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“Não seremos subservientes a iniciativas hegemônicas”, diz ainda.
O título do artigo de Lula é: “Este hemisfério pertence a todos nós”. O presidente brasileiro escreve que “ano após ano, as grandes potências intensificam os ataques à autoridade das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança”.
“Quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser a exceção e se torna a regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas.”
Ele afirma que é “particularmente preocupante” que tais práticas estejam sendo aplicadas na América Latina e no Caribe.
“Elas trazem violência e instabilidade a uma parte do mundo que luta pela paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição do uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos”, diz.
“A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. Temos nossos próprios interesses e sonhos a defender. Em um mundo multipolar, nenhum país deveria ter suas relações exteriores questionadas por buscar a universalidade.”
“Não seremos subservientes a iniciativas hegemônicas. Construir uma região próspera, pacífica e pluralista é a única doutrina que nos convém.”
Lula afirma que “em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos EUA, embora as forças americanas já tenham intervindo na região anteriormente”.
O presidente brasileiro diz que a “história mostrou” que o uso da força não deixa os países mais próximos de atingir metas como o combate à fome, pobreza, tráfico de drogas e mudanças climáticas.
“É crucial que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências sejam, não podem depender simplesmente do medo e da coerção”, escreve Lula.
Ele defende um processo político “inclusivo e liderado por venezuelanos” para construção de um futuro democrático e sustentável.
“É nesse espírito que meu governo tem se engajado em um diálogo construtivo com os EUA. Somos as duas democracias mais populosas do continente americano. Nós, no Brasil, estamos convencidos de que unir nossos esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir. Somente juntos poderemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”, conclui o presidente brasileiro.
Gaza
O convite foi recebido pelo brasileiro por meio da Embaixada do Brasil em Washington e confirmado pelo Itamaraty na semana passada.
Ainda não há informações sobre se Lula aceitará participar do conselho, mas o convite marca mais uma etapa da retomada de relações entre Brasil e Estados Unidos, após a retirada de parte das tarifas impostas por Trump para a importação de produtos brasileiros pelos EUA.
Haverá também um “Conselho Executivo fundador” e um “Conselho Executivo de Gaza”, responsável por supervisionar todo o trabalho em campo de outro grupo administrativo, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), encarregado da governança temporária de Gaza e sua reconstrução.
Trump atuará como presidente do Conselho de Paz, que faz parte de seu plano de 20 pontos para encerrar a guerra entre Israel e o Hamas.
Espera-se que o Conselho da Paz fique acima dos demais órgãos executivos e seja composto por diversos líderes mundiais.