A Bolívia está negociando com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um programa que pode oferecer até US$ 3,3 bilhões em financiamento ao país, enquanto o novo governo do presidente Rodrigo Paz busca tirar a economia de sua mais profunda crise em quatro décadas.
Autoridades do governo e técnicos do FMI estão discutindo um acordo de médio prazo conhecido como Extended Fund Facility (EFF), que permitiria que a Bolívia pegue empréstimos equivalentes a oito a dez vezes o valor da cota do país no fundo (entre US$ 2,6 bilhões e US$ 3,3 bilhões), segundo pessoas familiarizadas com as negociações.
Em troca, o governo de Paz se comprometeria com reformas estruturais destinadas a restaurar o crescimento e a sustentabilidade fiscal, que se deterioram nos últimos anos durante os governos do Movimento ao Socialismo (MAS) nas últimas duas décadas.
O valor e os termos do acordo ainda não foram finalizados, já que as negociações continuam, segundo as fontes, que pediram anonimato por se tratarem de conversas privadas.
Um porta-voz do FMI não respondeu a um pedido para comentar o acordo. O Ministério da Economia e o Banco Central da Bolívia se recusaram a comentar o caso.
Um programa do tipo EFF daria à Bolívia um período de carência de pelo menos quatro anos e meio antes do início do pagamento da dívida.
Os recursos do FMI são normalmente liberados em parcelas e condicionados ao cumprimento de metas de política econômica acertadas previamente. A Bolívia, no entanto, busca um grande desembolso inicial – prática conhecida como frontloading -, segundo uma das fontes, que não deu detalhes.
No ano passado, a Argentina garantiu um desembolso antecipado de cerca de 60% de um programa de US$ 20 bilhões com o FMI.
As negociações atuais estão focadas nas pré-condições que a Bolívia precisaria cumprir para acessar o financiamento, disseram duas das fontes, acrescentando que uma desvalorização cambial é parte central das ações prévias exigidas pelo FMI para um programa.
A taxa de câmbio oficial da Bolívia está fixada em cerca de 6 bolivianos há mais de 10 anos. O Banco Central começou recentemente a divulgar uma taxa referencial diferente – cerca de 9 bolivianos por dólar – que vem sendo cada vez mais adotada nas transações no país.
Desde que assumiu o cargo em novembro, Paz também cortou subsídios aos combustíveis que haviam se tornado fiscalmente insustentáveis.