O crescimento do emprego formal melhorou a percepção do trabalhador brasileiro sobre a proteção social em caso de demissão. É o que aponta a Sondagem do Mercado de Trabalho do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), divulgada nesta quinta-feira (15).
O estudo, com dados do trimestre encerrado em dezembro de 2025, indica que 36,26% dos entrevistados afirmaram que se sentem seguros em termos de proteção social na eventual perda de trabalho. É a primeira vez que essa parcela é a mais assinalada pelos respondentes desde o início da pesquisa, em junho de 2025. Naquele mês, o percentual foi de 28%.
No sentido oposto, a parcela que se considera muito desprotegida registrou o menor nível e caiu de 32,3%, em junho de 2025, para 30,4%, em dezembro de 2025. O restante dos respondentes, 33,4%, afirmou que se sente parcialmente desprotegido.
O saldo entre as duas extremidades (proporção de pessoas que se sentem protegidas menos a proporção daquelas que se sentem muito desprotegidas) caiu de -4,8 pontos, em agosto, para -5,7 pontos percentuais, em dezembro.
O economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, diz que o resultado tem relação com o mercado de trabalho aquecido. A taxa de desocupação encerrou 2025 no menor nível da série histórica, com avanço dos empregos formais.
A taxa de desemprego está muito baixa em termos históricos, e houve um crescimento de população ocupada muito positivo em 2025, segundo destaca ele. “Foi um crescimento puxado pelo emprego formal, que são [empregos] associados a maior proteção, com benefícios sociais”, afirmou.
Informalidade ainda representa boa parte dos empregos
Tobler ressaltou que, apesar de estar caindo, a informalidade ainda representa boa parte dos empregos no país – a taxa foi de 37,7% no trimestre encerrado em novembro de 2025, segundo a Pnad Contínua do IBGE, o que representa cerca de 40 milhões de trabalhadores.
Segundo Tobler, o perfil do mercado de trabalho impede que a percepção de proteção social seja maior. Na avaliação do pesquisador, essa é uma das questões estruturais do cenário brasileiro que precisam ser aprimoradas.
“Por mais que a gente tenha uma evolução positiva, de que a informalidade está caindo, até porque o emprego formal cresceu, estruturalmente, a gente tem uma taxa de informalidade muito elevada no país. É difícil que mais pessoas se sintam protegidas porque a gente ainda tem uma questão de vulnerabilidade no mercado de trabalho”, disse.
De acordo com o economista, os entrevistados se mostraram levemente mais otimistas sobre o mercado de trabalho em 2026. As respostas, avalia, têm relação com a perspectiva de queda das taxas de juros e a interpretação de que podem potencializar o mercado de trabalho.
Ele reconhece, no entanto, que pode haver influência de efeitos sazonais, como pagamento do 13º salário e a contratação de trabalhadores temporários no fim do ano.