Para redefinir as dimensões do planeta, os cientistas utilizaram o método de ocultação de rádio, em que sinais enviados pela Juno atravessam a atmosfera de Júpiter antes de chegar à Terra. A análise das variações nesses sinais permite determinar com alta precisão a forma e o tamanho do planeta, mesmo através de suas densas camadas de nuvens.
Eles concluíram que o planeta é 4 quilômetros menor no raio equatorial e 12 quilômetros menor no raio polar em relação às estimativas anteriores. Isso significa que Júpiter é ligeiramente menor e mais achatado do que se acreditava.
Segundo os pesquisadores, essas diferenças, embora pequenas, são cientificamente relevantes. As medições atualizadas contribuem para uma compreensão mais precisa do interior de Júpiter e ajudam os cientistas a interpretar dados de gigantes gasosos fora do Sistema Solar.
Os autores do estudo também destacam que Júpiter não “encolheu” de fato. O que mudou foi a precisão das medições: hoje, os instrumentos permitem cálculos muito mais refinados do que os realizados pelas missões antigas, o que resulta em ajustes importantes.
Para Yohai Kaspi, coautor do estudo e cientista planetário do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, a pesquisa contribui diretamente para o entendimento da formação e da evolução dos planetas. Segundo ele, os novos dados são suficientes para justificar a atualização de materiais oficiais e livros didáticos. “Os livros didáticos precisarão ser atualizados. O tamanho de Júpiter não mudou, é claro, mas a forma como o medimos, sim.”