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segunda-feira, janeiro 5, 2026

‘Lady tempestade’, com Andréa Beltrão, encerra turnê com temporada no Teatro Casa Grande; veja outras estreias

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No ano em que celebra seis décadas de história, oTeatro Casa Grande abre a temporada com “Lady Tempestade”, com Andréa Beltrão no papel principal. Dirigida por Yara de Novaes e com dramaturgia de Sílvia Gomez, a peça revisita a trajetória de uma advogada pernambucana que enfrentou a repressão da ditadura militar guiada por um senso radical de justiça e defesa da vida. Sucesso em sete cidades, a montagem volta ao Rio para encerrar a turnê e fica em cartaz de hoje até o próximo dia 11.

— Acho que o Teatro Casa Grande é o lugar ideal para terminar essa temporada carioca, porque a história do espaço se encaixa muito bem com a da peça. Tudo o que aconteceu ali durante e depois da ditadura é muito importante — afirma Andréa.

Marcado por uma trajetória de resistência, o Casa Grande teve papel central na vida cultural e política do Rio durante e depois da ditadura militar. Nos anos 1970, resistiu a sucessivas tentativas de fechamento e se consolidou como ponto de encontro da classe artística e intelectual, abrigando debates em defesa da democracia, o primeiro ato pela anistia no Rio e a primeira reunião do movimento Diretas Já. Com a redemocratização, foi escolhido para a assinatura do fim da censura no país, tornando-se símbolo nacional da luta democrática. Esse reconhecimento levou Tancredo Neves a batizá-lo de “território livre da democracia no Brasil”, frase mantida até hoje em seu salão principal.

“Lady Tempestade” parte dos diários da advogada pernambucana Mércia Albuquerque (1934–2003), personagem central na defesa de presos políticos durante o regime militar. Mulher pouco lembrada pela história oficial, Mércia atravessou delegacias, quartéis e tribunais para defender vidas, em um dos períodos mais violentos do país.

— A equipe da peça não a conhecia. Mércia foi uma grande descoberta. Por meio de sua história, a gente entra em contato com personalidades, momentos do Brasil, brasileiros que viveram situações extremas. Essa é a parte mais bonita do teatro, compreender aspectos da nossa vida a partir de outras vivências — conta Andréa.

Andréa Beltrão protagoniza a peça Lady Tempestade, que abre comemoração de 60 anos do Casa Grande — Foto: Divulgação/Nana Moraes

A encenação costura passado e presente ao incluir um áudio real de 2022, com o depoimento de uma mãe que perdeu o filho em uma ação violenta do estado. A escolha, segundo Andréa, reforça que os episódios narrados não pertencem apenas ao passado.

— A grande sacada foi mostrar que essas coisas não aconteceram só naquele período. Elas aconteceram, acontecem e podem voltar a acontecer — afirma.

Apesar da dureza do tema, a peça também revela uma Mércia solar, bem-humorada, ligada às pequenas alegrias da vida. Essas características, para Andréa, ajudam a entender a profundidade de sua atuação política.

— Talvez por saber viver tão bem, ela tenha conseguido ir tão fundo nessa estrada de defender pessoas, muitas vezes sem ganhar nada em troca — pondera.

Construída a partir de um diário, a dramaturgia transforma registros íntimos em experiência cênica. Andréa credita esse caminho à parceria entre Yara de Novaes e Sílvia Gomez: foram elas que encontraram a forma de transformar esse material pessoal em teatro.

Desde a estreia, em 2024, “Lady Tempestade” passou por sete cidades e realizou cerca de 150 apresentações. Ao analisar o sucesso da montagem, Andrea evita explicações fáceis.

— Acho que não existe uma fórmula para o sucesso, ele é inexplicável. Mas o que eu vejo é que a história dessa mulher é realmente impressionante. E a gente quer saber das coisas por meio das histórias, das pessoas que viveram aquelas coisas. Particularidades: quando, quem, onde, quem estava junto? Se tem alguma coisa que a gente poderia chamar de uma breve explicação talvez fosse por meio dela. Até onde ela foi, o que aconteceu com ela depois, porque a gente nunca soube da sua atuação, bem como de outras mulheres e homens. O mistério está aí — reflete.

Encerrando o ciclo no Teatro Casa Grande, a atriz diz não esperar transformações imediatas no público, mas aposta na curiosidade como potência.

— Desejo que as pessoas saiam querendo conhecer Mércia Albuquerque. Talvez alguma coisa quase imperceptível se mova durante uma hora e 15 e, de repente, você passa a olhar a paisagem de outro jeito — completa.

“Lady Tempestade” terá sessões de quinta a sábados, às 20h; e domingos, às 19h. O teatro fica na Avenida Afrânio de Melo Franco 290, loja A. Os ingressos custam de R$ 120 a R$ 200 e podem ser adquiridos na bilheteria ou pelo site do Eventim. Assinantes do GLOBO têm 30% de desconto em até duas entradas.

A temporada teatral na Zona Sul tem oferta variada. Ainda no Casa Grande, também em janeiro, Chay Suede estreia como protagonista em “Peça infantil – A vida e as opiniões do cavalheiro Roobertchay”, espetáculo que acompanha a trajetória de um personagem apresentado como Cavalheiro Roobertchay, em um relato que mistura memórias, versões improváveis e episódios que atravessam sua formação desde antes do nascimento até a vida adulta. Com humor, a peça brinca com a ideia de verdade e invenção ao assumir a forma de um falso documentário, convidando o público a acompanhar as venturas e desventuras do protagonista.

No Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, “Felizarda” prolonga sua temporada no Rio após a boa recepção do público e da crítica, apostando no humor para refletir sobre a lógica da hiperprodutividade e os vazios da comunicação no mundo corporativo. Idealizada por Bella Camero e Louise D’Tuani, a comédia acompanha uma personagem contratada por uma empresa sem saber exatamente para qual função, enquanto tenta sobreviver a um ambiente marcado por neuroses, expectativas irreais e relações cada vez mais desumanizadas. A dramaturgia de Cecília Ripoll constrói um retrato tragicômico de um cotidiano em que trabalho e vida pessoal se confundem, expondo os sintomas psíquicos de uma sociedade obcecada por eficiência.

Com direção de Beatriz Barros, a encenação dissolve as fronteiras entre casa e escritório, apoiada por uma cenografia híbrida e trilha sonora original inspirada no jazz. O elenco reúne Bella Camero, Louise D’Tuani, Felipe Haiut e Sol Menezzes, que interpretam personagens sem nome, reforçando a ideia de substituibilidade no universo corporativo.

Peça "TIP" retorna ao espaço Sérgio Porto, no Humaitá — Foto: Divulgação/Ale Catan
Peça “TIP” retorna ao espaço Sérgio Porto, no Humaitá — Foto: Divulgação/Ale Catan

Já no Espaço Cultural Municipal Sergio Porto, no Humaitá, a peça “TIP (antes que me queimem eu mesma me atiro no fogo)” retorna ao cartaz em janeiro, após o sucesso da temporada de dezembro. Criado e interpretado por Milla Fernandez e dirigido por Rodrigo Portella, o espetáculo parte de um relato de autoficção inspirado na experiência da atriz durante a pandemia, quando encontrou no sexo virtual uma forma de sustento diante da ausência de perspectivas profissionais. Com humor ácido, a peça expõe situações constrangedoras, dolorosas e cômicas vividas no universo do entretenimento adulto, articulando questões como imagem, desejo, fracasso e sobrevivência.

Após realizar cerca de 100 apresentações em 2025, “Simplesmente eu, Clarice Lispector”, protagonizado e dirigido por Beth Goulart, inicia 2026 com nova temporada no Rio de Janeiro. O espetáculo retorna ao Teatro Fashion Mall, em São Conrado, consolidando sua trajetória como um dos maiores sucessos teatrais dedicados à obra da escritora, somando mais de 1,3 milhão de espectadores em quase 300 cidades desde a estreia, em 2009. Em cena, Beth dá voz a Clarice e a personagens femininas emblemáticas de sua literatura, costurando temas como criação, silêncio, solidão e o mistério da existência. Resultado de um longo processo de pesquisa, a montagem propõe uma experiência sensível e intimista, que atravessa diferentes gerações e mantém forte diálogo com o público jovem.

“Djavan – O Musical: Vidas pra Contar” retorna ao Rio em novo palco, celebrando a obra e a trajetória de um dos grandes nomes da música brasileira, no Teatro Claro Mais RJ, em Copacabana. Idealizado por Gustavo Nunes, com direção artística de João Fonseca, o espetáculo percorre momentos marcantes da vida pessoal e artística do cantor e compositor alagoano, tomando sua criação musical como fio condutor da narrativa.

Com cerca de duas horas e meia de duração, a montagem reúne um repertório que atravessa diferentes fases da carreira de Djavan, interpretado por Raphael Elias, acompanhado por um elenco que dá vida a personagens reais e simbólicos de sua história.A montagem tem direção de Felipe Hirsch, que assina a dramaturgia ao lado de Caetano W. Galindo, e direção de arte de Daniela Thomas.

Também no Casa Grande: A Peça “A vida e as opiniões do cavalheiro Roobertchay” estreia no próximo dia 15, no Teatro Casa Grande (Av. Afrânio de Melo Franco, 290-A, Leblon), com apresentações em janeiro às quintas, sextas e sábados, às 20h30, e aos domingos, às 19h30. Classificação: 14 anos. Ingressos à venda na bilheteria oficial do teatro.

Teatro: “Felizarda” segue em cartaz no Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/n, Copacabana), do próximo dia 14 a 6 de fevereiro, com apresentações às quartas, quintas e sextas, às 20h. Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro.

Nova temporada: “TIP” reestreia no próximo dia 16 e segue em cartaz até 8 de fevereiro, no Espaço Cultural Municipal Sergio Porto (Rua Humaitá, 163, Humaitá), com sessões às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) e estão à venda pelo site riocultura.eleventickets.com ou na bilheteria do espaço.

Cena literária: “Simplesmente eu, Clarice Lispector” estreou ontem e fica em cartaz até 1º de março, no Teatro Fashion Mall (Estrada da Gávea, 899, São Conrado), com apresentações às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h. Os ingressos custam R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia), com vendas pela bilheteria do teatro e pelo Sympla.

Musical: “Djavan – O Musical: Vidas pra Contar” estreia na próxima quinta-feira e segue em cartaz até 8 de fevereiro, no Teatro Claro Mais RJ, no Shopping Rio Sul (Rua Siqueira Campos, 143, Copacabana), com sessões de quinta e sexta, às 20h; sábados, às 16h30 e 20h30; e domingos, às 18h. Os ingressos custam a partir de R$ 19,80 e podem ser adquiridos pelo site da Uhuu ou na bilheteria do teatro.

[Fonte Original]

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