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domingo, fevereiro 1, 2026

Relatório: como a China está apertando o cerco contra cristãos

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O relatório anual da organização China Aid revela como o regime chinês está reestruturando as instituições para expandir o controle sobre as atividades cristãs no país.

O documento descreve o sistema complexo de repressão altamente institucionalizado criado pela governança dos Assuntos Religiosos na China ao longo da última década, visando pressionar ainda mais os cristãos que buscam exercer sua fé livremente.

Nos últimos anos, a política nacional sobre a religião deixou de ter como objetivo apenas “manter a estabilidade”, mas agora une uma gama de medidas legais, administrativas, tecnológicas e ideológicas para remodelar sistematicamente o modo de existência religiosa, as formas de organização e as funções sociais das igrejas.

Uma das mudanças mais evidentes dessa reestruturação pode ser notada com a alteração da legislação chinesa. O regime comunista redefiniu um grande número de atividades religiosas, antes consideradas comuns, como “ilegais”, “reuniões ilícitas” ou atos que “colocam em risco a segurança nacional”.

A ditadura de Xi Jinping vem estabelecendo desde 2012 uma rede de controle e vigilância por meio de leis e regulamentos. Algumas delas são o Regulamento sobre Assuntos Religiosos, o Regulamento sobre a Gestão de Grupos Religiosos, a Lei sobre a Gestão das Atividades de Organizações Não Governamentais no Exterior, a Lei de Segurança Nacional e as Medidas para a Administração de Serviços de Informação Religiosa na Internet.

Já no âmbito ideológico, o Estado não só exige que a religião se adapte à sociedade e à cultura, como também interfere diretamente na interpretação doutrinária das igrejas, no funcionamento organizacional, nas nomeações de pessoal e na gestão de espaços religiosos, obrigando os cristãos a manterem um alinhamento rígido com o Partido em termos de posicionamento político, ideologia e modos de atuação.

As chamadas igrejas domésticas da China encontram cada vez mais dificuldades para obter o reconhecimento de legalidade, sendo forçadas à clandestinidade, dissolvidas ou obrigadas a se filiar ao chamado Movimento Patriótico das Três Autonomias, uma organização oficial do regime criada para supervisionar e alinhar o funcionamento das instituições religiosas aos critérios estatais.

Segundo o relatório, a politização das ideologias está se intensificando dentro das igrejas cristãs. Exemplos disso são os púlpitos e a educação teológica sendo cada vez mais substituídos por diretrizes administrativas e tarefas políticas.

De acordo com o relatório, as autoridades podem a qualquer momento classificar declarações consideradas “ambíguas” nas pregações ou interpretações doutrinárias como “heréticas”, “extremistas” ou “infiltradas”.

Fora do espaço eclesiástico, os cristãos enfrentam ainda pressões no emprego, na escola e faculdade devido ao envolvimento em atividades religiosas. Qualquer grupo que busque preservar sua independência doutrinária ou autonomia organizacional corre o risco de ser proibido, fundido, retificado ou sujeito a repressão contínua.

Nos últimos anos, o regime chinês também investiu no rompimento dos laços entre grupos religiosos e a comunidade internacional, com a finalidade de isolar a situação da China de outros contextos, sob o pretexto de prevenir “forças estrangeiras hostis anti-China” de atuarem no país.

Com isso, intercâmbios religiosos transnacionais, o envio de recursos teológicos e os canais de apoio externo tem sido completamente bloqueados, deixando as comunidades religiosas na China isoladas em termos de informação, recursos e apoio internacional.

Cristãos enfrentam maior vigilância digital desde 2025

Segundo o relatório do China Aid, em 2025, o regime chinês adotou sistemas de aprovação que são aplicados a todos os assuntos religiosos, incluindo atividades da igreja, nomeações de pessoal, locais de reunião, formação teológica e publicações.

Os locais religiosos passaram a ser obrigados a exibir bandeiras da China e os pastores devem passar por “avaliações de pensamento”, a fim de controlar o discurso transmitido aos fiéis.

Nesse período, a vigilância digital se tornou um dos pilares da repressão religiosa pelo regime. Os sistemas utilizados pelos líderes religiosos devem passar por um registro com nome real, mecanismos de aprovação em plataformas, censura de conteúdo, reconhecimento facial e rastreamento de big data.

Os encontros de fiéis, a disseminação da fé, ofertas e até mesmo interações pessoais também estiveram mais sujeitos à vigilância e rastreabilidade. Essa governança impulsionada pela tecnologia não apenas comprime significativamente o espaço para a atividade religiosa, como também corrói sistematicamente os direitos dos cristãos à privacidade e à liberdade de associação e expressão.

 

[Fonte Original]

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