Em tom eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (19) que “dará uma surra” na extrema-direita nas eleições de 2026. Ao participar de um evento natalino com catadores e catadoras de material reciclável em São Paulo, Lula fez um balanço de sua gestão, destacou suas ações na economia e agradeceu o empenho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que deve deixar o governo no início de 2026 para se dedicar à disputa eleitoral. Lula também reiterou que vetará o PL da dosimetria, mesmo com a perspectiva de o Congresso derrubar esse veto.
“Estou terminando o governo num momento muito bom. Estou muito feliz com o que alcançamos. Sei que tem muita gente já pensando nas eleições de 2026. Eu ainda não posso pensar porque tenho que trabalhar. Mas deixa eles pensarem. E, quando eles quiserem, venham, porque nós vamos dar uma surra em quem se meter a achar que a extrema-direita vai voltar a governar esse país”, disse Lula. “Que venham, porque vamos desafiar não com palavras. Vamos comparar o que eles fizeram com o que nós fizemos”, afirmou o presidente, no evento natalino no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo.
Sem citar seus possíveis adversários na disputa presidencial de 2026, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula pediu o empenho de seus apoiadores para barrar a extrema-direita nas urnas. “Esse país não pode permitir que a extrema-direita fascista, negacionista, responsável pela morte de mais de 700 mil pessoas, a maioria delas por falta de respeito por não comprar vacina, não comprar oxigênio, volte a governar o Brasil com mentiras pela internet”, declarou, em crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, referindo-se às mortes durante a pandemia de covid 19. “É nossa obrigação não permitir que a democracia dê um passo para trás.”
O presidente destacou que é a primeira vez na história do país que um ex-presidente e militares foram presos por envolvimento na trama golpista. Nesse momento, foi interrompido por gritos de “sem anistia” de uma plateia com cerca de duas mil pessoas.
Em seguida, Lula reforçou que vetará o projeto de lei aprovado pelo Congresso que reduz a pena de Jair Bolsonaro e de outros condenados por participação em atos golpistas, que culminaram na invasão dos três Poderes no 8 de janeiro de 2023.
“Com todo respeito aos deputados e senadores que votaram a lei pela redução da pena, eu quero dizer a vocês: eu vou vetar essa lei. E, se eles [parlamentares] quiserem, que derrubem meu veto. Mas a gente tem que ensinar esse pessoal a respeitar”, disse o presidente, lembrando que perdeu três eleições antes de vencer pela primeira vez, em 2002. “Perdia e voltava para casa, me preparava e voltava para outra. Nunca tentamos dar golpe, tomar o poder de assalto. Eles têm que aprender que a democracia vence.”
Relação com o Congresso
O presidente, no entanto, evitou criticar diretamente o Congresso Nacional e disse que conseguiu aprovar no Parlamento “99%” de tudo aquilo que o governo queria. Nesse momento, elogiou a atuação de Haddad e a “obstinação na área econômica” do ministro.
Em outro momento, agradeceu Haddad “pela seriedade com que tratou a economia nesse país” e destacou medidas na área econômica, como a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês; a distribuição de gás e a isenção do pagamento da conta de luz para a população de baixa renda.
Lula reforçou a bandeira dos “ricos x pobres” e defendeu a distribuição de renda. “Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza, miséria, prostituição, fome. Pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza. É assim que economistas têm que pensar.”
Ao fazer um balanço de sua gestão, o presidente destacou as ações na economia. Disse que o país chegou ao final de seu terceiro ano de mandato “com a menor inflação acumulada no Brasil, com o menor desemprego, a maior massa salarial da história do Brasil e a maior política de inclusão social que esse país já conheceu”. “Tenho desafiado aqueles que não acreditaram em nós”, disse.
“Estou muito feliz. Porque pegamos esse país destroçado, levamos praticamente dois anos para colocar o país em pé, tivemos que tratar a terra, plantar e estamos colhendo aquilo que foi plantado”, afirmou o presidente. “Vamos fazer muito mais”, disse Lula, em tom eleitoral. Para 2026, Lula anunciou um reforço nas ações na área da saúde e disse que colocará 150 caminhões com aparelhos médicos para fazer exames na população.
Lula estava na ExpoCatadores acompanhado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Luiz Marinho (Trabalho), Alexandre Padilha (Saúde), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrária), Márcia Lopes (Mulheres) e Esther Dweck (Gestão). Entre os presentes, estavam também o presidente da Caixa, Carlos Vieira; o presidente do PT, Edinho Silva; senador Confúcio Moura (MDB-RO), os deputados petistas Alfredinho, Arlindo Chinaglia, Nilton Tatto, Ricardo Galvão, Juliana Cardoso, Eduardo Suplicy e Luiz Claudio Marcolino, e a deputada Ediane Maria (Psol).
O ministro da Secretaria-Geral defendeu mais um mandato para o presidente. “A gente reconhece que ainda tem muita coisa para avançar. Temos que avançar no pagamento pelo reconhecimento de serviço ambiental. Temos disposição para avançar. Precisamos que vocês continuem organizados e que a gente continue tendo naquela cadeira um presidente que é humano, que olha o catador como gente”, disse Boulos.
O presidente destacou a atuação de Boulos na área social e disse que o ministro será responsável por articular e comandar políticas públicas para os catadores de material reciclável. Entre as ações anunciadas por Boulos, está a criação de um aplicativo para conectar os catadores e as pessoas que têm material para reciclagem. O ministro afirmou que as ações voltadas para os catadores representarão um investimento do governo federal de R$ 162 milhões.
Haddad defendeu a “cooperação federativa”. “É muito mais difícil fazer as coisas de Brasília se não tiver prefeito, governador com sensibilidade, que não bota polícia para bater no povo.”