A produção da cadeia têxtil e de confecção brasileira deve crescer cerca de 1,1% em 2026 — menor do que a previsão de crescimento de 4,4% de 2025 —, impactada, principalmente, por tensões internacionais e preocupações com o ritmo de crescimento da economia brasileira. O avanço das importações, especialmente da China, tópico frequentemente discutido pela entidade, é outro ponto crítico que acende alerta para o setor.
Os dados foram apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em coletiva virtual que apresentou resultados anuais do segmento, nesta quarta-feira (21).
“Estamos iniciando 2026 num quadro de cautela. Não só pelo cenário internacional”, disse Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit. “Vamos ter um PIB [Produto Interno Bruto] menor, e a pressão importadora crescendo mais que o mercado interno”, acrescentou.
O diretor destacou o cenário de juros no Brasil, que estão em 15%. E, mesmo com queda prevista ao longo do ano, a taxa básica de juros, sobretudo o índice real, deve permanecer em alta na comparação com uma taxa neutra, que seria de 4% a 4,5%, disse Pimentel.
Segundo o diretor, eventos como a Copa do Mundo, que representa ganhos pontuais em roupas esportivas, e os cerca de dez feriados prolongados previstos para o ano, além das eleições, também são fatores que podem impactar o segmento, com interrupções pontuais da atividade.
O setor fechou 2025 com faturamento de R$ 220 bilhões, crescimento de cerca de 7,9%, considerando o faturamento de R$ 203,9 bilhões que teve no acumulado de janeiro até novembro de 2024. De janeiro a novembro de 2025, a produção do setor têxtil cresceu 6,8% e a de vestuário, 0,8%, “o que é quase que uma estabilidade”, disse Pimentel.
Segundo ele, o baixo crescimento da produção de vestuário é influenciado pela alta de 13,1% das importações do item em 2025. O número, observou ele, contrasta com o crescimento de apenas 2% no varejo de vestuário, no acumulado de janeiro a novembro de 2025.
“Esse crescimento muito mais veloz da importação do vestuário comparado ao crescimento da produção mostra que temos perda de participação mercadológica para o produto importado”, afirmou o diretor-superintendente.
As exportações somaram US$ 951 milhões em 2025, ligeira alta de 8% na comparação com 2024, com maior presença em mercados regionais como Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos EUA.
Já as importações somaram cerca de US$ 6,8 bilhões, o que resultou em déficit comercial de US$ 5,8 bilhões. Apenas a China respondeu por mais de US$ 4 bilhões do que o país importou em 2025. Segundo a Abit, a última vez em que o setor têxtil brasileiro teve saldo positivo na balança comercial foi há 20 anos, em 2005.
“Não é catastrófico, mas ele (o cenário) é cauteloso, preocupante, principalmente por essa dissintonia entre crescimento de consumo, produção e importação, que acaba drenando capacidade produtiva do Brasil e, com isso, gerando menos oportunidades, desenvolvimento inovativo, tecnológico e emprego”, disse Pimentel.
A Abit estima que as importações devem se reduzir este ano, crescendo 7,4% ante 11,6%, em 2025. Contudo, continuarão a avançar mais rápido que a produção da cadeia têxtil e de vestuário, que deve crescer 1,1% em 2026, segundo projeção da entidade.