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terça-feira, janeiro 20, 2026

Ibovespa renova máximas históricas com rotação global e destoa de outros ativos locais

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Depois de abrir o dia sob pressão e tocar os 163.575 pontos, na mínima intradiária, o Ibovespa devolveu as perdas e passou a subir após a abertura de Wall Street, destoando dos demais ativos, como o dólar à vista e os juros futuros, que fecharam o pregão em alta. Favorecido por um movimento de rotação das bolsas americanas para o mercado acionário local, o índice marcou novas máximas históricas nesta terça-feira: intradiária, aos 166.468 pontos; e de fechamento nominal, aos 166.277 pontos, com uma alta de 0,87%.

Apesar do aumento da aversão ao risco diante da ofensiva dos Estados Unidos para anexar a Groenlândia, que reforçou a cautela com os índices americanos, a saída de recursos dos EUA acabou alimentando um fluxo positivo para a bolsa local, especialmente para blue chips.

As units do Santander foram destaque, com alta de 2,01%. Outros bancos subiram: Bradesco PN (+1,43%); Banco do Brasil (+1,08%); Itaú Unibanco PN (+0,94%); e BTG Pactual Units (+0,51%).

Blue chips de commodities também avançaram: as ON da Vale terminaram com ganho de 1,92%, em um dia em que o volume negociado dos papéis chegou a quase R$ 2,5 bilhões; e as ON da Petrobras subiram 0,85%, enquanto as PN da petroleira avançaram 0,37%, movimento que pode indicar que houve compra do papel por parte de investidores estrangeiros.

“O fluxo de rotação continua muito forte”, afirma o líder da mesa de operações de ações da Warren, Ricardo Maluf. Segundo ele, os mercados emergentes passaram a ser vistos como porto seguro em meio ao imbróglio geopolítico e às ameaças tarifárias de Donald Trump à Europa, o que tende a favorecer as ações brasileiras diante da rotação de papéis considerados de crescimento para valor.

“O Brasil é basicamente uma tese de valor, com destaque para bancos, utilities [serviços públicos] e commodities. Em um ambiente de dólar mais fraco, as empresas do setor de commodities tendem a se fortalecer”, completa Maluf.

Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa no pregão foi de R$ 17,3 bilhões. Já na B3, o giro bateu R$ 23,5 bilhões.

A postura mais agressiva de Donald Trump para controlar a Groenlândia parece ter resgatado o trade “sell America”, com investidores reduzindo exposição a ativos americanos, o que fez os principais índices dos EUA tombarem. No fim do dia, o Nasdaq cedeu 2,39%; o S&P 500 recuou 2,06%; e Dow Jones teve queda de 1,76%.

Nesta terça-feira, o republicano afirmou em sua rede social que pretende realizar uma reunião com “diversas partes” em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, para reforçar sua visão de que o controle da ilha é “fundamental para a segurança nacional e global”. O receio entre investidores é de que o episódio possa desencadear uma nova guerra comercial.

Para o gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, Robert Schramm Fuchs, a reação relativamente moderada dos mercados de ações na sessão de ontem foi surpreendente, sobretudo quando comparada ao chamado “Dia da Libertação”, quando Trump anunciou pela primeira vez o plano de implementar tarifas “recíprocas”.

“Do ponto de vista de investimento, esperamos que os sinais de uma trajetória sensata de redução de riscos continuem”, diz em nota. “Caso os mercados comecem a demonstrar sinais de instabilidade, isso poderá levar a uma aceleração desse processo, o que acreditamos que favoreceria uma contrarotação entre vencedores e perdedores”, completa.

Por outro lado, Eric Hatisuka, diretor de investimentos do banco suíço Mirabaud, avalia que o mercado americano pode sofrer com novos dias de realização, como o visto hoje, mas defende que as novas ameaças de Trump não irão alimentar algo mais intenso, como um “bear market” (mercado de baixa) nos EUA.

[Fonte Original]

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