Atualmente, minerar Bitcoin nos Estados Unidos custa mais do que o preço de mercado da criptomoeda, segundo informações do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index (CBECI).
A criptomoeda está sendo negociada nesta terça-feira (27) por volta de US$ 87.912, conforme dados do CoinGecko, enquanto dados do CBEIC e da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA) — que aponta o custo médio de energia em outubro de 2025 em US$ 0,14 por kWh — sugerem que o custo atual para minerar um Bitcoin é de US$ 94.746.
Esse preço médio incorpora tarifas residenciais e comerciais mais caras, mas ao considerar apenas o preço médio industrial de todos os estados (US$ 0,09 em outubro), o custo médio para minerar um Bitcoin ainda fica em US$ 86.931.
Diante da persistente incerteza geopolítica e macroeconômica, o Bitcoin corre o risco de cair abaixo desse patamar, o que pode pressionar ainda mais os mineradores sediados nos EUA.
Leia também: Como a decisão de juros dos EUA irá afetar o Bitcoin
A situação é semelhante ou até pior em outros países, com a tarifa média de energia para empresas na China chegando a US$ 0,11 por kWh em junho de 2025, o que significa que o custo médio para minerar um único Bitcoin é de US$ 88.869.
O site GlobalPetrolPrices.com apresenta a mesma tarifa de US$ 0,11 por kWh para a Rússia, enquanto o Canadá se beneficia de um valor um pouco menor, US$ 0,10, resultando em um custo de mineração de US$ 88.003 por Bitcoin.
Como exemplo de um país onde a mineração em larga escala não é viável comercialmente, a associação Cryptocurrency NZ calculou que o custo para minerar um único BTC na Nova Zelândia chega a NZ$ 173.192,96, o equivalente a US$ 103.799.
Por outro lado, o Paraguai — que atualmente responde por cerca de 4% do poder de computação do Bitcoin — tem um custo médio de mineração de aproximadamente US$ 59.650, considerando o preço médio de eletricidade para empresas de US$ 0,05.
Mineradores dos EUA migram para inteligência artificial
As operações de mineração estão cientes do cenário desafiador, com nove empresas americanas — Riot Platforms, Bitfarms, Core Scientific, Riot, IREN, TeraWulf, CleanSpark, Bit Digital, MARA Holdings e Cipher Mining — tendo migrado total ou parcialmente para se tornarem data centers de inteligência artificial no último ano e meio.
Em entrevista ao Decrypt, Leo Wang, vice-presidente de Mercados de Capitais e Desenvolvimento Corporativo da Canaan, afirmou que mineradores que assumiram dívidas excessivas para operar, ou que investiram em equipamentos caros ou “rapidamente obsoletos”, enfrentaram a perspectiva de prejuízo nos últimos anos e meses.
No entanto, ele afirmou que a Canaan tomou decisões estratégicas para reduzir seu perfil de risco, incluindo evitar dívidas elevadas e desenvolver e vender seu próprio hardware de mineração, visando gerar fluxo de caixa e compensar despesas.
Ele disse: “Tentamos manter nosso preço de energia abaixo de 4 centavos por kWh, o que historicamente tem sido sustentável durante mercados de baixa, mantemos supervisão operacional diária com parceiros e só implantamos máquinas quando energia e operações estão totalmente prontas”.
A Canaan também mantém acordos de hospedagem que lhe dão o direito de reduzir ou encerrar operações em determinados locais, caso a economia deixe de ser favorável.
“De mercados de baixo custo a operações fora da rede no Canadá, nossa presença global e capacidade técnica também nos permitem explorar novas fontes de energia e reaproveitamento energético, reduzindo nossa dependência de uma única rede ou fonte ao longo do tempo”, acrescentou.
De forma mais ampla, Alex de Vries, fundador do Digiconomist, observa que, embora a dificuldade computacional tenha atingido o pico recentemente, a queda no preço do Bitcoin está tornando a situação cada vez mais difícil para os mineradores.
“Você pode fazer as contas considerando que atualmente são necessários cerca de 1,2 milhão de kWh para minerar um Bitcoin”, disse ele. “Com o preço a US$ 85 mil por moeda, qualquer custo acima de apenas 7 centavos por kWh resulta em prejuízo.”
De Vries concluiu que a mineração de Bitcoin sendo deficitária será “na verdade, muito comum na maioria dos lugares”, já que tarifas tão baixas não são fáceis de conseguir.
Com mais um halving da recompensa previsto para daqui a dois anos, os mineradores de Bitcoin precisarão que o preço da criptomoeda volte a subir em breve.
“Isso ainda vai demorar um pouco”, disse De Vries, “mas sem aumentos substanciais no preço até lá, os mineradores serão pressionados ainda mais”.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
Investimento parado? É hora do Dólar Digital Turbinado! De 20 a 31/01, você pode ganhar recompensas de até 10% ao ano por 3 meses. Saiba mais!