O primeiro carro totalmente elétrico da Rolls-Royce já nasceu com status de peça de colecionador. Lançado globalmente como a estreia da marca na eletrificação, o Spectre se tornou, em 2025, o segundo modelo mais procurado da Rolls-Royce no mundo. O movimento revela uma tendência clara no ultraluxo: a alta renda não apenas aceita os elétricos, como começa a tratá-los como futuros clássicos.
Desde o início, lançado em 2023, o Spectre foi concebido com a mesma lógica dos grandes carros da história da marca: ser um objeto encomendado para durar décadas e ser passado adiante. Chris Brownridge, CEO da Rolls-Royce, resume essa visão ao dizer que o modelo “foi criado com o mesmo legado que define todo Rolls-Royce” e que os clientes o encomendam para ser admirado por gerações.
Na prática, isso se traduz em decisões técnicas e de produto alinhadas à ideia de patrimônio de longo prazo. O Spectre passou por um programa inicial de testes de quase 2,5 milhões de quillômetros e continua sendo avaliado por equipes de engenharia em diferentes climas e regiões. Um dos protótipos de teste, recentemente aposentado, manteve 99% da saúde da bateria.
Para o público de ultraluxo, que costuma enxergar o carro como ativo de coleção, a mensagem é reforçada pela garantia de bateria de 15 anos e quilometragem ilimitada.
“Future classic”
O comportamento dos clientes confirma essa leitura. Em seu primeiro ano completo de disponibilidade, o Spectre superou os números de estreia de Wraith e Dawn, dois cupês fundamentais da chamada “era Goodwood” da Rolls-Royce. Apesar de não revelar números, em 2025, o modelo foi o segundo Rolls-Royce mais demandado do mundo, atrás apenas do líder de vendas da gama, o Cullinan.
Mais do que volume, o tipo de encomenda mostra como o elétrico foi incorporado ao universo dos colecionadores. O Spectre e sua variante Black Badge já são vistos como peças obrigatórias em coleções que reúnem tanto modelos históricos quanto carros contemporâneos da fase Goodwood. A marca descreve o carro como parte de um “canon de colecionador” em formação, ao lado de nomes como Phantom VII, Phantom Coupé, Dawn e Wraith, que hoje já figuram entre os clássicos mais reverenciados.
Esse movimento aponta para uma mudança geracional: colecionadores passam a buscar Rolls-Royce elétricos altamente personalizados, tratando a eletrificação não como ruptura, mas como mais uma camada na narrativa da marca.
Bespoke elétrico: o colecionador como coautor
O crescimento do Spectre também está ligado ao peso das encomendas Bespoke, programa em que cada cliente define a configuração do carro em detalhes. Em 2025, o modelo recebeu uma fatia relevante desses projetos de alta complexidade.
Entre os exemplos citados pela marca estão o Spectre Bailey, tributo pessoal ao cão de estimação de um cliente; o Spectre Soulmate, criado para celebrar a trajetória de um casal ligado à Rolls-Royce; e o Spectre Lunaflair, inspirado no fenômeno natural do halo lunar. Cada um deles ilustra o nível de envolvimento emocional com o qual esse público abraça o primeiro Rolls-Royce totalmente elétrico.
Design clássico, motor elétrico
No desenho, o Spectre foi pensado para dialogar com a tradição visual da marca sem recorrer a exageros futuristas. A carroceria de proporções clássicas e superfícies limpas é descrita como monolítica, com silhueta fastback que remete a históricos cupês da Rolls-Royce. Os faróis divididos evocam o Phantom Coupé, enquanto a grade Pantheon mantém a assinatura frontal reconhecível da marca.
Por dentro, elementos como as Starlight Doors e o painel iluminado abrem espaço para novas formas de expressão Bespoke, sempre dentro do padrão de acabamento associado ao ultraluxo. A combinação de um interior altamente personalizável com um sistema de propulsão totalmente elétrico reforça a ideia de que, nesse segmento, tecnologia e tradição caminham juntas.
Dentro desse contexto, o Spectre deixa de ser apenas “o primeiro elétrico da Rolls-Royce” para se consolidar como um candidato a clássico do futuro: um cupê de alto luxo pensado desde o início para circular em coleções, circular em silêncio — e permanecer relevante por décadas em um segmento que passa a enxergar os elétricos como novos símbolos de status.