Resumo da notícia
Renda fixa digital cresce apesar da forte queda do Bitcoin
Mercado já movimentou R$ 3,34 bilhões em 614 emissões em 2025
Clareza regulatória atrai investidores institucionais ao setor
Enquanto o Bitcoin sofre com mais uma avalanche de liquidações e uma queda de 12% que levou seu valor para menos de US$ 63 mil o mercado brasileiro de renda fixa digital segue em crescimento e já movimentou R$ 3,34 bilhões em 2025, distribuídos em 614 emissões, com taxa de sucesso de captação de 99,7%.
Os dados fazem parte do Relatório Renda Fixa Digital 2026, produzido pela DeFin Research. O estudo apresenta um retrato detalhado do ecossistema de renda fixa digital no Brasil, explicando como esses produtos funcionam, quais riscos exigem maior atenção e como enquadrá-los no arcabouço regulatório vigente.
“A renda fixa digital deixou de ser um experimento. O estudo organiza esse universo de ativos regulados e oferece uma base objetiva para que o profissional de investimento consiga fazer curadoria e análise com disciplina”, afirma Beny Fard, CEO da DeFin.
O mapeamento aponta aceleração relevante no segundo semestre de 2025, período que concentrou 84,8% do volume ofertado. Apenas em outubro, as emissões somaram R$ 1,11 bilhão, distribuídas em 87 operações. O levantamento também evidencia uma assimetria estrutural: 45,8% das emissões foram de até R$ 500 mil, enquanto um grupo reduzido de operações institucionais concentrou volumes elevados, com dez emissões acima de R$ 50 milhões e uma operação que atingiu R$ 885 milhões.
“O mercado de renda fixa digital se destacou inicialmente em plataformas com milhões de clientes no varejo, seguindo o perfil de produto demandado por esse público. Hoje, os números mostram que o investidor institucional vem firmando sua posição, indicando que as vantagens da tecnologia se sustentam mesmo diante de diligências mais rigorosas”, disse André Carvalho, CIO da DeFin.
Renda Fixa digital
Do ponto de vista financeiro, o relatório mostra predomínio de emissões com rentabilidade pré-fixada, que representam 75,3% das ofertas. No entanto, os maiores volumes captados estão concentrados em operações atreladas ao CDI, responsáveis por 53,67% do total.
A taxa média estimada de retorno foi de 18,90% ao ano, com variações conforme setor, prazo e indexador. As únicas operações com retorno negativo foram aquelas vinculadas ao dólar, impactadas pela valorização do real ao longo de 2025.
O estudo dedica um capítulo ao ambiente regulatório, destacando a atuação combinada da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central. Enquanto ofertas enquadradas como valores mobiliários seguem majoritariamente a Resolução CVM 88, operações de padrão institucional operam sob a RCVM 160, com a infraestrutura tecnológica sujeita às regras do Banco Central para ativos virtuais.
“O ganho de clareza regulatória reduziu barreiras importantes e ampliou a confiança do investidor, permitindo que esses produtos passem a integrar a alocação de capital de forma mais estruturada”, afirmou Christian Gazzetta, sócio da DeFin.