A atividade econômica do México avançou no quarto trimestre, com o crescimento mais rápido registrado em cinco trimestres. Os principais fatores que deram fôlego à economia do país foram os ganhos na produção industrial e no setor de serviços.
O Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção de bens e serviços, cresceu 0,8% em relação ao trimestre anterior, em termos ajustados sazonalmente, informou nesta sexta-feira (30) o Instituto Nacional de Estatísticas (Inegi). O resultado marcou uma reversão em relação à contração de 0,3% registrada no terceiro trimestre.
A produção industrial e a atividade de serviços avançaram 0,9% no quarto trimestre, enquanto a produção agrícola recuou 2,7%.
A retomada do crescimento econômico é mais um motivo para acreditar que o Banco do México fará uma pausa no ciclo de cortes de juros na reunião da próxima semana, especialmente após a inflação ter apresentado leve alta em meados de janeiro, afirmou William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, em nota.
“Mas, apesar do que parece ser um número de PIB relativamente saudável, acreditamos que a recuperação ao longo deste ano será lenta”, acrescentou.
O PIB do quarto trimestre cresceu 1,6% na comparação anual, sem ajuste sazonal, elevando o crescimento econômico de todo o ano passado para 0,5%, o pior desempenho desde a recessão de 2020.
Diversos fatores limitaram o crescimento em 2025, afirmou Alfredo Coutiño, diretor para a América Latina da Moody’s Analytics. Segundo ele, a execução lenta do orçamento, típica do primeiro ano de uma nova administração, tende a adiar decisões de investimento privado, enquanto mudanças constitucionais no Judiciário e em órgãos reguladores independentes aumentaram a incerteza.
O México conseguiu compensar o impacto das tarifas de importação dos Estados Unidos e encerrar o ano com um pequeno superávit comercial, em parte por meio de esforços para cumprir as regras dos acordos comerciais. Ao mesmo tempo, uma queda de 5% nas remessas afetou o consumo das famílias de baixa renda, principais beneficiárias desses recursos, acrescentou.
A atividade econômica neste ano deve enfrentar ventos contrários devido à confiança empresarial enfraquecida e a um ciclo de crédito que atingiu o pico, afirmou em nota Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs.
“Por outro lado, aumentos generosos do salário mínimo e um mercado de trabalho resiliente devem oferecer algum suporte”, disse.