Resumo da notícia:
O Ethereum entra em 2026 com fundamentos sólidos e métricas on-chain que indicam uma forte subvalorização.
A rede consolida sua liderança institucional ao dominar 66% do mercado de tokenização de ativos reais (RWA).
O sucesso das atualizações Pectra e Fusaka eliminou incertezas sobre o roadmap, preparando o terreno para um choque de oferta impulsionado por staking, DATs e ETFs.
Após decepcionar os investidores em 2025, o Ethereum (ETH) inicia o novo ano apresentando a relação entre preço e fundamentos mais equilibrada desde o ciclo dos NFTs (tokens não fungíveis) em 2021, de acordo com uma análise da Messari.
Cotado a US$ 3.000 no fechamento anual, o ativo demonstra um posicionamento técnico favorável para os investidores, fundamentado em métricas de valor justo e na dominância crescente da rede no mercado de ativos do mundo real (RWAs).
Esta conjunção de fatores é um sinal da maturidade do ecossistema da rede líder de contratos inteligentes: o preço do Ethereum deixou de ser guiado por pura especulação, e agora está alinhado a casos de uso tangíveis e reais.
Concluídas com sucesso, as atualizações Pectra, implementada em maio, e Fusaka, concluída em dezembro, não apenas otimizaram a eficiência da rede — reduzindo gargalos de escalabilidade e reforçando a segurança da rede —, mas também consolidaram a confiança institucional na previsibilidade do roadmap da Ethereum.
Segundo a análise da Messari, as dúvidas existentes sobre a capacidade de adaptação e evolução tecnológica da rede foram eliminadas, reforçando o sentimento positivo entre os investidores de longo prazo.
MVRV Z-Score sugere que preço do ETH está ‘descontado’
Para avaliar o potencial de valorização do Ethereum em 2026, a Messari analisa o MVRV Z-Score. Este indicador revela se o ETH está supervalorizado ou subvalorizado em relação ao seu valor justo, comparando o valor de mercado (preço à vista em relação ao suprimento circulante) ao valor realizado (o preço médio ponderado de quando cada moeda foi movida pela última vez na rede).
A análise aponta que durante o ciclo de alta de 2021, o MVRV Z-Score do ETH atingiu o nível 6, indicando um estado de extrema ganância, onde o preço do ativo estava significativamente acima do custo médio de aquisição.
Atualmente, o indicador oscila de forma mais saudável entre 0 e 2, onde 0 indica neutralidade (preço de mercado igual ao custo médio) e 1 aproxima-se de uma valorização justa em um mercado de alta moderado.
Dados on-chain mostram que, após a implementação da Fusaka em 3 de dezembro de 2025, o preço do ETH atingiu US$ 3.189 com um MVRV Z-Score de apenas 0,47. Como consequência dessa configuração, a tendência é que haja uma redução na pressão vendedora de curto prazo, segundo a análise.
Como os investidores não acumulam “lucros parabólicos”, também há menos incentivos para vendas maciças. Tecnicamente, o MVRV Z-Score sugere que há uma base sólida para a confirmação de uma tendência de alta sustentável ao longo de 2026, permitindo que o preço suba organicamente à medida que capital novo entra no ecossistema.
Ethereum lidera tokenização de ativos reais (RWA)
O otimismo em relação ao desempenho do Ethereum em 2026 também se baseia na adoção da rede como principal infraestrutura de liquidação global para ativos tradicionais. Dados da plataforma RWA.xyz mostram que a Ethereum possui US$ 11,9 bilhões em Valor Total Bloqueado (TVL) tokenizado, com uma participação de mercado de 65,9% (excluindo stablecoins).

Embora o TVL de redes concorrentes e soluções de Camada 2 também esteja em alta, a Ethereum se aproveita do “efeito de rede.” Segundo a Messari, a segurança e a liquidez concentradas na Ethereum criam um ambiente inigualável para movimentações de grandes valores.
À medida que grandes instituições financeiras tokenizam títulos do tesouro, crédito privado e outros ativos do mundo real, integrando-se ao ecossistema cripto, a eficiência de capital e a redução drástica de custos operacionais e de custódia são qualidades fundamentais.
Segundo a análise, o fluxo institucional contínuo redefine a natureza da Ethereum: a rede deixa de ser apenas uma plataforma para tokens de utilidade e memecoins e passa a ser o sistema operacional das finanças globais.
Mais importante, esse movimento cria uma demanda estrutural e constante pelo ativo, pois cada transação de ativos tokenizados consome taxas na rede, gerando valor direto para os detentores de ETH através do mecanismo de queima e recompensas de staking, destaca a Messari:
“Para investidores que buscam exposição escalável a contratos inteligentes com rendimento econômico real, o ETH, nos níveis atuais, parece menos um risco de fim de ciclo e mais uma oportunidade de construir uma exposição central para 2026.”
