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sexta-feira, janeiro 30, 2026

Sonda da NASA registra erupção mais poderosa já observada em lua vulcânica de Júpiter

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Um artigo publicado este mês no periódico científico Journal of Geophysical Research: Planets relata a observação do evento vulcânico mais intenso já registrado no Sistema Solar. O fenômeno ocorreu na lua Io, de Júpiter, e foi detectado pela sonda Juno, da NASA, durante uma de suas passagens próximas pelo satélite natural.

As observações indicam que diversas erupções aconteceram ao mesmo tempo, cobrindo uma área estimada em cerca de 65 mil quilômetros quadrados. Esse valor equivale a uma região maior do que muitos países da Terra. A simultaneidade chamou a atenção dos cientistas, sugerindo um processo subterrâneo muito mais amplo do que uma erupção isolada.

Em resumo:

  • Sonda Juno, da NASA, detectou o maior evento vulcânico já registrado na lua Io;
  • Erupções simultâneas cobriram cerca de 65 mil quilômetros quadrados da lua de Júpiter;
  • Energia liberada superou recordes anteriores, alcançando até 260 terawatts;
  • Brilho aumentou mais de mil vezes, indicando episódio único;
  • Forças de maré de Júpiter aquecem Io, alimentando o vulcanismo;
  • Futuros sobrevoos buscarão novas evidências.
Imagens da lua Io capturadas pela missão Juno durante vários sobrevoos revelam como a região onde ocorreu o evento vulcânico se transformou. Crédito: NASA/JPL–Caltech/SwRI/MSSS/Processamento de imagem por Jason Perry

Erupção liberou mais que o dobro da energia da recordista anterior

A energia liberada durante o evento foi estimada entre 140 e 260 terawatts. Para efeito de comparação, a erupção mais potente já registrada anteriormente em Io, em 2001, havia liberado cerca de 80 terawatts. Já a famosa erupção do Monte Santa Helena, nos Estados Unidos, em 1980, alcançou aproximadamente 52 terawatts.

Segundo os pesquisadores, o brilho das áreas em erupção aumentou mais de mil vezes em relação ao padrão normal. Isso indica que não foram vários eventos independentes, mas um único episódio gigantesco que se espalhou pelo subsolo da lua Io por centenas de quilômetros.

O evento foi registrado em 27 de dezembro de 2024, quando a sonda Juno passava a cerca de 74 mil km da superfície de Io. Apesar de parecer distante, essa proximidade foi suficiente para permitir que os instrumentos captassem dados detalhados da intensa atividade vulcânica.

Um enorme ponto quente pode ser visto à direita do polo sul da lua Io nesta imagem capturada pelo imageador infravermelho JIRAM da sonda Juno da NASA em 27 de dezembro de 2024. Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM

Lua de Júpiter é o corpo mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar

Io tem cerca de 3.643 km de diâmetro e é considerada o corpo celeste mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar. Estima-se que sua superfície abrigue cerca de 400 vulcões ativos, responsáveis por constantes erupções de lava e cinzas.

Essa atividade extrema é causada pela forte influência gravitacional de Júpiter. As forças de maré exercidas pelo planeta gigante comprimem e deformam o interior de Io, gerando calor suficiente para manter grande parte de seu interior em estado parcialmente líquido.

A lua Io, de Júpiter, é coberta por vulcões, fluxos de lava e depósitos de cinzas. Crédito: NASA/JPL–Caltech/SwRI/MSSS/Processamento de imagem por Gerald Eichstädt

O aspecto mais intrigante desse evento específico foi a erupção simultânea de vários vulcões. Isso levou os cientistas a concluir que eles podem estar conectados por grandes reservatórios de magma abaixo da superfície, funcionando como uma rede subterrânea compartilhada.

Os pesquisadores comparam o interior de Io a uma esponja cheia de poros preenchidos por magma. Nem todos os vulcões da região entraram em erupção, o que indica que existem diferentes sistemas de alimentação magmática, independentes entre si.

A detecção foi feita pelo Mapeador Auroral Infravermelho de Júpiter (JIRAM), instrumento a bordo da Juno capaz de identificar emissões de calor no infravermelho. Embora tenha sido projetado para estudar Júpiter, ele também se mostrou essencial para revelar os pontos quentes vulcânicos em Io.

Com a missão estendida da sonda Juno, novos sobrevoos da lua Io estão previstos. Nessas futuras aproximações, os cientistas esperam encontrar fluxos de lava recentes e depósitos de cinzas que ajudem a entender melhor esse episódio extremo e a dinâmica interna do corpo celeste mais vulcanicamente ativo do Sistema Solar.


[Fonte Original]

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