Resumo da notícia
OranjeBTC recompra 32.500 ações, paga preço médio de R$ 9,24 e reduz o total em circulação para 155,4 milhões.
Empresa mantém 3.722,3 BTC em custódia, elevando a métrica para 2.292 satoshis por ação após a recompra.
Estratégia busca capturar desconto do mercado e ampliar o BTC/Ação, repetindo movimento semelhante ao de outubro de 2025.
A OranjeBTC S.A. (B3: OBTC3) intensificou sua política de alocação de capital ao confirmar, no domingo (18), a segunda recompra de ações em menos de quatro meses. A movimentação ocorre em um momento de forte volatilidade no mercado de criptomoedas, com o Bitcoin recuando para US$ 88.405, um dos níveis mais baixos desde o início de 2026.
Mesmo assim, a companhia reafirma que enxerga suas ações negociadas com desconto e mantém a estratégia de reduzir o número de papéis em circulação para aumentar a quantidade de satoshis por ação.
Entre 12 e 18 de janeiro de 2026, a empresa recomprou 32.500 ações ordinárias, pagando um preço médio de R$ 9,24 por unidade, o que representou um desembolso total de R$ 300.263,00. Com isso, o número de ações disponíveis no mercado caiu para 155.425.500 unidades fora da tesouraria, reforçando o impacto direto dessa política sobre a valorização relativa do BTC por papel.
A companhia destacou que não ampliou sua posição em Bitcoin nessa semana, mantendo o saldo em 3.722,3 BTC, o que a consolida como a maior detentora corporativa de Bitcoin da América Latina. Com a redução de ações em circulação, o índice “Sats/Ação” subiu para 2.292 satoshis, enquanto o “BTC Yield” acumulado no ano atingiu 2,45%, mesmo sem novas compras de BTC no período.
Estratégia para aumentar o valor de BTC por ação
Ao comentar os resultados, o CEO e diretor de Relações com Investidores, Guilherme Amado Cerqueira Gomes, reforçou que a recompra é parte de uma filosofia de longo prazo. Segundo ele, o mercado segue oferecendo ações da OBTC3 a preços inferiores ao valor econômico representado pelo Bitcoin em tesouraria.
“Mantivemos a execução da estratégia de alocação de capital dado que o mercado oferece nossas ações com desconto em relação ao valor econômico do Bitcoin em tesouraria”, afirmou.
A lógica apresentada pela diretoria se apoia na matemática das empresas de tesouraria: quando o número de ações diminui, a participação indireta de cada investidor no saldo total de BTC aumenta. Assim, mesmo sem adquirir novas moedas, os acionistas ampliam sua exposição ao ativo digital por meio da recompra.
A empresa também incluiu no relatório uma projeção caso ocorra a conversão de debêntures já emitidas. Se isso acontecer, o número de ações fora da tesouraria pode superar 162 milhões, o que reduziria marginalmente os indicadores por ação — uma sinalização considerada relevante para investidores que acompanham o mNAV (Market Net Asset Value), métrica central para empresas expostas a Bitcoin.
Primeira compra de ações foi em 2025
A recompra atual reforça a estratégia iniciada meses antes. Em outubro de 2025, a OranjeBTC havia recomprado 99.600 ações e vendido outras 12.400, resultando em um saldo líquido negativo de R$ 1,12 milhão. Naquele período, a empresa mantinha 3.708 BTC em reservas, com custo médio de US$ 105.431 por unidade, e reafirmava o foco em elevar o BTC/Ação enquanto as ações OBTC3 seguiam sendo negociadas abaixo do valor patrimonial implícito em Bitcoin.
O histórico recente da empresa ocorreu em meio a uma pressão crescente sobre o setor. A OBTC3 estreou na B3 enfrentando forte volatilidade e baixa liquidez, chegando a acumular perdas de 46% desde a estreia. O próprio CEO reconheceu que o modelo de negócios, baseado no conceito de “Bitcoin Treasury Company”, semelhante ao da norte-americana MicroStrategy, demanda tempo de maturação e compreensão maior do mercado brasileiro.