A Visão de Vitalik Buterin: O Computador Mundial
Apesar do progresso técnico quantitativo e do sucesso financeiro, o cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, argumenta que a rede deve manter o foco em sua missão original para consolidar sua valorização e utilidade de longo prazo.
Buterin define o Ethereum não apenas como uma rede blockchain para movimentação de ativos financeiros, mas como uma plataforma de computação compartilhada e neutra, capaz de resistir a falhas de infraestrutura centralizada ou pressões políticas.
Em suas reflexões sobre os desafios da rede em 2026, Buterin postula que a rede deve enfrentar o “teste de abandono.” Sua tese sustenta que o protoclo deve continuar operando independentemente de seus desenvolvedores originais, empresas de tecnologia ou intermediários financeiros.
Para ele, o sucesso da rede em 2026 não depende apenas da velocidade das transações, mas na resiliência absoluta do sistema:
“A Ethereum precisa fazer mais para cumprir suas próprias metas declaradas. A rede é a rebelião contra serviços digitais baseados em assinatura que prendem os usuários em plataformas centralizadas.”
Para atingir o status de “computador mundial”, Buterin afirma que a rede deve resolver simultaneamente o desafio da usabilidade em escala global e da descentralização genuína.
Ele defende que é necessário simplificar a experiência do usuário sem comprometer a autocustódia e garantir que a infraestrutura física da rede possa ser operada de forma independente por milhares de pessoas ao redor do mundo.
Se superar esses desafios, diz Buterin, a rede estará posicionada para se consolidar como a infraestrutura da internet do futuro, oferecendo desde serviços de identidade digital soberana até sistemas complexos de governança descentralizada e novos modelos de economia colaborativa.
Roadmap da Ethereum prevê duas atualizações em 2026
Para atingir estes objetivos, o roadmap da Ethereum prevê duas atualizações em 2026 (Glamsterdam no meio do ano e Hegota no fim do ano), com foco em paralelização da execução, aumento da capacidade de processamento, melhorias na camada de dados para rollups, além de avanços em privacidade, segurança e operação de nós/validadores.
Já as metas globais da rede para 2026 são: ampliar drasticamente a escalabilidade efetiva do ecossistema, incluindo soluções de camada 2, reduzir custos para dApps (aplicativos descentralizados) e usuários com uma infraestrutura otimizada para rollups, reforçar a descentralização operacional (mais participantes rodando nós e uma experiência mais fluida para validadores), reforçando o status de rede preferencial para casos de uso institucionais e tokenização de ativos do mundo real.
Catalisadores para o preço do ETH em 2026
Sob uma perspectiva de mercado, conclui a Messari, o cenário atual alinha três fatores convergentes que podem atuar como catalisadores para o preço do ETH:
MVRV Z-Score: O indicador sugere que o ETH está longe do estágio de exaustão de compradores. O valor acumulado na rede cresceu mais rápido que o preço, mantendo o ETH em uma zona de “valor justo” que pode atrair grandes fundos de pensão e investidores corporativos.
Escassez de oferta (Free Float): A acumulação contínua por meio de ETFs e a absorção de suprimento por empresas de tesouraria digital (DATs) reduzem a oferta de ETH disponível em exchanges. Além disso, o aumento do montante travado em staking para segurança da rede retira ainda mais moedas de circulação, criando um “choque de oferta” onde qualquer aumento na demanda institucional pode impulsionar o preço de forma rápida e acentuada.
Liderança Institucional: A preferência de grandes players pela emissão de RWAs na Ethereum consolida a rede como um porto seguro tanto sob o ponto de vista regulatório quanto tecnológico. O vasto ecossistema de desenvolvedores e o efeito de rede tornam o custo de migração para redes concorrentes proibitivo, assegurando a posição do Ethereum como a camada base do novo sistema financeiro.
Dessa forma, 2026 pode inaugurar uma era em que o Ethereum abandona definitivamente o status de ativo especulativo de alta volatilidade para se transformar em uma infraestrutura financeira eficiente e produtiva.
Os fundamentos do ativo são sustentados por métricas on-chain saudáveis e adoção real, potencializando um ciclo de valorização consistente e uma maturação definitiva do ETH frente às flutuações de preço típicas do mercado cripto, conclui a Messari.
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, a Ethereum bateu o recorde de transações diárias no fim de 2025. Com taxas de gás com custo médio de US$ 0,17, a rede contabilizou 2,2 milhões de transações em 30 de dezembro.
Este artigo não contém conselhos ou recomendações de investimento. Todo investimento e operação de mercado envolve riscos, e os leitores devem realizar suas próprias pesquisas antes de tomar qualquer decisão. Embora nos esforcemos para fornecer informações precisas e atualizadas, o Cointelegraph não garante a exatidão, integridade ou confiabilidade de qualquer informação contida neste artigo. Este artigo pode conter declarações prospectivas sujeitas a riscos e incertezas. O Cointelegraph não se responsabiliza por quaisquer perdas ou danos decorrentes da sua confiança nessas informações.