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terça-feira, janeiro 27, 2026

O que se diz sobre o suicídio de crianças – e o que não se escuta? – Revista Cult

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Capa do livro “O menino marrom” (1986), de Ziraldo. Reprodução


Em 2024, a Secretaria de Educação do município de Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais, vetou o uso do livro O menino marrom, de Ziraldo, nas suas escolas. Representados por um pastor filiado a um partido de extrema direita, pais de alunos manifestaram revolta e preocupação com uma cena em que os protagonistas decidem selar um “pacto de sangue” usando uma faca para furar os pulsos. Segundo os protestos, o livro abordaria de maneira leviana e imprópria um episódio de automutilação e comportamento suicida em crianças.

A obra, publicada originalmente em 1986, conta a história da amizade entre um menino cor-de-rosa e outro marrom. Suas diferenças (de classe, de raça e, consequentemente, de experiências de vida) marcam diversas passagens. Em determinado momento, os meninos desejam eternizar a amizade através do tal “pacto de sangue”: a princípio, pegam uma faca, decididos a fazer um furo nos pulsos, mas paralisam de medo. Um deles sugere usar uma agulha e furar apenas a ponta do dedo. Com a agulha em mãos, eles não têm coragem de seguir com o plano – e logo encontram uma solução: usar tinta vermelha. Na falta de tinta vermelha, recorrem à tinta azul que localizam na gaveta. Com garatujas, assinam seus nomes no papel:

“Estávamos fazendo um pacto de sangue azul”.

“Amigos eternos, Milord!”.

“Fiéis para sempre, Alteza!”.

A cena é brilhante. Da tentativa de reprodução de um expediente social adulto (o pacto) à inventividade e à espontaneidade da solução infantil (a tinta), vemos os meninos celebrarem a amizade que

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