O varejo brasileiro teve queda de 1,3% em janeiro, mostrando que o início do ano e o panorama geral ainda é de desaceleração da atividade econômica, apontou o Índice do Varejo Stone (IVS), divulgado nesta quarta-feira (11). Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume de vendas apresentou retração de 5,9%.
O estudo mostra que apenas um dos oito segmentos analisados teve alta no mês — o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceu 1,4%, influenciado pela deflação da alimentação no domicílio.
Entre as principais baixas estão artigos farmacêuticos e combustíveis e lubrificantes (-5,6%); material de construção (-3,3%); livros, jornais, revistas e papelaria (-1,9%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,5%) e móveis e eletrodomésticos (-0,3%). Já o segmento de tecidos, vestuário e calçados apresentou estabilidade na comparação mensal.
Embora o mercado de trabalho ainda apresente resultados robustos e siga sustentando a renda, os dados apontam que já há sinais de moderação, diz Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone. Isso porque o consumo permanece pressionado por um ambiente financeiro restritivo, com juros elevados, crédito mais caro e um nível historicamente alto de endividamento das famílias, que continua limitando o espaço para novas compras.
Acumulado do ano
No comparativo anual, todos os oito segmentos analisados apresentaram retração. A maior queda foi observada em:
- combustíveis e lubrificantes (-15,1%);
- artigos farmacêuticos (-7,5%);
- tecidos, vestuário e calçados (-6,7%);
- livros, jornais, revistas e papelaria (-5,5%);
- material de construção (-4,7%);
- outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%);
- hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-4,2%);
- móveis e eletrodomésticos (-2,3%).
Por estado
No recorte regional, somente um estado apresentou crescimento na comparação anual. O avanço foi registrado no Amapá (2,9%). Já entre as regiões com retração nas vendas, os piores resultados foram observados:
- Rio Grande do Sul (-10,2%)
- Rio Grande do Norte (-7,6%)
- Amazonas (-7,3%)
- Santa Catarina (-6,5%)
- São Paulo e Distrito Federal (-6,4%)
- Espírito Santo (-6,2%)
- Tocantins (-5,8%)
- Paraíba (-5,7%)
- Mato Grosso (-5,4%)
- Ceará (-5,3%)
- Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (-5,2%)
- Paraná (-4,9%)
- Acre (-4,8%)
- Bahia, Pernambuco e Sergipe (-4%)
- Goiás (-3,4%)
- Rondônia (-3,3%)
- Rio de Janeiro (-3,2%)
- Alagoas (-2,3%)
- Roraima(-1,1%)
- Piauí (-1%)
- Pará (-0,4%)
- Maranhão (-0,1%)
O pesquisador da Stone comenta que mesmo estados que haviam apresentado desempenho positivo em meses anteriores passaram a apresentar queda.