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segunda-feira, fevereiro 9, 2026

AVC em bebês: como uma terapia com brincadeiras pode devolver movimentos aos têm o problema

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Bebês e crianças pequenas que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) podem se beneficiar de terapia de reabilitação, com apoio dos pais, mostrou um novo estudo divulgado na International Stroke Conference, que ocorreu em New Orleans, nos Estados Unidos. O evento é ligado à Associação Americana do Coração (American Heart Association).

A análise levou em conta o estado de saúde de 167 meninos e meninas sobreviventes de AVC com menos de 3 anos de idade. Em comum, eles tinham comprometimento importante do movimento de um dos braços (o que pode ser uma sequela desse problema de saúde).

No tratamento, as crianças foram randomizadas em três grupos: uma com alta dose de terapia, uma dose moderada do mesmo protocolo e o tratamento habitual pra esse tipo de caso. A terapia adaptada incluía restringir o movimento do braço afetado pelo AVC, uma estratégia que precisa ser cercada de cuidados para não incomodar a criança.

— Uma das coisas da nossa terapia é que se trata apenas de restringir o braço menos afetado (e que a criança usa mais). Isso não é uma boa ideia por si só. Na verdade, não é afetivo. Mas se houver a restrição do braço e combinação com terapia intensiva, e mais um programa que envolva os pais, além do terapeuta ali duas sessões de duas ou três horas, esse trabalho se torna uma parceria — afirmou ao GLOBO a autora da análise Sharon Ramey, co-diretora do Fralin Biomedical Research Institute, localizado no estado da Virgínia, nos EUA, que diz que o tratamento em casa é bastante benéfico para a criança. — Os filhos aprendem melhor em seus ambientes diários. Eles aprendem mais rápido. Nós gostamos da terapia em um local natural.

No estudo foi usada a Terapia de Movimento Induzido por Restrição (TMIR), uma abordagem de tratamento que busca reorientar o cérebro para obter movimentos comprometidos. Na nova análise, o foco foi na mão e nos braços das crianças sobreviventes de AVC. As atividades foram focadas em necessidades corriqueiras das crianças, como segurar coisas, soltá-las e engatinhar. O braço que tinha melhor funcionamento foi restrito ao longo da análise por meio de um gesso leve, justamente para que fosse necessário fazer maior uso do membro que apresentava sequelas.

De acordo com comunicado divulgado pela conferência, esse foi o primeiro estudo que avaliou o potencial desse tipo de terapia com crianças em suas casas, incluindo o programa de pais, que são ativos no tratamento.

Warren Lo, professor de pediatria e neurologia e médico do Nationwide Children’s Hospital in Columbus, Ohio, um dos pesquisadores do estudo, afirmou que esse tipo de terapia de restrição já tinha sido avaliada em crianças com quadros de paralisia cerebral por causas diversas e que ela também funciona em crianças mais velhas, não só nos primeiros anos de vida (que são bastante críticos para o desenvolvimento cerebral).

Ao fim de seis meses, as crianças foram avaliadas e todos os grupos mostram melhora, mesmo aqueles que faziam fisioterapia comum para casos do tipo. Quem estava nos grupos da terapia adaptada, porém, melhorou mais, recuperando cerca de 3 novas habilidades que não tinha antes da pesquisa. Os especialistas, porém, chegaram a acreditar que a melhora da terapia adaptada com inclusão de pais poderia ser ainda mais benéfica, diferente do resultado moderado da análise. Mesmo com essa percepção, porém, há a indicação de que terapia regular e consistente pode trazer benefícios para as crianças. E começá-la tão logo seja possível é fundamental.

— Não quero dizer que mais cedo é sempre melhor, mas fazer cedo funciona. Crianças que recebem a forma certa de terapia não vão precisar de ajuda futura para avançar suas habilidades ao se tornarem mais velhas — disse a pesquisadora. — Não quero, porém, que pais que têm filhos de 1, 2, 3 ou mais anos pensem que não vão ter benefícios com a terapia (mais tardia).

A prática, diz a pesquisadora, precisa criar um ambiente propício para que a criança queira participar e se sinta bem fazendo.

— O que surpreende as pessoas ao ver essa terapia é que ela é muito divertida, tem muita brincadeira. Nós a adaptamos para cada um deles, trazemos seus brinquedos… Não é como uma terapia de adultos que você senta numa mesa e repete as coisas de novo, de novo e de novo. Não é chato para eles, as famílias têm muito sucesso porque é desenhado para maximizar o potencial de cada criança— contou a especialista.

*A repórter viajou para o International Stroke Conference, ligado à Associação Americana do Coração, a convite da Bayer.

[Fonte Original]

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