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segunda-feira, janeiro 19, 2026

FMI revisa para cima previsão de crescimento global para 2026

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A economia global deve crescer mais do que o inicialmente previsto em 2026, puxada por um “boom” de investimentos em tecnologia, especialmente focados na inteligência artificial (IA), que estão compensando o choque tarifário de Donald Trump. É o que prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” (WEO), divulgado nesta segunda-feira (19).

Economistas do FMI agora preveem um crescimento de 3,3% do PIB global neste ano – alta de 0,2 ponto percentual em relação ao último relatório de outubro -, o mesmo ritmo de expansão esperado para 2025. Fora os investimentos em tecnologia, as políticas fiscal e monetária dos países, as condições financeiras favoráveis e a adaptabilidade do setor privado ao cenário de incertezas foram fatores que motivaram a leve revisão para cima das previsões. Para 2027, a previsão foi mantida em 3,2%.

No entanto, os riscos continuam presentes no horizonte de curto prazo. O FMI destaca que as tensões comerciais arrefeceram nos últimos meses e destaca a extensão da trégua tarifária entre Estados Unidos e China, acertada em novembro. No entanto, a incerteza pode voltar a crescer com as novas ameaças de Trump de taxar países que fazem negócios da Irã e os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental), pressionados a negociarem a cessão da Groenlândia.

Outra ameaça é uma revisão das expectativas em relação à produtividade associada à IA, que poderia levar a uma queda nos investimentos, desencadear uma onda de correção nos mercados financeiros e se espalhar para empresas além do setor de tecnologia, diz o FMI. Por outro lado, a atividade econômica poderia se acelerar ainda mais caso a rápida adoção da IA se traduza em ganhos de produtividade e um maior dinamismo empresarial, segundo o relatório.

Também seguem no radar as tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio e na Ucrânia, conforme os economistas do FMI, que poderiam causar choques negativos de oferta e afetar as cadeias globais de suprimentos. O relatório também cita a Ásia e a América Latina, embora não mencione a recente captura pelos EUA do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação militar em Caracas.

“O crescimento global deve permanecer estável, com o impulso nos setores de alta tecnologia tendendo a desacelerar, mas ainda assim continuando a compensar parcialmente a perda de dinamismo em outras áreas”, diz o FMI no relatório. “Embora se projete que as tarifas e incertezas continuem a pesar sobre o nível de atividade, espera-se que seu impacto sobre o crescimento diminua ao longo de 2026 e 2027.”

Parte da revisão para cima nas perspectivas para a economia global decorre dos EUA, que, junto com a Ásia, concentra a maior parte dos investimentos em IA. Segundo o relatório, o PIB americano crescerá 2,4% em 2026, 0,3 ponto percentual a mais do que o previsto em outubro e do que a estimativa para o ano passado (2,1%). Para 2027, o FMI prevê expansão de 2%, com o impulso fiscal dado pela “lei grande e bela” de Trump e a expectativa de taxas de juros mais baixas compensando uma desaceleração dos investimentos em tecnologia, os efeitos da menor imigração sobre o mercado de trabalho e a moderação do consumo.

Na zona do euro, o crescimento deve se manter estável em 1,3% em 2026 – alta de 0,1 ponto em relação à previsão anterior – e acelerar levemente para 1,4% em 2027. A perspectiva melhor para o próximo ano reflete, segundo o FMI, aumentos nos gastos públicos, notavelmente na Alemanha, e fortes resultados na Irlanda e na Espanha.

Já a economia da China deve crescer 4,5% em 2026, uma alta de 0,3 ponto percentual ante a previsão anterior, impulsionada em parte pela trégua tarifária com os EUA e pelos estímulos fiscais que devem ser implementados pelo governo de Xi Jinping para ao longo dos próximos dois anos. No entanto, o FMI prevê uma desaceleração para 4% em 2027, à medida que ventos contrários de natureza estrutural pesem sobre a atividade.

Para as economias da América Latina e do Caribe, o FMI prevê uma desaceleração do crescimento neste ano, para 2,2% (corte de 0,1 ponto em relação a outubro) e uma recuperação, com avanço de 2,7%. O México, segunda maior economia regional, teve suas previsões praticamente mantidas – 1,5% em 2026 e 2,1% em 2027 -, assim como a Argentina, que deverá crescer 4% neste ano e no próximo, conforme a nova edição do WEO.

O FMI também revisou as previsões para o Brasil, mas não detalhou as novas estimativas. Para 2026, a expectativa é que o PIB brasileiro desacelere para 1,6%, uma revisão para baixo de 0,3 ponto percentual, após crescimento projetado de 2,5% no ano passado. Para 2027, a previsão é de recuperação, para 2,1% – alta de 0,1 ponto em relação ao relatório de outubro.

Os economistas do FMI destacam que as previsões consideram que as políticas comerciais em vigor no final de dezembro, quando o relatório foi concluído, sejam permanentes. pelos cálculos da entidade, a tarifa efetiva cobrada pelos EUA no final do ano passado chegou a 18,5%, levemente menor que os 18,7% do WEO de outubro, com os recuos de Trump sobre as taxas de produtos agrícolas da maior parte dos países, entre eles o Brasil. Já a tarifa efetiva do resto do mundo permaneceu inalterada em 3,5%.

Diante deste cenário, o Fundo estima que o comércio global deve desacelerar neste ano. A previsão é que o volume comercializado caia 2,6% em 2026, ante 4,1% em 2025, e depois acelere para 3,1% em 2027. O relatório destaca que os números destacaram padrões de antecipação de operações comerciais, como ocorreu no ano passado diante da expectativa das tarifas de Trump, e ajustes nos fluxos em resposta às novas políticas.

Apesar das tarifas, o FMI estima que a inflação global continuará em trajetória de queda, recuando para 3,8% em 2026 e 3,4% em 2024, previsões praticamente inalteradas em relação a outubro, graças à tendência de preços mais baixos da energia e de enfraquecimento da demanda.

Logo do Fundo Monetário Internacional (FMI) na sede da entidade, em Washington — Foto: Benoit Tessier/Reuters

[Fonte Original]

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