As expectativas dos operadores em títulos de dívida foram reforçadas pela possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) baixar as taxas de juros até meados do ano em função de uma leitura de inflação nos Estados Unidos mais fraca do que o esperado.
Os swaps de juros mostraram que operadores não viam nenhuma chance de o Fed reduzir as taxas na reunião de política monetária ainda neste mês, embora tenham precificado totalmente uma redução até junho.
Os dados da inflação apresentaram um “quadro misto” e “o Fed terá que analisar isso”, disse à Bloomberg TV Tiffany Wilding, economista da Pacific Investment Management. “Após cortes de 75 pontos-base [0,75 ponto percentual] nas últimas três reuniões”, as autoridades do Fed “estão bastante confortáveis em fazer uma pausa aqui”, afirmou.
A divulgação dos dados de inflação nesta terça-feira (13) marca um retorno a uma maior normalidade após a prolongada paralisação do governo dos EUA, no ano passado, ter distorcido as leituras de outubro e novembro. O núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), que exclui as categorias frequentemente voláteis de alimentos e energia, avançou 0,2% em relação a novembro, comparado à previsão mediana dos economistas de 0,3%. Em uma base anual, avançou 2,6%, igualando a mínima em quatro anos.
O relatório oferece evidências de que a inflação está em trajetória de queda, reforçando as expectativas de que o Fed possa reduzir ainda mais as taxas de juros este ano. Após três cortes realizados pelo banco central americano desde setembro, operadores veem a próxima redução até junho, com outra a seguir no quarto trimestre.
“Nossa avaliação era de que, como a inflação ficou em segundo plano em relação aos números de emprego, era improvável que os dados de hoje alterassem a precificação de uma pausa do Fed em janeiro. Essa parece ser a resposta do mercado”, escreveu Ian Lyngen, chefe de estratégia de juros dos EUA do BMO.
A perspectiva para cortes nos juros pelo Fed neste ano tem sido controversa para os padrões recentes, porque a inflação permanece acima da meta de 2% do banco central, apesar de alguns sinais de fragilidade no mercado de trabalho. Duas autoridades do Fed divergiram do corte de dezembro, e defenderam nenhuma ação, enquanto um defendeu uma redução ainda maior.
Depois que dados de sexta-feira mostraram uma queda inesperada da taxa de desemprego dos EUA em dezembro, vários grandes bancos de Wall Street — incluindo o Morgan Stanley, o Barclays e o Citigroup — adiaram suas previsões de cortes da taxa de juros pelo Fed para mais tarde em 2026. Estrategistas e economistas do J.P. Morgan, por sua vez, disseram que não esperam mais um corte neste ano e veem uma alta do juro no próximo ano.
Nesta terça-feira, os rendimentos dos Treasuries com vencimento em dois anos, estavam em torno de 3,55%, o nível mais alto em várias semanas, antes da divulgação do relatório de inflação. As notas de curto prazo, que são as mais sensíveis à política monetária, registraram uma breve alta nesta terça-feira, logo após a divulgação do relatório, com os rendimentos das notas de dois- e cinco anos em recuo de cerca de 3 pontos base.