O Kremlin – sede do governo russo – afirmou neste domingo (25) que os atuais políticos europeus, os quais classificou como “medíocres”, não serão capazes de enfrentar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem as mudanças tectônicas que ocorrem no mundo.
“Eles não são capazes de resistir às pressões de Trump”, comentou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, em entrevista à televisão estatal russa.
Peskov ressaltou que as “mudanças dramáticas” ocorridas recentemente são consequência do “duplo padrão” e da “hipocrisia” que, segundo o porta-voz, “dominou a Europa durante muitas décadas”. “Infelizmente, são fruto da geração medíocre de políticos que agora está no poder na Europa”, declarou.
Como exemplo, o representante do Kremlin citou a reação dos europeus quando Trump revelou publicamente, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos nesta semana, detalhes de sua conversa com o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Muito interessante. Todos os europeus literalmente ficaram em polvorosa. […] Mas, quando Macron tornou pública a conversa com [o presidente russo, Vladimir] Putin, ninguém reagiu assim”, apontou Peskov.
O porta-voz admitiu ainda que os métodos utilizados por Trump não correspondem “totalmente” à ordem multipolar defendida pela Rússia há anos, uma vez que o líder americano prefere impor a lei do mais forte e espera que seus adversários “baixem a cabeça” – algo que, segundo Peskov, a Rússia não pretende fazer.
“Trump é um político experiente que baseia suas abordagens nos princípios do mundo dos negócios, um mundo duro e implacável. E ele defende seus interesses, claro, em primeiro lugar os interesses do seu país”, considerou.
Putin, que tem evitado criticar publicamente as recentes ações da Casa Branca em relação à Venezuela, ao Irã ou à proposta sobre a Groenlândia, ainda não respondeu formalmente ao convite de Trump para integrar seu Conselho de Paz, anunciado em Davos para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza.
O desgaste entre Trump e Macron começou após o presidente norte-americano voltar a cobrar a anexação da Groenlândia aos Estados Unidos, com a possibilidade de uso da força ou de taxação aos países que forem contra. O líder francês respondeu com críticas públicas, acusando seu homólogo de intimidação.