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quinta-feira, fevereiro 5, 2026

Cientista indiano que revelou impacto climático de CFCs usados em refrigeradores é premiado na Suécia

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O cientista indiano-americano Veerabhadran Ramanathan, um dos nomes centrais da climatologia moderna, foi escolhido pela Real Academia Sueca de Ciências como vencedor do Prêmio Crafoord, uma das mais altas distinções científicas do mundo. A honraria reconhece pesquisas que ampliaram de forma decisiva a compreensão sobre o aquecimento global e a composição da atmosfera, segundo informou a instituição nesta quinta-feira. O prêmio é acompanhado de 8 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 900 mil.

Ramanathan ganhou projeção internacional ainda na década de 1970, quando, como jovem pesquisador visitante da Nasa, identificou que os clorofluorcarbonos (CFCs), amplamente usados à época em refrigeradores, aparelhos de ar-condicionado e aerossóis, tinham um efeito estufa extremamente potente. Seus cálculos indicavam que uma única molécula de CFC poderia aquecer a atmosfera tanto quanto até 10 mil moléculas de dióxido de carbono. O estudo foi publicado na revista Science e ganhou destaque no The New York Times em 1975, abrindo uma nova frente na ciência climática.

Um cientista “acidental” do clima

Formado em engenharia na Índia e doutor pela Universidade Estadual de Nova York, Ramanathan afirma que sua trajetória foi marcada por “acidentes felizes” que o levaram a conectar áreas distintas do conhecimento. Antes de se dedicar à climatologia, trabalhou em uma empresa de refrigeração e estudou o efeito estufa em Vênus, experiências que mais tarde se mostrariam decisivas para suas descobertas na Terra.

Ao longo dos anos 1980, ele ajudou a demonstrar que gases-traço, como metano e óxido nitroso, eram tão relevantes quanto o CO₂ para o aquecimento global de longo prazo. Esse entendimento foi fundamental para embasar políticas climáticas, como o Protocolo de Montreal, que baniu os CFCs em 1987. Um estudo publicado na revista Nature em 2021 estimou que, sem essa proibição, o planeta poderia ter aquecido até 1 grau Celsius adicional.

Professor da Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Califórnia em San Diego, Ramanathan também liderou pesquisas com satélites, balões e drones, confirmando observações diretas sobre o papel das nuvens, do vapor d’água e da poluição atmosférica no clima. Segundo Ilona Riipinen, integrante do comitê do Crafoord, seu trabalho “ampliou nossa visão de como a humanidade afeta a atmosfera, o clima e a qualidade do ar, e de como esses fatores interagem”.

Aos 81 anos, Ramanathan segue ativo no debate público e científico. Membro da Pontifícia Academia das Ciências desde 2012, ele assessorou três papas em questões climáticas e costuma enfatizar que a crise ambiental atinge de forma desproporcional os mais pobres. Em declarações recentes, disse que prefere estimular o engajamento político e a defesa de decisões baseadas em dados científicos, mais do que focar apenas em ações individuais.

[Fonte Original]

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