Crédito, Reuters
- Author, Hafsa Khalil
- Role, BBC News
A polícia informou o número atualizado de vítimas em uma coletiva de imprensa no domingo (30/11), alertando que “não se pode descartar a possibilidade de mais vítimas fatais”.
Outras 79 pessoas ficaram feridas e 150 continuam desaparecidas, ainda segundo as autoridades.
Sete dos oito blocos de apartamentos, localizados no distrito de Tai Po, ao norte de Hong Kong, pegaram fogo na quarta-feira (26/11).
A possibilidade de que as chamas tenham se alastrado com rapidez por conta de presença de materiais inflamáveis usados na reforma pela qual passava o complexo, como folhas de plástico e poliestireno, têm gerado indignação e preocupação entre os locais.
Milhares de pessoas se reuniram na área do Wang Fuk Court no domingo para prestar homenagem às vítimas, com filas que se estendiam por quase 2 km.
O número de mortos vem aumentando desde o início do incêndio, enquanto as autoridades trabalham para recuperar e identificar os corpos.
A causa exata do incidente ainda não foi determinada. Oito pessoas foram presas sob suspeita de corrupção relacionada às obras de renovação que estavam sendo realizadas nas torres, enquanto outras três foram detidas sob acusação de homicídio culposo.
O incêndio, que se espalhou rapidamente tanto para cima quanto entre os blocos, só foi totalmente contido na manhã de sexta-feira (28/11) e exigiu mais de 2 mil bombeiros para ser controlado.
No mesmo dia, a polícia começou a entrar nos prédios para coletar evidências. As autoridades dizem que a investigação pode levar de três a quatro semanas.
O policial Tsang Shuk-yin afirmou no domingo que os agentes já haviam concluído as buscas em quatro dos blocos de apartamentos.
O consulado da Indonésia em Hong Kong comunicou que pelo menos sete de seus cidadãos morreram no incêndio, enquanto o consulado das Filipinas informou que um de seus cidadãos morreu.
O bombeiro Ho Wai-ho, de 37 anos, foi identificado entre os mortos. Ele foi encontrado desacordado no local na quarta-feira, cerca de 30 minutos após o contato com ele ter sido perdido.

O corpo de bombeiros informou que as chamas atingiram temperatura máxima de 500°C (932°F). Doze bombeiros ficaram feridos no combate ao incêndio.
Segundo as autoridades, a presença de telas plásticas e outros materiais inflamáveis na parte externa dos edifícios fizeram com que o fogo se alastrasse rapidamente pelos blocos.
Andaimes de bambu que cobriam os prédios e são comumente usados em obras de construção e reforma em Hong Kong também podem ter contribuído para espalhar as chamas — o que gerou um debate em torno da segurança do uso desse material pelo setor.
Vários moradores relataram não terem ouvido os alarmes de incêndio quando o fogo começou. O corpo de bombeiros constatou que em todos os oito blocos eles não estavam funcionando corretamente.
A Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC) informou que entre os detidos por conta investigação de corrupção estão diretores de uma empresa de engenharia e representantes de uma terceirizada que teria erguido os andaimes.
Um porta-voz da polícia já havia afirmado que há motivos para acreditar que “os responsáveis pela empresa foram extremamente negligentes”, o que levou ao incêndio e fez com que ele “se alastrasse incontrolavelmente”.
O departamento de construção de Hong Kong suspendeu temporariamente obras em 30 projetos privados.
A polícia também teria detido um homem de 24 anos sob suspeita de perturbação da ordem no sábado. Ele fazia parte de um grupo que pedia uma investigação independente sobre o incêndio.
O incêndio, que foi o mais mortal em Hong Kong em mais de 70 anos, levou as autoridades da região a declararem um período de luto de três dias a partir do último sábado.
A solenidade começou com três minutos de silêncio e o hasteamento das bandeiras da China e de Hong Kong a meio mastro.
Desde então, milhares de pessoas visitaram o local para depositar flores, rezar e oferecer bilhetes escritos à mão para as vítimas.
A indonésia Romlah Rosidah, que trabalha na região, afirmou estar “muito surpresa” com a quantidade de pessoas que compareceram para rezar pelas vítimas.
“Esse evento só foi divulgado nas redes sociais, mas [eles] se comoveram”, disse ela à agência de notícias Reuters.
O complexo residencial de Wang Fuk Court foi construído em 1983. Tinha 1.984 apartamentos e cerca de 4.600 moradores, de acordo com o censo do governo de 2021.
Estima-se que quase 40% de seus moradores tenham pelo menos 65 anos de idade. Alguns viviam nos prédios desde a inauguração.
O segundo incêndio mais mortal já registrado em Hong Kong matou 176 pessoas em 1948 e foi causado por uma explosão no térreo de um armazém de cinco andares.
O incidente com maior número de vítimas fatais já registrado ocorreu no Hipódromo de Happy Valley em 1918, quando mais de 600 pessoas morreram.