A rotina de disputa de títulos impõe ao Flamengo a exigência de estar pronto para decisões desde o começo do ano. A Supercopa Rei diante do Corinthians, neste domingo, às 16h, em Brasília, é apenas o primeiro desafio de um calendário reformulado, mas que ainda proporciona efeitos colaterais para quem, como o rubro-negro, jogou o Intercontinental até o fim de dezembro e se reapresentou em 12 de janeiro.
Diante desse cenário, o Flamengo não esconde que jogará a final sem o ritmo ideal, com suas principais estrelas em pré-temporada. O clube vive o dilema de dar condição física aos seus jogadores em meio às necessidades inesperadas no Estadual (em que tenta fugir do quadrangular contra o rebaixamento), ao início precoce do Brasileirão e, agora, ao confronto que vale a primeira taça da temporada.
Internamente, admite-se que alguns jogadores estão bem abaixo do nível físico ideal, como o craque Arrascaeta. Não à toa, o técnico Filipe Luís o lançou contra o São Paulo após o Flamengo abrir 1 a 0. O mesmo vale para Jorginho, que ficou mais tempo sem treinar por ter extraído um dente siso e também estreou em 2026 na derrota de virada para o tricolor paulista por 2 a 1. Pulgar e Léo Ortiz também são considerados sem ritmo.
Outros jogadores do elenco principal tiveram minutos nos clássicos contra Vasco e Fluminense, depois que a garotada do sub-20 não deu conta no Estadual. As partidas acabaram por vir em um bom momento, na visão da diretoria, que não fechou uma pré-temporada com amistosos como os que aconteceram no ano passado nos Estados Unidos.
— A gente está pagando um pouco pelo sucesso de 2025. Acabamos a temporada um pouquinho mais tarde e estamos voltando aos poucos. Mas sabemos que já são jogos importantes. Agora, temos uma final pela frente e precisamos estar o melhor possível para conquistar mais uma taça — afirmou Arrascaeta após o revés diante do São Paulo.
O planejamento rubro-negro para este ano era, desde o início, usar as primeiras partidas para condicionar os jogadores titulares — já ciente de que alguns tinham questões individuais que os tirariam de ação temporariamente. Havia alguns casos: Danilo tratava um problema no joelho esquerdo; Ayrton Lucas lidava com uma pubalgia; De la Cruz fez um procedimento com células tronco para amenizar um problema crônico também no joelho esquerdo; e Saúl passou por cirurgia no calcanhar. À exceção do espanhol, todos os outros estão relacionados e disponíveis para entrar em campo hoje.
Mas, diante de tantos contratempos, Filipe Luís precisará definir se manda a campo uma equipe mais física ou se prioriza o condicionamento do time considerado ideal. Nesse sentido, teria que impor mais carga sobre os meias Jorginho e Arrascaeta, por exemplo.
Se o plano for mantido, o centroavante Pedro também seguirá na equipe. Caso contrário, o técnico poderá lançar mão de soluções que costumou usar no ano passado, com o improviso de Bruno Henrique ou Plata no comando do ataque. Ainda é possível ver o reforço Vitão ganhar uma vaga na defesa ou o recém-inscrito Paquetá encorpar um meio-campo em busca de vigor físico.
Corinthians se reapresentou mais cedo
Mesmo tendo disputado a final da Copa do Brasil até 21 de dezembro, o Corinthians se reapresentou em 3 de janeiro para dar início à temporada 2026, nove dias antes do rubro-negro. Já no dia 11, estreou contra a Ponte Preta, pelo Paulistão, com seu time principal. Depois, encarou Bragantino, São Paulo, Santos e Velo Clube, antes de iniciar o Brasileiro. E foi diante do Bahia que o alvinegro escalou pela primeira vez Memphis Depay, sua principal estrela. O atacante holandês fez um trabalho de recuperação após sofrer com um edema ósseo no joelho esquerdo no fim da última temporada. A preparação visava justamente a decisão da Supercopa.
Em crise financeira, o time paulista até jogou as primeiras partidas do ano com a equipe principal, mas ela passou por alterações. Para esta temporada, houve as chegadas do zagueiro Gabriel Paulista, do meio-campista Matheus Pereira e do lateral-direito Pedro Milans, além do atacante Kaio César, por empréstimo. As saídas ficaram por conta dos atacantes Héctor Hernández, Ángel Romero e Talles Magno, do lateral-esquerdo Fabrizio Angileri, dos meias Ryan e Maycon e dos zagueiros Tchoca e Félix Torres. Trata-se de trabalho de enxugar despesas feito pelo novo diretor Marcelo Paz. A diretoria corintiana admite internamente uma grave dificuldade econômica para reforçar o elenco na qualidade esperada pela torcida.
— Quando falamos em contratações, fomos atrás de Gerson, de Malcom, de jogadores importantes… Só que nós temos que ter consciência: nossa prateleira não é esta. Neste momento, não é esta — admitiu o técnico Dorival Júnior.
Em outro momento da temporada, talvez o favoritismo do Flamengo fosse mais evidente. Com as equipes ainda nas primeiras marchas, porém, uma boa dose de imprevisibilidade aumentará a tensão, hoje à tarde, no Mané Garrincha.