Uma forte oscilação de preços marcou esta segunda-feira na bolsa local. Em um pregão de menor liquidez, o Ibovespa oscilou entre perdas e ganhos pela manhã até adotar uma direção única, de queda, no começo da tarde — dinâmica que se estendeu até o fim do dia. Embora Irã e Israel tenham anunciado a suspensão dos ataques mútuos iniciados no fim de semana, reduzindo os prêmios geopolíticos embutidos nos preços do petróleo, as incertezas em relação aos próximos desdobramentos do conflito permaneceram elevadas, o que reforça a maior cautela dos investidores no mercado doméstico.
Ao mesmo tempo, a recuperação do setor de tecnologia americano pode ter ajudado a tirar fôlego da bolsa local em um dia em que blue chips também tiveram desempenho majoritariamente negativo. No fim, o Ibovespa cedeu 0,21%, aos 168.669 pontos, após variar entre os 168.130 pontos e os 169.646 pontos.
Entre as blue chips, bancos responderam pelas maiores quedas, especialmente as PN do Bradesco, que recuaram 1,55%. Apenas as units do Santander terminaram no azul, com ganho de 0,19%.
O dia também foi negativo para as ON da Vale, que perderam 0,80%. Já as ações da Petrobras ajudaram a limitar as perdas.
Em entrevista à agência Bloomberg, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, disse não ver evidências de que o conflito no Irã esteja gerando destruição da demanda dos mercados globais de metais. O executivo também destacou que as margens da companhia vêm crescendo, em meio à interrupção do fluxo de matérias-primas diante da guerra.
Após uma viagem pela América Latina, os analistas do BTG Pactual destacam que o posicionamento dos investidores em commodities na região ainda parece leve e que muitos permanecem céticos em relação à sustentabilidade da recente alta.
Entre os nomes que concentraram as atenções de investidores está o da Vale. Em relatório, a equipe do BTG afirma que a percepção de muitos investidores é que a companhia provavelmente representa a melhor história de investimento baseada em fundamentos (“bottom-up”) dos últimos anos e oferece um atrativo rendimento de fluxo de caixa livre próximo de 10%, superior ao de suas concorrentes australianas. No entanto, “persistem dúvidas sobre a direção dos preços do minério de ferro e sobre qual seria o gatilho capaz de destravar valor no negócio de metais básicos da companhia, especialmente após a decisão de não realizar um IPO no curto prazo” para a sua divisão de metais básicos, a Vale Base Metals (VBM).
Enquanto o dia foi de perdas para a Vale, a alta nos preços de petróleo ofereceu suporte para as ações da Petrobras, o que ajudou a limitar as perdas do Ibovespa. No término da sessão, as PN da petroleira subiram 0,81%, ao passo que as ON avançaram 0,72%.
Os preços da commodity voltaram a subir em meio à percepção de que a suspensão dos ataques entre Israel e Irã possa ser facilmente rompida. Após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os dois lados “parassem imediatamente de atirar”, Teerã e Tel-Aviv concordaram em interromper as hostilidades. O governo iraniano, porém, advertiu que voltará a agir caso Israel continue atingindo alvos ligados ao Hezbollah no Líbano.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por sua vez, afirmou que a guerra contra o Irã “ainda não terminou” e ameaçou reagir “com força” caso Teerã volte a lançar ofensivas contra o território israelense.
Além da Petrobras, o pregão foi positivo para os papéis da WEG, que avançaram 3,63%, impulsionados pela alta do dólar frente ao real. Na ponta contrária, a MRV liderou as perdas, no valor de 4,64%, com a virada para cima dos juros futuros na segunda metade do pregão.
Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 15,2 bilhões e de R$ 20,7 bilhões na B3. Enquanto o Ibovespa cedeu, os principais índices fecharam majoritariamente no azul. O Nasdaq e o S&P 500 avançaram 0,86% e 0,30%, nessa ordem; já o Dow Jones perdeu 0,16%.