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terça-feira, fevereiro 10, 2026

Crítica | Esquadrão Atari (1982) – Plano Crítico

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Nascido da tentativa da Atari, então ainda quase um monopólio dos consoles caseiros de videogames antes do “crash dos videogames de 1983”, de capitalizar em cima da estratégia de marketing vitoriosa utilizada pelos fabricantes de brinquedos dos EUA, especialmente pela Mattel com sua linha Mestres do Universo, Esquadrão Atari, criado e publicado pela DC Comics, marcou sua época, mesmo tendo vida curtíssima. A primeira versão da equipe futurista ganhou cinco edições no formato “minicomic”, cada uma encartada como um bônus em um cartucho diferente de pegada sci-fi da empresa para o Atari 2600: Defender, Berzerk, Star Raiders, Phoenix e Galaxian. Não houve publicação em larga escala, o que tornava a estratégia exclusiva de quem comprava os jogos, criando até mesmo a desejada “necessidade” de se comprar todos os cinco jogos para o jogador/leitor ter a história completa. É apenas essa primeira minissérie, lançada em 1982, que é objeto da presente crítica.

Passada no então futurístico ano de 2005, o roteiro de Gerry Conway e Roy Thomas cria uma distopia em que o Instituto Atari, em razão de uma mal explicada e mal explorada guerra mundial que teria acabado com a fronteira entre países, assumiu a responsabilidade da NASA, em uma pitoresca previsão concreta do que o futuro da exploração espacial seria no século XXI. Nesse contexto, duas situações simultâneas ocorrem: de um lado, o comandante Martin Champion, piloto e veterano de guerra, e o oficial médico Dr. Lucas Orion, que estão em missão em órbita do planeta, são convocados de volta à Terra pela pilota Lydia Perez, que Champion conhecera há anos, para fazerem parte de uma reunião ultrassecreta sobre o Projeto: Multiverso e, de outro, uma misteriosa figura feminina com roupa escura e visor tecnológico que esconde seu rosto invade as instalações do instituto para espionar a mesma reunião. É um começo definitivamente intrigante que logo revela seu objetivo maior, que é a criação do Esquadrão Atari, uma força multinacional composta por Champion, Orion e Perez, além da figura mascarada que é, na verdade, Li-San O’Rourke, a chefe da segurança do Instituto Atari que estava apenas testando as fragilidades do lugar e o engenheiro Mohandas Singh que tem como missão embarcar na nave Scanner One, que é equipada com a I.A. Atari 8.000 (qualquer semelhança com HAL 9.000 não é mera coincídência, obviamente), para viajar pelo multiverso para encontrar uma dimensão para onde a população de uma Terra exaurida possa ser levada.

De certa forma antecipando a moda do multiverso que viria com toda a força três anos depois em Crise nas Infinitas Terras a premissa é sem dúvida boa, mas sua exploração é, com boa vontade, pífia, já que os roteiristas parecem muito mais preocupados em apresentar o grande visão da história, um ser interdimensional lovecraftiano cheio de tentáculos que se chama Destruidor Negro, do que fazer com que o grupo pular de dimensão em dimensão para cumprir sua missão. Além disso, a minissérie sofre, a partir da terceira – e péssima – edição, uma bem mais marcada interferência editorial que força com que os jogos em que elas são encartadas sejam mais claramente referenciados na linha narrativa, o que leva à uma mixórdia narrativa que desvia o foco da história, esfacelando-a em episódios autocontidos que não levam a lugar algum e que fazem do multiverso apenas um artifício narrativo que só retorna com força na última edição que tem como missão encerrar o arco, o que é feito literalmente de qualquer maneira.

Não é, claro, o fim do mundo, até porque não se pode esperar muito dessas minicomics concebidas com o objetivo primordial de vender produtos, com Esquadrão Atari sendo muito mais bem acabada em todos os quesitos do que a também clássica e já citada minicomic original de Mestres do Universo, composta de uma imagem por página com um parágrafo em prosa embaixo, o que a faz ter muito mais a natureza de livro ilustrado para crianças do que efetivamente quadrinhos. Ajuda muito que a equipe de desenhistas composta por Ross Andru, Gil Kane, Dick Giordano e Mike DeCarlo, com cores de Adrienne Roy, seja muito boa, algo que pode ser visto especialmente na primeira edição, mesmo que o logotipo da Ataria seja uma distração onipresente, seja nos uniformes da equipe, no formato do prédio do instituto e assim por diante. Apesar de quase nada da distopia ser vista para além de flashbacks genéricos que contam as “origens” dos protagonistas, o mundo criado pelos artistas é bonito, sólido e repleto de boas ideias que ficam nesse campo, sem maiores explorações. A dimensão entre dimensões, com o gigantesco Destruidor Negro, é outro belo uso do talento dos grandes nomes da DC na época, pelo que é visível o potencial da narrativa que, porém, acaba acanhada e conveniente demais.

O começo de Esquadrão Atari, mesmo não tendo sido de grande qualidade, foi memorável tanto como estratégia de marketing, como pelo material em si, e a segunda e bem diferente encarnação da equipe lançada em 1984 e que teria 20 edições publicadas normalmente e não como artifício para vender cartuchos de jogos, consolidaria o nome e os personagens para sempre nas mentes daqueles que viveram a época e que tinha no Atari seu vício diário. Mas isso fica para outra crítica, claro.

Esquadrão Atari (Atari Force – EUA, 1982/83)
Contendo: Atari Force #1 a 5 (minicomic)
Roteiro: Gerry Conway, Roy Thomas
Arte: Ross Andru, Gil Kane, Dick Giordano, Mike DeCarlo
Cores: Adrienne Roy
Letras: John Costanza
Editoria: Dick Giordano
Editora original: DC Comics
Datas originais de publicação/lançamento: entre março de 1982 e janeiro de 1983
Páginas: 224



[Fonte Original]

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