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segunda-feira, fevereiro 2, 2026

Ferrovias preveem investimento recorde de R$ 20 bi

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O setor ferroviário deverá bater um recorde de investimentos neste ano, com em torno de R$ 19,9 bilhões de obras programadas, segundo Davi Barreto, diretor-presidente da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários). Em 2025, as empresas aportaram cerca de R$ 19 bilhões – o dado preciso ainda deverá ser fechado.

“O ano de 2026 deverá se consolidar como o ano de maior investimento ferroviário”, disse Barreto. “E isso só com os investimentos contratados, sem contar renovação de FCA [ Ferrovia Centro-Atlântica, da VLI ], novas autorizações.”

Segundo ele, o aumento das obras é fruto do avanço de contratos firmados nos últimos anos e que começam a ganhar tração, como a renovação antecipada da Malha Paulista, da Rumo, e a da MRS, a construção da Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) pela Vale, entre outros.

O cálculo tampouco considera novos projetos que o governo federal planeja licitar neste ano. Para Barreto, há um momento positivo para o setor, com mais destaque a novas iniciativas e melhorias regulatórias.

“O governo tentou beber na fonte da regulação do setor de rodovias. É um modelo regulatório mais moderno, pragmático, com mais compartilhamento de riscos e vem com uma diretriz de que, se há uma lacuna de VPL [Valor Presente Líquido, indicador que mensura a viabilidade de um projeto], é preciso aportar recurso público. No passado tentou-se ajustar planilhas para mostrar VPL positivo. Hoje há uma visão mais pragmática”, afirmou Barreto.

Por outro lado, ele também destaca os desafios, como a taxa de juros elevada e a dificuldade para atrair investimentos a projetos novos. “É difícil falar se os projetos vão sair, mas se dos oito [na carteira federal] saírem dois, três, é um avanço importante.”

Além dos investimentos recordes, o setor ferroviário deverá computar a maior movimentação já registrada, com um total de 408 bilhões de TKU (tonelada por km útil), 2,81% maior do que no ano anterior, segundo balanço da ANTF.

Até então, o maior volume registrado havia sido em 2018, em que 407 bilhões de TKU foram movimentados. “Depois disso, houve uma queda grande pela interrupção de produção da Vale com a tragédia de Brumadinho, o que reduziu os volumes, porque minério é a principal carga da ferrovia. Mas ao longo desse tempo outras cargas têm puxado o crescimento”, disse Barreto.

A celulose representa apenas 2% do total movimentado, porém, com um crescimento grande, de 26,1% em 2025, na comparação com o ano anterior. “É uma carga que vem se consolidando muito no modal ferroviário, e vem crescendo a dois dígitos há 20 anos”, afirmou.

O setor de grãos também vem ganhando participação no modal. Em 2025, a soja respondeu por cerca de 6,5%. Nos granéis sólidos, de modo geral, tiveram aumento de 2,8% de movimentação em trilhos no ano passado, ainda segundo a ANTF. Minério, porém, segue a principal carga, com 67,7% do total.

Apesar dos avanços, tanto em investimentos quanto em movimentação, o setor ferroviário ainda enfrenta dificuldade para ampliar sua participação na logística do país. “O setor cresce 4%, mas o agro cresce 6%. Precisamos ter um ritmo de crescimento superior ao PIB [Produto Interno Bruto] para recuperar fatia de mercado. E fazer isso apenas com recurso público é difícil”, disse Barreto.

[Fonte Original]

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