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terça-feira, janeiro 13, 2026

Pix e stablecoins disputam protagonismo nos pagamentos da América Latina

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Resumo da notícia

  • Pagamentos em tempo real como o Pix devem ultrapassar 575 bilhões de transações globais até 2028, impulsionando inclusão financeira na América Latina.

  • Stablecoins dobraram de circulação em 18 meses e avançam ao reduzir custos de remessas, prazos de liquidação e riscos cambiais.

  • Especialistas apontam que o futuro dos pagamentos será híbrido, combinando trilhos instantâneos locais e moedas digitais globais.

À medida que as tecnologias de pagamento digital tomam conta dos pagamentos cotidianos, cresce a disputa por protagonismo no setor, com os pagamentos em tempo real, como o Pix no Brasil, e stablecoins estão no centro dessa discussão, é o que aponta a ACI Worldwide, identificando que as duas forças estão impulsionando o crescimento econômico e acelerando a inclusão financeira na América Latina.

Quanto aos pagamentos em tempo real, dados recentes mostram a forte tração da modalidade na região. De acordo com o relatório Prime Time for Real-Time, da ACI, transações globais desse tipo devem ultrapassar 575 bilhões de pagamentos até 2028, o que representa mais de um quarto de todas as transações eletrônicas globais.

Além da velocidade e eficiência, os pagamentos instantâneos também têm impacto direto em indicadores sociais e econômicos. Um estudo conjunto da ACI com o Centre for Economics and Business Research (Cebr) aponta que a sua adoção está empiricamente ligada ao avanço da inclusão financeira, especialmente entre jovens, mulheres e grupos de baixa renda.

Em cinco mercados emergentes-chave, incluindo Brasil, esses sistemas podem gerar até US$ 199,7 bilhões em benefícios econômicos, também até 2028.

Stablecoins

Paralelamente a esse crescimento, de acordo com a empresa, as stablecoins vêm ganhando espaço por atacarem gargalos estruturais especialmente relevantes na região: taxas de remessas acima de 5%, prazos de liquidação que podem levar dias e a forte volatilidade cambial, que corrói o poder de compra. Stablecoins são ativos digitais projetados para manter valor estável, lastreados em moedas soberanas ou outros tipos de colateral, reduzindo volatilidade e oferecendo mais previsibilidade para transações digitais.

Segundo pesquisa recente da McKinsey, a circulação desses ativos digitais dobrou nos últimos 18 meses. O marco é impulsionado também por avanços regulatórios nos EUA e na Europa, que ajudam a legitimar o uso de stablecoins e aproximá-las do mercado mainstream.

“As stablecoins estão avançando rapidamente, deixando de ser uma possibilidade periférica para entrar no uso cotidiano. Elas prosperam onde resolvem problemas reais, especialmente em regiões com moedas instáveis ou infraestrutura financeira mais limitada, como a América Latina”, afirma Vlademir Santos, Head no Brasil da ACI Worldwide.

Apesar disso, os desafios persistem. Stablecoins ainda enfrentam questões de interoperabilidade, incertezas regulatórias e dificuldades de integração com sistemas domésticos. A sua adoção em escala dependerá de desenvolvimento colaborativo de infraestrutura e da capacidade de incorporá-las com segurança aos frameworks de pagamento já existentes, segundo o especialista.

“Na América Latina, a competição entre pagamentos em tempo real e moedas digitais está apenas começando e pode transformar o jeito como o dinheiro circula dentro dos países e entre fronteiras. Na ACI, vemos uma demanda crescente por infraestrutura capaz de suportar essa inovação, ao mesmo tempo em que as empresas enfrentam desafios operacionais reais”, diz Santos.

Dada a complexidade do ambiente de pagamentos de hoje, com múltiplos trilhos, formatos e novos players convivendo, a capacidade de orquestrar transações entre métodos tradicionais e emergentes torna-se essencial.

“O futuro dos pagamentos não é sobre eleger um único vencedor. É sobre garantir estabilidade, confiabilidade e, acima de tudo, escolha. A América Latina está muito bem posicionada para capturar as oportunidades dessa transformação, em especial o Brasil, que possui tradição em inovação no sistema financeiro e serve como exemplo para outras nações ao redor do mundo”, conclui o executivo.

Stablecoins ameaçam o sistema?

Na mesma linha de Santos, Rocelo Lopes, CEO da Iniciativa Global de Stablecoins da Rezolve AI, destaca que as stablecoins não ameaçam o sistema, mas fazer parte de uma evolução dele.

“As stablecoins ampliam o acesso ao sistema financeiro global, reduzem fricções, eliminam intermediários desnecessários e devolvem ao indivíduo o controle sobre o próprio dinheiro. Elas permitem inclusão financeira sem exigir que o usuário entregue todos os seus dados a estruturas altamente centralizadas.”

O executivo destaca ainda que, diferentemente do dinheiro físico, stablecoins são rastreáveis e programáveis, o que amplia a transparência e a capacidade de combate a fraudes. “Stablecoins podem ser monitoradas, congeladas em casos de ilícitos e integradas a sistemas de compliance de forma muito mais eficiente do que o dinheiro tradicional.”

Na avaliação de Lopes, países já dolarizados poderiam se beneficiar ainda mais ao substituir a logística física do dólar por stablecoins lastreadas na moeda americana. “Isso reduz custos operacionais, elimina riscos logísticos e aumenta a eficiência do sistema como um todo.”

Ele reconhece que parte da resistência vem de modelos de negócios ameaçados. “Bancos que dependem fortemente de wire transfers e pagamentos internacionais tradicionais tendem a enxergar as stablecoins como concorrência direta. É natural que haja desconforto quando uma nova tecnologia reduz receitas estabelecidas.”

Para Lopes, o caminho não é barrar a inovação, mas participar dela. “Meu conselho aos bancos e instituições que veem apenas o lado negativo é simples: olhem para a outra face da moeda. A integração das stablecoins ao sistema financeiro tradicional é inevitável. Não conseguimos mais imaginar o futuro das finanças globais sem elas.”

O executivo conclui ressaltando que até governos começam a enxergar as vantagens do modelo. “Os Estados Unidos, por exemplo, já perceberam que stablecoins são uma forma mais eficiente, barata e segura de exportar o dólar globalmente. A globalização financeira que vivemos hoje só é possível graças às stablecoins.”

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[Fonte Original]

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