O Itaú Unibanco teve lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre, alta de 13,2% ante o mesmo período de 2024, em linha com as expectativas de analistas, em resultado com o melhor nível de rentabilidade desde 2015.
O maior banco da América Latina por ativos também divulgou previsões para 2026, com expectativa de crescimento de 5,5% a 9,5% na sua carteira de crédito total e custo de crédito de R$ 38,5 bilhões a R$ 43,5 bilhões, após fechar o ano passado com expansão de 6% na carteira e custo de crédito de R$ 36,6 bilhões.
“A provisão cresce em linha com a carteira”, afirmou o diretor de Estratégia Corporativa e Relações com Investidores do Itaú, Renato Lulia, à Reuters após a publicação dos números nesta quarta-feira, destacando níveis de inadimplência comportados.
“É uma carteira muito mais resiliente do que tínhamos no passado. Pelo perfil de cliente, pelo tipo de operação e pelas provisões que temos. De fato, vemos os NPLs (inadimplência) muito comportados ao longo do tempo nas diversas carteiras.”
No quarto trimestre, o portfólio de crédito total somou R$ 1,49 trilhão, alta de 6,3% em relação aos três meses anteriores, com expansão de 3,9% em pessoa física, de 8,8% em pessoa jurídica e 4,1% em grandes empresas nessa comparação.
A inadimplência acima de 90 dias consolidada, incluindo títulos e valores mobiliários, ficou em 1,9%, estável na base trimestral. Um ano antes foi de 2%.
“2026 é um ano naturalmente mais agitado, mais volátil, dados os eventos que vamos ter no ano, mas o banco entra mais bem posicionado do que jamais esteve para enfrentar qualquer cenário”, afirmou Lulia.
O banco ainda anunciou um novo programa de recompra envolvendo até 200 milhões de ações preferenciais.
Melhor rentabilidade em 10 anos
O Itaú registrou um retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado consolidado de 24,4% no quarto trimestre, ante 22,1% em igual intervalo de 2024. A última vez que o ROE ficou acima desse percentual foi no segundo trimestre de 2015 (24,8%).
Nas operações no Brasil, o ROE do Itaú ficou em 26% nos últimos três meses do ano passado, de 23,4% um ano antes.
A margem financeira do banco somou R$ 31,5 bilhões, de R$ 29,4 bilhões um ano antes, com expansão de 8,6% na margem com clientes ano a ano, para R$ 30,9 bilhões, enquanto a margem com o mercado caiu 34%.
Para 2026, o Itaú calcula crescimento entre 5% e 9% para margem financeira com clientes e uma margem financeira com o mercado de R$ 2,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões. Em todo o ano passado, a margem com clientes teve alta de 12,1% e a margem com o mercado somou R$ 3,28 bilhões.
O Itaú também reportou alta de 7,4% na receita de prestação de serviços no quarto trimestre ano a ano, para R$12,6 bilhões, enquanto a linha de operações de seguros cresceu 15,3%, para R$3,5 bilhões.
Para 2026, o banco prevê expansão de 5% a 9% na receita de prestação de serviços e resultado de seguros.
Analistas do Citi reiteraram recomendação de compra para as ações do banco após o balanço, destacando que o Itaú continua demonstrando capacidade de evolução, entregando rentabilidade consistente por meio de diferentes alavancas.
A partir das previsões divulgadas, Gustavo Schroden e equipe estimaram um lucro líquido de cerca de R$ 50,6 bilhões neste ano, um crescimento de 8% em relação ao resultado de 2025, de R$ 46,8 bilhões. Previsões compiladas pela LSEG apontam R$51,6 bilhões.
Eles destacaram que o guidance reflete um tom cauteloso em termos de apetite a risco, mas apontaram também que sugere mais um ano em que receitas com prestação de serviços e seguros podem crescer acima das despesas.
“Um feito impressionante considerando os investimentos do banco em tecnologia e o lançamento de novos produtos,” disseram os analistas.
O balanço ainda mostrou que o índice de Basileia consolidado prudencial passou a 15,2%, de 16,5% um ano antes, com o índice de capital nível I em 13,8% e o índice de capital principal em 12,3%. O índice de eficiência consolidado, por sua vez, atingiu 38,9%, de 40,7% no mesmo período de 2024.
O Itaú encerrou 2025 com 2.529 agências e postos de atendimento bancário, de 2.928 pontos um ano antes.