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domingo, janeiro 18, 2026

Como Ela Criou uma Startup de Saúde de US$ 1,7 Bi Atendendo Mães

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Divulgação/Pomelo Care

Em 2021, ela fundou a Pomelo Care para melhorar o cuidado com a saúde materna e infantil

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Antes de se tornar mãe, Marta Bralic Kerns trabalhou na área da saúde tanto como executiva quanto como consultora, tentando usar dados para melhorar o atendimento médico. Mas, apesar de conhecer profundamente os problemas do setor, o nascimento de sua filha ainda foi uma experiência chocante.

Ela tinha acesso a bons médicos e a um plano de saúde de qualidade, mas o cuidado materno parecia desorganizado. Nada era personalizado. Seus médicos quase não usavam dados para orientar o tratamento. Ela teve dificuldade para encontrar orientações confiáveis sobre como poderia ter o bebê mais saudável possível. “Aquilo foi um contraste enorme com tudo em que eu trabalhava na área da saúde”, contou à Forbes.

Foi então que Marta começou a fazer perguntas a obstetras e especialistas em medicina fetal. Ela descobriu que um em cada dez bebês é internado em uma unidade de terapia intensiva neonatal – um número muito maior do que imaginava. Muitas dessas internações acontecem por fatores de risco como a pré-eclâmpsia, uma complicação que causa pressão alta persistente e que poderia ter sido identificada e tratada mais cedo durante a gestação.

Com sua experiência como consultora nos benefícios do programa Medicaid dos EUA, que oferece cobertura de saúde para pessoas de baixa renda, e como uma das primeiras executivas da Flatiron Health – empresa que usava dados para melhorar o tratamento do câncer –, ela decidiu que poderia fazer melhor.

Em 2021, fundou a Pomelo Care para resolver um dos problemas mais difíceis do sistema de saúde dos Estados Unidos: como melhorar o cuidado materno e infantil para pacientes cobertos pelo Medicaid, um público notoriamente difícil de atender devido a condições crônicas, falta de acompanhamento médico contínuo e, muitas vezes, instabilidades financeiras e de vida.

Hoje, a Pomelo também trabalha com planos de saúde privados. Atualmente, a startup cobre 25 milhões de pessoas e afirma dar suporte a quase 7% de todos os nascimentos nos EUA. A empresa trabalha com grandes seguradoras, como UnitedHealthcare e Elevance, além de planos corporativos de grandes empregadores, como a Koch Inc.

Com sede em Nova York, a Pomelo – nome inspirado na fruta grande e cítrica de casca grossa e protetora – oferece atendimento virtual 24 horas por dia, sete dias por semana, usando dados para identificar riscos na gravidez e monitorar continuamente possíveis complicações.

Por exemplo, uma dose baixa de aspirina pode reduzir em 25% o risco de pré-eclâmpsia – uma solução barata para um problema que pode resultar em uma internação longa, cara e traumática. Mas isso exige identificar precocemente as pacientes em risco. Todo o atendimento é totalmente coberto pelo plano de saúde e gratuito para as pacientes.

As seguradoras estão dispostas a cobrir a Pomelo por causa do potencial de redução de custos. As internações em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal são especialmente caras, somando mais de US$ 25 bilhões por ano. De acordo com dados apresentados no ano passado pela empresa à Society for Maternal-Fetal Medicine e à International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research, o programa da Pomelo reduziu em 15% os custos totais de atendimento de pacientes do Medicaid, com queda de 46% nas visitas ao pronto-socorro e redução de 58% nas internações em UTI neonatal.

“Criamos um modelo de cuidado para identificar quem está em risco de complicações na gravidez e, então, oferecer o melhor atendimento baseado em evidências disponível”, diz Marta, de 35 anos. “As seguradoras vêm lutando com esse problema há muito tempo.”

