também voltou a atenção para a província de Cesar, no norte, perto da costa caribenha, onde já foram encontrados depósitos de gás.

Aumentar a produção de pequenos campos pode ajudar a Colômbia a ganhar tempo e até ser suficiente para evitar um déficit no ano que vem, segundo David Angel, cofundador da empresa de consultoria Energy Transitions SAS, de Bogotá. Mas sua expectativa é de que, por causa da ampliação do déficit, as importações se tornarão necessárias no mais tardar em 2026.

A demanda média diária de gás natural até o momento neste ano é de cerca de 1.080 giga-unidades térmicas britânicas (BTUs) e o déficit em 2026 está estimado em cerca de 250 giga-BTUs. A indústria costuma responder por 30% da demanda total.

Uma alternativa de curto prazo é aumentar a capacidade de um porto privado de gás natural liquefeito em Cartagena, conhecido como SPEC. Embora hoje a capacidade de regasificação só esteja programada para usinas térmicas, ela poderia ser expandida — embora isso exija mudanças na regulamentação e de infraestrutura.

Outra possibilidade é a importação da Venezuela. Ela depende da disponibilidade, mas de início Roa espera cerca de 50 milhões de pés cúbicos por dia — ou cerca de 50 giga-BTUs. No entanto, como os Estados Unidos reimpuseram as sanções contra a Venezuela, a Ecopetrol precisa primeiro receber uma autorização para não sofrer punições.

Infelizmente, o gasoduto de 224 quilômetros que liga os dois países está fora de serviço há anos. E do lado colombiano, uma parte foi destruída por ladrões em busca de sucata. Os reparos ainda não começaram e podem demorar de 10 a 12 meses.

Mas não se trata apenas de ter a infraestrutura para as importações. A Colômbia também precisa ser capaz de levar o gás aos usuários finais.

Por causa da forma como sua rede de gasodutos está configurada, e dado que seu único porto de GNL fica na costa do Caribe, a indústria no interior do país é a que corre mais risco. E é lá que estão as três maiores cidades: Bogotá, Medellín e Cali.

Uma das questões mais prementes é aumentar a capacidade de bombeamento, de forma que mais gás importado via Cartagena possa chegar ao gasoduto que alimenta o interior, segundo Juan Ricardo Ortega, CEO do Grupo Energía Bogotá — uma unidade do grupo é a proprietária do duto. Ele contou que algumas empresas não conseguem ver uma fonte confiável de gás em 2026. “Não existe nenhuma clareza sobre o preço ou se o volume será suficiente”, disse Ortega. “O gás liquefeito sempre será mais caro.”

Mesmo com a queda nas reservas, o ministro de Minas e Energia, Andrés Camacho, defende a posição de Petro contra novas perfurações de poços. “Mais contratos não significam necessariamente mais exploração”, afirmou Camacho em uma entrevista. “Nossa política é estimular a exploração com o que já existe.”

O ministro contou que o governo também tem pressionado por mais desenvolvimento na área de energias renováveis, como a eólica e a solar, para reduzir a demanda futura de gás e cobrir a diferença até que a produção em alto mar decole.

Muita coisa depende desses poços de águas profundas. Este ano a Ecopetrol informou que o depósito Orca-1, com o qual as autoridades contavam, era bem menor do que o estimado inicialmente. A empresa está prestes a começar a perfuração do poço de alto mar Uchuva-2 e planeja explorar um poço ainda mais profundo até o fim do ano.

Nesse meio tempo, Jaramillo, da associação representativa de consumidores da indústria, acredita que os preços mais altos levarão algumas empresas a fecharem e outras a irem embora da Colômbia. É isso precisamente que Ana Fernanda Maiguashca, uma ex-executiva de banco central que comanda o Conselho Privado de Competitividade, teme que aconteça.

“Quando se trata da sua fonte de energia, você precisa ter confiabilidade”, disse. Para ela, as empresas “preferirão investir onde a matriz energética oferece essa confiabilidade”. (Tradução de Lilian Carmona)

[Fonte Original]

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