O CEO da Binance, Richard Teng, rebateu uma nova investigação do Wall Street Journal que alega que a exchange processou US$ 850 milhões em transações ligadas a um financista iraniano sancionado, dinheiro que acabou chegando à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.
Em uma postagem de sexta-feira no X, Teng classificou a reportagem como “fundamentalmente imprecisa”, afirmando que a Binance nunca permitiu transações com indivíduos sancionados e que qualquer atividade sinalizada ocorreu antes que esses indivíduos fossem submetidos a sanções dos EUA. Ele também alegou que a Binance havia investigado as questões antes que o Wall Street Journal contatasse a empresa e que os fatos fornecidos por ela não foram incluídos na matéria.
A reportagem do Wall Street Journal, publicada na quinta-feira, identificou Babak Zanjani, que foi novamente alvo de sanções dos EUA em janeiro, como a figura central de uma rede secreta de pagamentos em criptomoedas que movimentou US$ 850 milhões por meio de contas da Binance ao longo de dois anos. A empresa de Zanjani, Zedcex, juntamente com contas pertencentes à sua irmã, à sua companheira e a um diretor da empresa, operavam a partir dos mesmos dispositivos, segundo a reportagem.
Fonte: Richard Teng
O Wall Street Journal afirmou que os relatórios internos de conformidade da Binance sinalizaram a conta da Zedcex após detectarem acesso a partir de Teerã no final de 2024. A conta permaneceu aberta por mais de um ano, acionando mais de uma dúzia de outros alertas internos. Os próprios investigadores da Binance recomendaram o encerramento das contas e a sua comunicação às autoridades, mas o Wall Street Journal afirma que as contas permaneceram ativas.
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Binance
Em 2023, a Binance se declarou culpada de lavagem de dinheiro e violações de sanções, pagando uma multa recorde de US$ 4,3 bilhões e prometendo reformular seus sistemas de conformidade. No entanto, segundo o Wall Street Journal, os supostos fluxos de fundos iranianos foram retomados logo em seguida.
Em março, o Journal também noticiou que o Departamento de Justiça está investigando o uso da Binance pelo Irã para burlar as sanções após a confissão de culpa. Após a reportagem, a Binance entrou com um processo por difamação contra a publicação, buscando indenização e um julgamento por júri. A exchange negou ter conhecimento de qualquer investigação do Departamento de Justiça, afirmando ao Cointelegraph que continua cooperando com os órgãos reguladores e as autoridades policiais.
Além da rede de Zanjani, o jornal afirmou que o banco central do Irã movimentou US$ 107 milhões em criptomoedas para contas da Binance em 2025, e uma agência estrangeira de aplicação da lei rastreou aproximadamente US$ 260 milhões em transações diretas entre contas da Binance e financiadores do terrorismo iranianos durante 2024 e 2025.
“A Binance tem tolerância zero para atividades ilícitas e construiu e opera um programa de conformidade líder do setor, o melhor da categoria, que continua a crescer”, escreveu Teng no X.
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Binance nega ter encerrado investigação interna sobre o Irã
Em fevereiro, outra reportagem do Wall Street Journal alegou que a Binance encerrou uma investigação interna sobre cerca de US$ 1 bilhão que transitou pela plataforma para redes ligadas a grupos paramilitares iranianos. A Binance negou ter desmantelado qualquer investigação de conformidade, afirmando que sua apuração interna continuou e revelou um padrão sofisticado e multijurisdicional de atividade financeira na Ásia, no Oriente Médio e em outras regiões.
A corretora também publicou um post em seu blog abordando o que chamou de alegações falsas e, separadamente, respondeu a uma consulta do Senado em março, negando ter facilitado transações com entidades iranianas.