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sábado, novembro 29, 2025

Governo Lula conversou com exchanges sobre Brasil adotar Reserva estratégica de Bitcoin

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Resumo da notícia

  • Governo discute criação de uma reserva de Bitcoin e outras estratégias inovadoras.

  • Febraban mostra dados favoráveis e defende diversificação com BTC.

  • Debate envolve Receita, Câmara, exchanges e especialistas do mercado.

Durante um painel realizado neste sábado, 29, no Blockchain Conference Brasil, Pedro Guerra, assessor do Vice Presidente Geraldo Alckmin, revelou que debateu com exchanges de criptomoedas o tema de uma reserva de Bitcoin para o Brasil

Tive recentemente uma reunião com algumas corretoras para discutir a ideia de uma reserva estratégica de Bitcoin. Houve uma convergência em torno de algo importante: não podemos ser obcecados com teses fixas. Precisamos de flexibilidade. Se um caminho não funciona, devemos tentar alternativas que sejam mais palatáveis e compreensíveis. E várias reflexões têm surgido nessa linha’, revelou.

Guerra revelou que ele, pessoalmente, é muito entusiasta da ideia de uma reserva de Bitcoin e também de outras propostas envolvendo o Estado como a compra de Bitcoin por fundos de universidades.

“Já que estamos discutindo reservas, ainda que numa forma não tradicional, ampliar esse conceito. Por que não pensar, por exemplo, em fundos de universidades públicas podendo fazer alocações nesses ativos? Ou fundos que sustentam determinadas políticas públicas, eles, na prática, fica com o dinheiro parado, exposto à perda de poder de compra. É dinheiro que só se desvaloriza com o tempo. Ter o ‘pé de meia’ em reais, significa perder dinheiro ao longo do tempo’, disse.

Guerra também destacou que o debate sobre uma reserva de Bitcoin pelo Estado brasileiro já vem sendo debatida e contou recentemente com um debate envolvendo não só o governo, mas a Câmara dos Deputados e Febraban, entre outros players.

Dentro desse contexto, a Febraban se mostrou otimista com a proposta e apresentou dados, gráficos, tendências, e como uma exposição de 5% em BTC ajuda na redução da volatilidade e como isso pode ser importante para as reservas estratégica do país.

“O que percebo é uma certa resistência conceitual. O tema é diferente, é uma nova classe de ativos, com características próprias. Mas, ao mesmo tempo, esse “monstro” já está bastante exposto. E se a ideia é buscar diversidade, precisamos realmente buscar ativos com características diversas. Caso contrário, compraríamos apenas títulos tradicionais e repetiríamos sempre o mesmo modelo. O Bitcoin justamente cumpre esse papel. Na minha visão, ele tem até um valor pedagógico.

O representante do Governo Federal apontou ainda que o Estado no Brasil ainda é muito grande, e muitas transformações dependem dele.

“Quando o governo toma uma decisão, isso repercute de forma ampla. E, além disso, temos muitas tecnologias que permitem escalar mudanças e criar efeitos de rede. Ou seja, certas decisões podem gerar impactos que se multiplicam. Eu diria que a discussão sobre reserva de Bitcoin ainda é tímida. Mas acredito que precisamos manter esse esforço contínuo de sensibilização, de explicar, de trazer contexto e de qualificar o debate”, afirmou.

Países adotando Bitcoin

Guerra afirmou ainda que a pressão inflacionária dificulta o planejamento de órgãos públicos e vê na adoção de modelos mais diversificados uma das possíveis soluções. Segundo ele, experiências já adotadas por empresas podem servir como referência.

“A pressão inflacionária corrói orçamentos inteiros. Por isso, vejo com bons olhos testar novas estratégias e aprender com o que as empresas estão fazendo”, explica.

Ele destacou que o governo finalmente passou a ter equipes dedicadas ao tema em áreas como Receita Federal e órgãos econômicos. Para o assessor, isso abre espaço para discutir o assunto em um nível mais profundo, quase acadêmico, criando bases sólidas para decisões futuras. Apesar disso, ressalta que ainda existe ruído interno e percepções distorcidas sobre o setor de criptoativos.

Guerra acredita que a dificuldade de entendimento está mais ligada à novidade da tecnologia do que a problemas reais. Ele afirma que o mercado é frequentemente mal avaliado, mas que há espaço para amadurecimento institucional.

Ao comentar sobre a adoção empresarial, Guerra afirma que empresas seguem lógicas objetivas e buscam resultados. Elas avaliam, estudam e decidem com base na consistência da estratégia. Para ele, o Bitcoin exige estudo, e quem se aprofunda tende a compreender sua utilidade. No entanto, destaca que poucas companhias brasileiras, como a Méliuz, incorporaram o ativo à estratégia de negócios.

Ele cita o Bitcoin Map Policy, que atualiza constantemente o número de países com algum grau de exposição ao ativo. De acordo com a última verificação feita por ele, já são 32 nações que adotam o Bitcoin de algum modo, além de empresas e organizações internacionais que vêm ampliando o movimento.

Guerra afirma que, diante desse cenário global, não faz sentido retroceder no Brasil. Segundo ele, a expansão de indivíduos, empresas e até estados adotando novas estratégias torna injustificável qualquer tentativa de regredir no debate ou limitar caminhos.

Centralização, descentralização e o papel do Estado

No centro da discussão, Guerra vê um embate claro entre modelos centralizados e descentralizados. Para ele, a descentralização tende a ser mais eficiente, pois oferece liberdade para que empresas criem, inovem e gerenciem seus recursos de maneira mais inteligente. Esse processo, segundo o assessor, também influencia o papel do Estado.

A adoção de mecanismos descentralizados, afirma, ajuda a modernizar estratégias de caixa e pode criar um ambiente mais próspero para políticas públicas e investimentos. Mesmo com tensões naturais decorrentes da disrupção tecnológica, Guerra acredita que a tendência é de avanço. Para ele, o esforço agora deve ser contínuo: sensibilizar, esclarecer e construir pontes entre governo, empresas e sociedade.

Ainda segundo Guerra, o que acontece atualmente é que há um ambiente cheio de ruídos sobre a nova economia digital.

“Há, sim, um esforço dentro do governo para conter desequilíbrios macroeconômicos e, quando falo governo, incluo o Banco Central e as instituições econômicas do Estado brasileiro. A ideia é equilibrar objetivos de segurança e transparência sem, ao mesmo tempo, inibir a inovação ou limitar a liberdade e a autonomia dos usuários. Estamos nesse momento de sinais trocados”, destacou.

Participando do painel, Renata Mancini da Ripio, declarou que segue otimista com o movimento regulatório do Brasil e que o país caminha para um momento de mais clareza e que isso vai beneficiar todo o mercado.

“Eu sigo muito otimista. Eu realmente comparo isso com o meu próprio trabalho, porque minha vida profissional sempre foi baseada em testar, verificar e validar controles, além de estruturar provas de reserva e revisar conceitos. Tenho muita confiança de que estamos caminhando para uma tendência natural de maior clareza. Com o avanço da Receita, da CVM e de toda a estrutura técnica que está sendo criada, é normal que surjam confusões, críticas e dúvidas. Isso faz parte do processo. É esperado. Muitas vezes, certas interpretações não ficam tão claras; não é uma ciência exata, não é um cálculo único, não é um valor imutável.

[Fonte Original]

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