As eleições se tornaram menos relevantes para investidores aportarem recursos de médio e longo prazo no Brasil e o recente rali de ações e câmbio são uma demonstração disso. A afirmação foi feita por André Esteves, presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual.
“De repente as eleições estão fazendo menos preço. Em fevereiro de anos anteriores, a angústia sobre o processo eleitoral no mercado financeiro ou na formação de preços dos ativos financeiros era muito maior”, disse ele, durante painel na CEO Conferece Brasil 2026 nesta quarta-feira (11).
Segundo ele, a percepção geral é de que o risco político no Brasil diminuiu. Ele ponderou que há influência do cenário internacional nas recentes altas da bolsa e do real frente ao dólar, mas também com uma “percepção de que o Brasil é institucionalmente confiável, com todos os problemas que ele tem que superar”.
Para o banqueiro, o candidato que vencer as eleições vai receber uma conjuntura favorável: “Um Brasil em que a inflação está saindo de 4% para 3% (ao ano), o juro vai ficar caindo o ano inteiro, US$ 360 bilhões de reservas cambiais, investimento direto externo maior do que o déficit em conta corrente e desemprego zero.”
E fez uma ressalva em relação à política fiscal: “Sobrou uma última perna de ajuste, que é trazer sustentabilidade para a trajetória da dívida, fazer um ajuste de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) nas contas públicas”.