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quarta-feira, janeiro 28, 2026

Qual seria o salário mínimo ideal no Brasil em 2026?

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O salário mínimo de 2026 foi fixado em R$ 1.621, conforme o Decreto nº 12.797/2025. O valor, que é o mínimo que pode ser pago a trabalhadores assalariados no país, sofreu um reajuste de 6,79% em relação ao valor do ano passado (R$ 1.518). Apesar disso, estudo aponta que a cifra ainda está longe de cobrir o custo básico de vida do brasileiro.

Para cobrir todas as despesas básicas de um trabalhador brasileiro, o valor do salário mínimo nacional deveria ser de R$ 7.106,83, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no relatório de dezembro, o mais recente.

Entre o salário mínimo em vigor em 2026 e o salário ideal definido pelo Dieese, há uma diferença de R$ 5.485,83. Isso significa que, atualmente, o trabalhador que recebe o piso salarial nacional deveria receber 4,38 vezes mais do que ganha para cobrir só suas despesas básicas, segundo o índice.

Como é calculado o salário mínimo

Para definir o reajuste do salário mínimo, há uma fórmula proposta pela política de valorização do piso nacional (Lei nº 14.663/23): a equipe econômica do governo verifica a inflação acumulada nos 12 meses anteriores até novembro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e soma com a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do 2º ano anterior ao ano que iniciará, limitada a 2,5%.

Em 2026, a inflação considerada foi de 4,4% e 2,5% de crescimento do PIB de 2024, o que dá 6,8% de reajuste no salário mínimo (os R$ 103 em 2026).

Caso ainda estivesse em vigor a regra anterior, que permitia o repasse integral da taxa de crescimento do PIB (3,4% em 2024, o ano de referência), o salário mínimo de 2026 seria de R$ 1.636 — ou seja, R$ 15 a mais do que o valor em vigor hoje.

Como o ‘salário mínimo ideal’ é calculado

Para chegar a esse valor, o Dieese leva em consideração a previsão constitucional de que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família, com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

A partir deste princípio, é calculado o preço da cesta básica mais cara do Brasil, ao qual é acrescentado os demais custos que compõem as despesas básicas do brasileiro.

Em dezembro de 2025, o índice levou em consideração o preço da cesta básica de São Paulo, estimada em R$ 845,95. O valor é referente a 60,25% do salário mínimo líquido para o mês — ou seja, o trabalhador paulista precisara trabalhar 122 horas no mês só para comprar alimentos.

Por que a diferença entre o real e o ideal é tão grande?

O Dieese explica que a defasagem entre o salário mínimo real e o necessário tem origem ainda na Ditadura Cívico-Militar, com a política de arrocho salarial como forma de controle da inflação.

A medida fez com que o poder de compra do salário mínimo despencasse entre 1964 e 1974, caindo praticamente pela metade ao longo dos 10 anos. Desde então, nunca se recuperou totalmente, mesmo após a redemocratização, devido a uma ausência de políticas de aumento real.

A estimativa do instituto é que até 2002, o poder de compra do piso salarial era apenas 30,28% do que ele valia em 1940, quando foi instituído.

Segundo o Dieese, a tendência de desvalorização só começou a ser revertida em meados dos anos 2000, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu primeiro mandato, implementou uma política de aumento real do piso salarial.

Atualmente, a política de reajuste do piso salarial prevê valorização real anual, mas dentro de um teto pré-determinado. Em 2024, Lula assinou lei que determina que o salário mínimo deve ser reposto anualmente pela inflação e mais uma valorização real, que deve ficar entre 0,6% e 2,5%.

A fase de maior valorização real do salário mínimo aconteceu entre 2004 e 2014, quando os reajustes tiveram aumentos expressivos, como em 2006, com 13,04% a mais.

[Fonte Original]

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