O brasileiro já se acostumou ao motor flex, que alterna entre gasolina e etanol no posto. Agora, uma tecnologia em testes no Brasil leva essa ideia a um território que sempre pertenceu ao diesel. Empresas e centros de pesquisa nacionais já estão testando o sistema. Veja quais veículos vão usar o novo motor!
Perguntas que todo mundo faz
- Vai gastar menos combustível?
Pode gastar menos diesel, já que parte dele sai de cena e dá lugar ao etanol, principalmente em uso constante. - Vai poluir menos?
Sim. O etanol tende a reduzir emissões de CO₂ e outros poluentes ligados ao diesel. - Vai perder força?
Não. O torque do motor diesel se mantém, porque o diesel ainda dá partida na combustão. - Vai dar mais manutenção?
Pode exigir mais atenção técnica, mas isso não significa manutenção mais frequente no dia a dia. - Serve para caminhão, trator e ônibus?
Sim. A tecnologia nasce voltada para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.
O que muda na prática para quem usa motor a diesel
A proposta troca uma parte do diesel por etanol, combustível renovável e produzido em larga escala no Brasil. Em alguns testes, a substituição chega a até 70% do diesel, dependendo da condição de operação. A pergunta que fica é direta, dá para mexer no combustível sem mexer no “jeito diesel” de rodar?
Para quem vive da estrada ou do campo, a mudança pode trazer efeitos concretos:
menor dependência do diesel fóssil,
potencial redução de emissões,
manutenção da força e do torque típicos do motor diesel.
O motor segue com comportamento de diesel, mas passa a queimar uma parcela relevante de etanol.
Diesel continua no centro do motor
O diesel não desaparece. Ele segue como o combustível que inicia a combustão. Especialistas envolvidos no desenvolvimento descrevem o sistema como dual-fuel. Nele, uma pequena dose de diesel entra direto na câmara para acender a queima. Em seguida, o etanol entra e inflama com o calor gerado.
Na prática, o diesel funciona como “vela líquida”, garantindo ignição estável, força em baixa rotação e confiabilidade.
Quais veículos vão usar o novo motor
Os testes no Brasil miram, primeiro, os veículos pesados e as máquinas de trabalho, onde o diesel ainda domina. A expectativa é ver a tecnologia estrear em três frentes:
- Caminhões e ônibus, por serem aplicações de uso contínuo e alta demanda de força.
- Máquinas agrícolas, como tratores e colheitadeiras, usadas por horas seguidas no campo.
- Veículos fora de estrada, incluindo máquinas e caminhões usados em operações intensas, como mineração e grandes obras.
A escolha não é por acaso. Esses veículos rodam muito, consomem mais combustível e operam sob carga alta. Por isso, eles viram o campo principal para provar se o novo sistema aguenta a rotina pesada antes de chegar a outros segmentos.
Por que isso interessa tanto ao transporte e ao agronegócio
O foco são veículos pesados, onde o diesel ainda quase não tem substituto. Caminhões, tratores e colheitadeiras pedem alto torque e horas seguidas de trabalho. Hoje, motor elétrico e ciclo Otto ainda não entregam isso de forma ampla.
Ao abrir espaço para o etanol, o sistema pode:
deixar o custo do combustível mais previsível,
reduzir emissões de CO₂,
criar um novo mercado para o etanol nacional,
diminuir a exposição do setor à volatilidade do diesel.
Não por acaso, o desenvolvimento envolve empresas como a Bosch, em parceria com universidades e institutos brasileiros.
O desafio técnico de misturar dois combustíveis diferentes
Diesel e etanol têm características bem distintas. O etanol tem baixa inflamabilidade em motores por compressão, além de ser mais corrosivo e menos lubrificante. Por isso, a adaptação pede:
dois sistemas de injeção independentes,
central eletrônica reprogramada,
componentes compatíveis com etanol,
sensores para controlar carga, temperatura e proporção da mistura.
Pesquisadores da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Instituto Mauá de Tecnologia afirmam que a engenharia exige precisão no controle eletrônico, mas segue tecnicamente viável.
É futuro próximo ou ainda experimento?
Por enquanto, a tecnologia segue em fase de testes e validação, com foco em aplicações específicas. O Brasil aparece na dianteira por um motivo simples, o país junta uma frota grande a diesel e uma produção massiva de etanol, um cenário raro e favorável para esse tipo de inovação.