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terça-feira, janeiro 20, 2026

Brasil testa novo motor flex: diesel passa a queimar etanol

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O brasileiro já se acostumou ao motor flex, que alterna entre gasolina e etanol no posto. Agora, uma tecnologia em testes no Brasil leva essa ideia a um território que sempre pertenceu ao diesel. Empresas e centros de pesquisa nacionais já estão testando o sistema. Veja quais veículos vão usar o novo motor!

Perguntas que todo mundo faz

  • Vai gastar menos combustível?
    Pode gastar menos diesel, já que parte dele sai de cena e dá lugar ao etanol, principalmente em uso constante.
  • Vai poluir menos?
    Sim. O etanol tende a reduzir emissões de CO₂ e outros poluentes ligados ao diesel.
  • Vai perder força?
    Não. O torque do motor diesel se mantém, porque o diesel ainda dá partida na combustão.
  • Vai dar mais manutenção?
    Pode exigir mais atenção técnica, mas isso não significa manutenção mais frequente no dia a dia.
  • Serve para caminhão, trator e ônibus?
    Sim. A tecnologia nasce voltada para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.

O que muda na prática para quem usa motor a diesel

A proposta troca uma parte do diesel por etanol, combustível renovável e produzido em larga escala no Brasil. Em alguns testes, a substituição chega a até 70% do diesel, dependendo da condição de operação. A pergunta que fica é direta, dá para mexer no combustível sem mexer no “jeito diesel” de rodar?

Para quem vive da estrada ou do campo, a mudança pode trazer efeitos concretos:

  • menor dependência do diesel fóssil,

  • potencial redução de emissões,

  • manutenção da força e do torque típicos do motor diesel.

O motor segue com comportamento de diesel, mas passa a queimar uma parcela relevante de etanol.

Diesel continua no centro do motor

O diesel não desaparece. Ele segue como o combustível que inicia a combustão. Especialistas envolvidos no desenvolvimento descrevem o sistema como dual-fuel. Nele, uma pequena dose de diesel entra direto na câmara para acender a queima. Em seguida, o etanol entra e inflama com o calor gerado.

Na prática, o diesel funciona como “vela líquida”, garantindo ignição estável, força em baixa rotação e confiabilidade.

Quais veículos vão usar o novo motor

Os testes no Brasil miram, primeiro, os veículos pesados e as máquinas de trabalho, onde o diesel ainda domina. A expectativa é ver a tecnologia estrear em três frentes:

  • Caminhões e ônibus, por serem aplicações de uso contínuo e alta demanda de força.
  • Máquinas agrícolas, como tratores e colheitadeiras, usadas por horas seguidas no campo.
  • Veículos fora de estrada, incluindo máquinas e caminhões usados em operações intensas, como mineração e grandes obras.

A escolha não é por acaso. Esses veículos rodam muito, consomem mais combustível e operam sob carga alta. Por isso, eles viram o campo principal para provar se o novo sistema aguenta a rotina pesada antes de chegar a outros segmentos.

Por que isso interessa tanto ao transporte e ao agronegócio

O foco são veículos pesados, onde o diesel ainda quase não tem substituto. Caminhões, tratores e colheitadeiras pedem alto torque e horas seguidas de trabalho. Hoje, motor elétrico e ciclo Otto ainda não entregam isso de forma ampla.

Ao abrir espaço para o etanol, o sistema pode:

  • deixar o custo do combustível mais previsível,

  • reduzir emissões de CO₂,

  • criar um novo mercado para o etanol nacional,

  • diminuir a exposição do setor à volatilidade do diesel.

Não por acaso, o desenvolvimento envolve empresas como a Bosch, em parceria com universidades e institutos brasileiros.

O desafio técnico de misturar dois combustíveis diferentes

Diesel e etanol têm características bem distintas. O etanol tem baixa inflamabilidade em motores por compressão, além de ser mais corrosivo e menos lubrificante. Por isso, a adaptação pede:

  • dois sistemas de injeção independentes,

  • central eletrônica reprogramada,

  • componentes compatíveis com etanol,

  • sensores para controlar carga, temperatura e proporção da mistura.

Pesquisadores da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Instituto Mauá de Tecnologia afirmam que a engenharia exige precisão no controle eletrônico, mas segue tecnicamente viável.

É futuro próximo ou ainda experimento?

Por enquanto, a tecnologia segue em fase de testes e validação, com foco em aplicações específicas. O Brasil aparece na dianteira por um motivo simples, o país junta uma frota grande a diesel e uma produção massiva de etanol, um cenário raro e favorável para esse tipo de inovação.

[Fonte Original]

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