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sexta-feira, janeiro 23, 2026

Após Master e Will, bancos terão de aportar R$ 55 bi no FGC; entenda impactos

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Os bancos brasileiros terão que arcar com custos mais elevados para recompor a liquidez do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) após a liquidação de Master e Will Financeira. Estimativas da agência de classificação de risco Moody’s indicam que o pagamento das garantias pelo fundo devem levar os recursos do fundo abaixo do índice mínimo de cobertura, o que permite a ativação de ferramentas de recomposição. Apesar disso, a empresa de risco não avalia que haja riscos sistêmicos materiais.

Pelos cálculos da agência, o déficit do FGC após os pagamentos aos investidores deve chegar a R$ 55 bilhões em comparação ao índice mínimo de cobertura do fundo, de 2,5% dos depósitos segurados. Quando os recursos vão para um patamar abaixo deste porcentual, o fundo pode usar soluções como antecipação de contribuições futuras ordinárias de forma proporcional ao financiamento coberto de cada participante, sobretaxas temporárias, bem como alíquota de 0,01% paga mensalmente pelos bancos sobre depósitos segurados.

Embora não haja divulgação sobre a proporção dos depósitos de cada banco que são efetivamente segurados, os bancos sistemicamente importantes, incluindo Itaú Unibanco S.A., Banco do Brasil S.A., Banco Bradesco S.A., Banco Santander (Brasil) S.A., Caixa Econômica Federal e Banco BTG Pactual S.A., respondem juntos por 75% dos depósitos do sistema elegíveis para seguro e, portanto, arcam com a maior parte da contribuição.

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Em outra ponta, investidores devem ser impactados pela redução da liquidez dos bancos. Para a Moody’s, com uma taxa básica de juros (Selic) na casa de 15%, uma redução total de R$ 55 bilhões na liquidez do sistema implica em um efeito anual de mais de R$ 8 bilhões na receita líquida de juros — ou 2,1% do total reportado nos 12 meses até setembro de 2025.

Para mitigar as pressões de liquidez sobre os associados, o conselho do FGC provavelmente dependerá de uma combinação de antecipação multianual das contribuições ordinárias e de uma sobretaxa temporária de 50% sobre a contribuição ordinária até que a liquidez seja restabelecida ao nível alvo, aponta a agência.

Outro sintoma das liquidações pode ser um aumento da aversão ao risco em bancos de médio porte nas próximas semanas ou meses, que podem contar, do lado contrário, com ajuda da forte liquidez doméstica do mercado de capitais do Brasil, avalia a Moody’s. Em setembro de 2025, o volume total em circulação de letras financeiras era de R$ 658 bilhões, alta de 57% em três anos, dos quais 55% foram emitidos pelos maiores bancos.

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Um ano de moderação na originação de crédito este ano deve servir para reduzir pressões de liquides e a necessidade de captação destes bancos médios, em meio ao menor sentimento empresarial e às incertezas relacionadas ao crescimento econômico mais fraco de 2026.

Além disso, o BCB e o FGC anunciaram que estão reavaliando a metodologia utilizada para calcular os limites do fundo de seguro de depósitos e o tamanho geral do fundo. Essa revisão, conduzida a cada quatro anos, considera a evolução dos depósitos elegíveis, os perfis de risco dos participantes e a participação dos depósitos segurados no sistema.

A metodologia atualizada pode levar a prêmios de seguro de depósitos estruturalmente mais altos, particularmente para bancos menores que aumentaram o uso do seguro de depósitos nos últimos cinco anos, além das contribuições adicionais necessárias para recompor o fundo, aumentando os custos de captação em todo o sistema.

Impactos no mercado

Ainda é prematuro avaliar o impacto do aumento das contribuições ao FGC sobre os bancos, afirma Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira dos Bancos, a ABBC, que reúne as instituições de menor porte. Mas ele espera que o FGC determine a recomposição em breve e que ela leve cerca de 60 dias a 90 dias, já que o fundo já está pagando os credores do Master e do Will Bank. “Isso é o FGC que vai definir”, diz.

Segundo ele, conversando com as instituições, “ninguém está vendo um grande problema com o custo maior da recomposição”. “Talvez haja um pouco mais de despesa para captar, talvez um pouco de repasse para operações de crédito, mas não tem jeito, deve ter algum tipo de repasse, mas isso vai estar muito diluído no tempo, o que deve reduzir o impacto”, explica. Vilain diz que não vê o mercado muito preocupado com esse custo. “Não vai chegar a inviabilizar negócios, é só 0,01% dos depósitos, uma fração muito pequena”, diz.

O presidente da ABBC considerou positivas as mudanças aprovadas ontem pelo Conselho Monetário Nacional para o FGC. Ele destacou o artigo que garante maior acesso do fundo aos dados de operações dos bancos. Agora, a instituição que se associa ao FGC terá de autorizar o compartilhamento de dados de suas operações com o fundo e com o Banco Central e permite ao BC trocar informações com o FGC. “Isso vai melhorar muito a análise e a avaliação de risco do FGC, que vai poder também pedir para terceiros, como auditorias ou consultorias, avaliarem os dados para conhecer melhor a saúde financeira das instituições”, diz.

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Outro ponto importante foi a autorização para o FGC divulgar relatórios ao público sobre as instituições seguradas e sobre os instrumentos financeiros garantidos. As normas autorizam a publicação de relatórios com o perfil de captação da instituição financeira. “Não tem coisa melhor, isso vai dar transparência, vai abrir os dados dos bancos para o FGC acompanhar e ver se há algum desvio do caminho, quais são e onde tem mais risco e pode decidir divulgar para o público esses dados”, diz. “Vai aumentar a transparência também para o investidor”.

[Fonte Original]

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