Esse modelo só sobrevive onde governos aceitam altos custos ambientais, como na Ásia, e o Brasil não tem condições de competir nesse formato, diz Zuffo.
Diretor do InovaUSP, Zuffo é um dos pesquisadores em tecnologia mais respeitados do país. Ele conduz uma proposta da USP alternativa às megafábricas. São as Pocket Fabs, microfábricas automatizadas e sustentáveis, capazes de atender setores estratégicos nacionais sem o impacto negativo das gigantes do setor.
Um dos segredos do projeto está em detectar que o custo do wafer, a base onde os circuitos são fabricados, não muda, seja lá qual for o tamanho da fábrica.
O preço do wafer não depende do tamanho da fábrica. E se eu tentasse fazer a menor fábrica do mundo? É claro que vai impactar no volume. Eu não vou fazer mil wafers. Mas eu posso fazer 20 wafers por dia. Se você fabricar 20 wafers por dia, 200 mil chips dia, ou 6 milhões de chips ano. Isso abastece toda a nossa indústria automotiva. Pronto, você resolveu o problema de soberania e resiliência da nossa indústria automotiva.
Marcelo Zuffo
Zuffo ressalta que o Brasil tem tecnologia de ponta para garantir a sustentabilidade das Pocket Fabs, citando exemplos como biofiltragem, hidrogênio verde e sistemas avançados de purificação de água.
O conceito da Pocket Fab da USP é zero waste. Tudo que sai da fábrica é com zero pegada de carbono, com zero influente, com tecnologias que o Brasil tem. O Brasil tem uma Sabesp que sabe purificar a água. O Brasil tem muita pesquisa em biofiltragem. O Brasil tem tecnologia de hidrogênio verde.
Marcelo Zuffo