27.5 C
Brasília
sexta-feira, janeiro 9, 2026

Dólar à vista interrompe rali do real com alta tímida em dia de correção

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

O dólar à vista registrou leve valorização frente ao real nesta quarta-feira, interrompendo o rali de quatro sessões da moeda brasileira. A ausência de um gatilho para a formação de preço do câmbio hoje, seja pelo noticiário ou por indicadores econômicos, levou o investidor a corrigir parte do movimento recente, ainda que operadores e economistas vejam margem para o real voltar a se valorizar nos próximos pregões. Hoje, a moeda americana exibiu apreciação na maioria dos mercados mais líquidos.

Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar comercial registrou apreciação de 0,12%, aos R$ 5,3858, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,3690 e encostado na máxima de R$ 5,4011. Já o euro comercial exibiu alta de 0,04%, a R$ 6,2915. Perto das 17h10, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,11%, aos 98,684 pontos.

Após abrir a sessão em estabilidade, o dólar passou a subir ainda pela manhã em um movimento de correção frente à forte queda da moeda americana observada do dia 30 de dezembro até ontem. No período, divisa saiu de R$ 5,57 para R$ 5,37, o que motivou ajustes de posições e realização de lucros no pregão de hoje. Outro motivo que pode ter ajudado a pressionar o real foi a afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Venezuela enviará de 30 milhões a 50 milhões de barris de petróleo sancionado aos EUA, o que pressionou os preços da commodity e, consequentemente, as moedas de países exportadores de petróleo.

No caso da seara geopolítica, o banco ING avalia que os mercados fazem vista grossa aos desdobramentos das tensões, tanto na Venezuela, quanto na Groenlândia, e isso deve se manter assim. “A menos que os EUA intensifiquem ameaças sobre a Groenlândia ou intervenham novamente na Venezuela, os mercados devem voltar a se concentrar nos dados econômicos na segunda metade da semana”, afirma o estrategista Francesco Pesole, do ING.

Já para a economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, por enquanto, não houve uma escalada nas tensões a ponto de afetar a formação de preços dos ativos. “Os países [militarmente] mais fortes, sejam a China, a Rússia, os países da União Europeia, fizeram apenas manifestações de descontentamento, mas sem movimentos de enfrentamento direto. Se não há isso, então não há uma escalada nas tensões”, afirma. “No caso do petróleo, os impactos devem ocorrer no médio e longo prazo. No curto prazo, são irrisórios. Tem toda uma cadeia que precisa ser alterada, como aumento de produção, inserção desses barris no mercado. Não é algo que ocorra repentinamente.”

A economista da CM diz ver espaço para o dólar continuar perdendo força globalmente neste ano, especialmente no primeiro semestre. Sua leitura é que a economia americana tende a perder mais tração, enquanto os efeitos das sobretaxas americanas devem suavizar. “Essa dinâmica das tarifas precisa encontrar um consumo acentuado internamente [para fazer uma pressão inflacionária relevante], e para isso você precisa de salários elevados e taxa de desemprego baixa, e não é o que estamos vendo.” Essa conjuntura, na visão da CM, criará espaço para que o Federal Reserve (Fed) faça mais cortes nas taxas de juros do que já está precificado pelo mercado.

Ainda que o real se beneficie dessa dinâmica global do dólar e o câmbio brasileiro se oriente principalmente por isso, a casa enxerga que no segundo semestre, com a maior volatilidade por conta das eleições e com o Banco Central cortando juros, a moeda brasileira fique mais enfraquecida, o que deve se refletir na taxa. Para o fim deste ano, a CM Capital projeta o dólar a R$ 5,40, mas a economista reconhece a dificuldade de fazer uma estimativa de câmbio em especial em ano eleitoral. “Os ‘inputs’ [dados] que colocamos nos nossos modelos são exclusivamente macroeconômicos. Mas temos uma certeza: vamos errar o câmbio”, diz. “Isso porque, se a situação se mantiver no poder, o nível do dólar vai ser mais alto do que minha projeção, da mesma forma que se a oposição vencer, o nível vai ser mais baixo do que estamos estimando.”

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img