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domingo, janeiro 18, 2026

Disputa entre China e EUA exige nova estratégia do Brasil

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A nova doutrina geopolítica de Donald Trump impõe desafio não trivial à diplomacia brasileira. A captura do ex-ditador Nicolás Maduro pelos americanos e a intenção declarada de Trump de assumir o controle do petróleo venezuelano deixaram claro para a América Latina que a reedição da Doutrina Monroe com seu Corolário Trump não é bravata.

Enquanto os Estados Unidos mantinham distância do continente, a China aproveitou para fincar raízes. Passou a financiar projetos de infraestrutura, a erguer fábricas e a firmar parcerias em setores estratégicos, como energia, mineração ou agronegócio. Agora, o Itamaraty será testado na defesa dos laços brasileiros com a China, maior parceiro comercial brasileiro, mas também na negociação de termos vantajosos na maior aproximação com Washington.

Será preciso desenvolver uma estratégia que leve em conta várias questões. O Brasil conta com a segunda maior reserva mundial de terras-raras e outros minérios críticos para a transição energética. A economia brasileira apresenta alto grau de digitalização, que torna o país mercado crucial para o desenvolvimento de tecnologias como a telefonia celular de sexta geração (6G) ou a inteligência artificial (IA). Em todas essas áreas, há um conflito latente entre os interesses chineses e americanos, que será preciso saber mediar em favor do Brasil.

O país aproveitou a aproximação com a China apostando num mundo multipolar — ela se tornou o maior importador da soja brasileira, mercado em que o principal concorrente são os Estados Unidos. Esse quadro começou a ser abalado a partir da negociação entre chineses e americanos depois do tarifaço de Trump — os Estados Unidos exigiram da China prioridade à soja americana. Caso situações desse tipo se repitam no futuro, será difícil para o Brasil fazer valer seus interesses diante de países com muito mais poder.

Outra preocupação da diplomacia deve ser melhorar a qualidade das transações comerciais. No relacionamento com a China, o Brasil basicamente exporta matérias-primas e importa manufaturados. A pauta do comércio com os Estados Unidos é mais diversificada, com mais industrializados nas exportações brasileiras. O recuo de Trump na imposição de tarifas ainda não contemplou boa parte desses produtos. Ainda é possível alcançar resultados mais satisfatórios com negociações bem conduzidas.

A estratégia brasileira deve se estender a minerais cobiçados, como terras-raras. O Brasil engatinha na exploração de suas reservas, e seria frustrante converter-se em mero fornecedor primário. Deveria aproveitar o momento para atrair refino e beneficiamento desses minérios, absorvendo a tecnologia hoje controlada pelos chineses.

O mesmo objetivo deve ser almejado na atração de data centers para processamento dos dados necessários ao funcionamento dos sistemas de IA. Há interesse em localizá-los no Brasil, em razão da matriz energética limpa (tais centrais são consumidores vorazes de eletricidade). Novamente, o país precisará saber aproveitar a oportunidade para desenvolver recursos humanos e incorporar tecnologia dos americanos.

Não será fácil redefinir o ponto de equilíbrio entre Washington e Pequim. Mas um fato deve ser evidente: a pior forma de atingi-lo é guiar as decisões diplomáticas por preferências ideológicas. Se fizer isso, alinhando-se a um dos polos, o Brasil só terá a perder.

[Fonte Original]

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