Crédito, Reuters
- Author, Shayan Sardarizadeh
- Role, BBC News
- Author, Matt Murphy
- Role, BBC Verify
Tempo de leitura: 5 min
Importante: esta reportagem inclui conteúdo sensível que pode ser perturbador para alguns leitores.
O governo dos Estados Unidos publicou fotos inéditas mostrando o corpo de Jeffrey Epstein (1953-2019) sobre uma maca, sendo atendido pelos médicos imediatamente após a sua morte.
Vinte dessas imagens foram publicadas como parte de um relatório do FBI sobre a morte de Epstein em custódia, que foi desclassificado. Algumas delas são muito fortes para serem publicadas.
Também foi divulgado um exame post-mortem, além de documentos internos da prisão.
Eles fazem parte de milhões de documentos publicados na sexta-feira (30/1), pelo Departamento de Justiça americano, no mais recente lote de arquivos de Epstein.
Jeffrey Epstein foi encontrado morto na sua cela da prisão, no dia 10 de agosto de 2019. Ele estava detido no Centro Correcional Metropolitano de Nova York, nos Estados Unidos, enquanto aguardava julgamento. Epstein foi acusado de conspiração e tráfico sexual.
O relatório do FBI recém-publicado é intitulado “Investigação sobre a morte de Jeffrey Epstein”. Aparentemente, é um inquérito sobre sua morte, preparado pelo escritório de campo da agência em Nova York. Ele tem 23 páginas, cada uma delas, agora, com o carimbo “desclassificado”.
A BBC Verify (o serviço de verificação de dados e imagens da BBC) observou os documentos. Eles não foram editados e mostram imagens em close do pescoço de Epstein e sinais visíveis de lesões.
Eles também contêm detalhes do exame post-mortem de Epstein e um relatório psicológico sobre sua saúde mental nos dias que antecederam seu suicídio.
Diversas das fotos mostram Epstein deitado sobre uma maca, com os médicos tentando ressuscitá-lo. Elas são datadas de 10 de agosto de 2019, com a indicação horária de 06:49, hora local — cerca de 16 minutos depois que ele foi encontrado desacordado na sua cela.
A localização das fotos não está clara, mas Epstein foi transportado às 06h39 para um hospital próximo, onde foi declarado morto. Esta informação sugere que as fotos teriam sido tiradas ali.
Três outras fotos têm indicações de terem sido tiradas em um hospital. Elas mostram um close da cabeça de Epstein, com uma lesão visível no pescoço.
Seu nome aparece em todas as fotos, mas seu primeiro nome é mencionado erroneamente em algumas das imagens como “Jeffery”, em vez de Jeffrey.

Crédito, Departamento de Justiça dos EUA
A BBC Verify realizou buscas reversas de imagens das fotos recém-publicadas do corpo de Epstein e não encontrou versões anteriores publicadas na internet antes de 30 de janeiro.
Também encontramos materiais comprobatórios nos arquivos publicados.
Eles incluem um relatório post-mortem de Epstein, de 89 páginas, preparado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e pelo Escritório do Examinador Médico-Chefe (OCME, na sigla em inglês) de Nova York, além de e-mails do escritório de campo local do FBI, contendo as mesmas imagens, mas editadas.
Partes do exame post-mortem de Epstein preparado pelo OCME também aparecem no relatório, incluindo imagens de duas fraturas da cartilagem da tireoide de Epstein no seu pescoço.
O relatório do FBI inclui uma linha cronológica de seis páginas, do período em que Epstein ficou detido no Centro Correcional Metropolitano de Nova York. Ela cobre desde sua prisão, em 6 de julho de 2019, acusado de tráfico sexual, até sua morte.
O documento revela que Epstein foi colocado em vigilância por risco de suicídio, depois de tentar se matar em 23 de julho de 2019.
Na época, Epstein acusou seu colega de cela de tentar matá-lo. Trata-se do ex-policial Nicholas Tartaglione, acusado de assassinato.

Crédito, Departamento de Justiça dos EUA
Em uma reunião com um psicólogo no dia seguinte, Epstein declarou que “não tinha interesse” em se matar e que tirar a própria vida “seria uma maluquice”, segundo o documento.
No dia 25 de julho, ele declarou estar “muito dedicado a lutar pelo meu caso. Tenho uma vida e quero voltar a vivê-la”, segundo o relatório do psicólogo.
Outros documentos publicados pelo Departamento de Justiça americano mostram que o guarda da prisão alertou que Epstein não deveria ser mantido sozinho. Ele enfatizou a necessidade de “verificações a cada 30 minutos” na sua cela e a realização de “rodadas não anunciadas”.
O colega de cela de Epstein foi liberado no dia antes da sua morte.
Na noite de 9 de agosto, os guardas também deixaram de realizar as verificações programadas para as 3h e 5h, segundo os documentos da prisão. E o sistema de câmeras da unidade estava desligado.
Seu corpo foi encontrado durante uma verificação matinal realizada pelos funcionários.
Uma segunda versão editada do mesmo relatório do FBI, com apenas 17 páginas, também foi publicada como parte dos arquivos de Epstein. Ela não inclui o relatório do psicólogo, nem o cronograma da sua detenção, e as imagens do arquivo estão editadas.
Não se sabe ao certo por que versões editadas e não editadas do relatório foram incluídas nos arquivos.
A BBC entrou em contato com o Departamento de Justiça, pedindo comentários a respeito. O FBI se recusou a comentar o assunto.
Com colaboração de Josh Cheetham.