A empreendedora acaba de levantar US$ 92 milhões em uma rodada liderada pelo fundo de venture capital Stripes, avaliando a startup em US$ 1,7 bilhão. Isso representa mais que o triplo da avaliação anterior, de US$ 500 milhões, registrada em junho de 2024, segundo a base de dados de capital de risco PitchBook. Andreessen Horowitz, Box Group e outros investidores também participaram da rodada. Com os novos recursos, ela planeja expandir o modelo de atendimento virtual para mulheres em todas as fases da vida, incluindo mulheres na pós-menopausa e também crianças.

“Ela é extremamente disciplinada”, afirmou Ron Shah, sócio da Stripes que liderou a rodada. Ele acompanha a empreendedora desde seus tempos na empresa de saúde Flatiron (onde a Stripes também era investidora).

Segundo ele, a startup supera consistentemente suas metas em indicadores como despesas operacionais e consumo de caixa. A nova avaliação “é um salto grande, mas, se você olhar para os resultados operacionais da empresa, ela está muito maior, gerando muito mais receita, com muito mais tração e uma visão muito mais clara de como serão 2026 e 2027”, disse Shah. A Pomelo se recusou a divulgar sua receita anual.

A trajetória da fundadora da Pomelo

Formada em governo e ciência da computação pela Universidade Harvard, Marta teve um contato precoce com as complexidades do cuidado materno quando atuava como consultora na McKinsey.

Em 2014, ela se juntou à empresa de tecnologia em saúde Flatiron Health, fundada por Nat Turner e Zach Weinberg para usar dados na melhoria do tratamento do câncer. A farmacêutica Roche comprou a companhia por US$ 1,9 bilhão em 2018.

Enquanto trabalhava lá, Marta engravidou de sua filha, hoje com seis anos, e teve a epifania que a levou a criar a Pomelo Care. Ela deixou a empresa em 2021. Turner e Weinberg estiveram entre seus primeiros apoiadores, investindo no negócio e apresentando-a a fundos de venture capital. “Havia quatro ou cinco funcionários da Flatiron que, se abrissem uma empresa de queijo quente, eu colocaria dinheiro”, disse Turner. “A Marta está nesse pequeno grupo.”

Ao se aprofundar nos dados sobre cuidado materno, ela aprendeu que pequenas mudanças na prevenção podem ter grandes impactos tanto na saúde de mães e bebês quanto nos custos. “Você não precisa fazer uma mudança gigantesca”, afirma. “É um caso clássico na saúde em que prevenir um pouco vale muito mais do que remediar depois.”

Ela mesma viu essa diferença na prática. Durante sua primeira gravidez, com 39 semanas, testou positivo para um tipo de estreptococo, um gênero de bactérias, e seus médicos recomendaram que fosse ao hospital para tomar antibióticos e induzir o parto. Já na segunda gestação, quando recebeu acompanhamento pela Pomelo, aprendeu que a melhor solução, baseada em evidências, era esperar o trabalho de parto começar naturalmente e receber os antibióticos naquele momento – exatamente o que fez.

Ao começar a conversar com seguradoras, Marta percebeu que elas não apenas estavam receptivas, mas quase desesperadas por uma solução. “As seguradoras vêm lutando com esse problema há muito tempo”, diz. “Tínhamos uma parte do nosso PowerPoint em que falávamos sobre o problema. Em menos de dez minutos, as pessoas diziam: ‘Eu sei, eu sei, pode ir direto para a solução.’”

Ela acredita que a mesma abordagem orientada por dados e baseada em atendimento virtual pode funcionar para mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa, ao identificar, por exemplo, aquelas que poderiam se beneficiar da terapia de reposição hormonal. “Seja durante os anos reprodutivos e criando filhos, ou na meia-idade e começando a envelhecer, as mulheres não estão recebendo cuidado preventivo. Está muito claro que existe uma grande oportunidade aí.”

*Amy Feldman é editora sênior da Forbes, baseada em Nova York, onde cobre a área de saúde. É formada em jornalismo pela Northwestern University e tem mestrado em relações internacionais pela Columbia University.



[Fonte Original]

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