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domingo, maio 24, 2026

Entre a voz e o sujeito: Por uma IA que fale em nosso nome – Revista Cult

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Barricada em rua de Argel, capital da Argélia, em 1960 ( christophe marcheux/wikimedia commons )


Em 2025, sob o governo de Edi Rama, a Albânia nomeou uma inteligência artificial como ministra de Estado, a Diella. Entre tantas questões suscitadas pelo fato, uma merece atenção psicanalítica: a voz de uma tribo, família, comunidade, povo ou nação pode advir de um artefato técnico? Claro que nenhuma dessas unidades político-culturais fala. Não encontraremos em nossa frente uma nação e a escutaremos dizer sua opinião sobre algo. Isso acontece pela escrita ou voz de alguém. Ao mesmo tempo, quando esse alguém fala, é como um suporte desse “outro”, ou seja, fala-se em nome da nação.

Frantz Fanon percebeu bem a importância disso em O ano V da revolução argelina. Mas “as primeiras palavras” da nação que se libertava não foram ditas por alguém, uma pessoa individual de carne e osso, mas por um artefato técnico: o rádio. Ao ouvir, no rádio, a revolução, dizia Fanon “o argelino existe com ela, e faz com que ela exista”; de tal modo que “aceitar a tecnologia radiofônica, comprar um aparelho e viver a nação em luta coincide”.

Fanon não se referia a qualquer rádio, logicamente. Antes havia a Rádio Argel, a voz do colonizador que expulsava a “esperança do coração” e mantinha a “agonia contínua do colonizado”. A partir de 1956, contudo, A Voz da Argélia Combatente carregava “a mensagem grandiosa da revolução” – fazendo com que todo argelino se sentisse convidado “a se tornar um elemento reverberante da vasta rede de significados nascida do combate libertador”. A esperança, o espírito de resistência

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