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terça-feira, janeiro 27, 2026

As árvores longevas de Adélia Prado – Revista Cult

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Com 90 anos completados em dezembro, Adélia Prado segue cultivando poemas com vigor e a boa mão de quem sabe cavar, regar e esperar o tempo certo das coisas. Depois da publicação de seu último livro, a coletânea de poemas Miserere (2013), do lançamento de sua Poesia reunida (2015) e de ter sido galardoada com o Prêmio Machado de Assis e o Prêmio Camões (este último um dos mais consagrados da língua portuguesa), Adélia Prado traz a público O jardim das oliveiras, uma reunião de 105 poemas inéditos, alguns dos quais escritos entre os anos 1960 e 1980, e outros mais recentes – também incluídos na seleção.

Forjadas em “pó de carvão de lágrimas”, as memórias da poeta mineira constituem uma seleção consistente, cujo eixo parece girar ao redor do assunto tempo. Já no poema que abre o livro, tem-se a imagem que confunde a sequência temporal linear: Assim, sem mais,/ me pesam os olhos/ saudosos de um futuro/ que não acontece. Aqui, a ação dos olhos que se fecham ganha diferentes nuances que perturbam a percepção dessa passagem: não se sabe se a cena ocorre num brevíssimo bater de pálpebra ou se é lenta, quem sabe eterna – se considerarmos a possibilidade de um narrador já morto. Embora a imagem imprima certa nostalgia de um futuro, a cena se dá no presente imediato (ou talvez em um espaço sem tempo, no qual, ao modo rosiano, nada acontece) e que se espanta ao indagar: O que aconteceu? Para concluir com a invocação divina: maranata!

Esse poema, de título “Pange lingua”, faz referência ao verso Pange lingua glorio

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[Fonte Original]

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