A XP Inc. encerrou o quarto trimestre de 2025 com crescimento de receita e avanço de rentabilidade. A companhia divulgou um faturamento bruto de R$ 5,3 bilhões no 4T25, alta de 12% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 4,95 bilhões, avanço de 10% em relação ao mesmo período de 2024.
O lucro líquido ajustado foi de R$ 1,33 bilhão no trimestre. O crescimento foi de 10% em 12 meses. O lucro antes dos impostos (Earning Before Taxes, EBT) ajustado cresceu 20% para R$ 1,55 bilhão. A margem EBT ficou em 31,3%, alta de 2,52 pontos percentuais. A margem líquida ajustada foi de 26,9%. O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado alcançou 23,9%.
No consolidado de 2025, a receita bruta somou R$ 19,5 bilhões. O avanço foi de 8% sobre 2024. A receita líquida atingiu R$ 18,4 bilhões, também com alta de 8%. O lucro líquido ajustado fechou o ano em R$ 5,2 bilhões. O crescimento foi de 15%. O EBT ajustado totalizou R$ 5,5 bilhões, avanço de 10%.
A base de ativos totais de clientes cresceu 22% no ano para R$ 2,08 trilhões ao fim de 2025. A companhia registrou R$ 20 bilhões de captação líquida no varejo. Em janeiro, a XP alcançou a marca de R$ 1,5 trilhão em ativos sob custódia. O movimento refletiu a evolução da base de clientes e a captação de pessoa física no segundo semestre.
O varejo gerou receita de R$ 3,86 bilhões no quarto trimestre. A alta foi de 8% em 12 meses. Fundos e renda fixa ampliaram participação. As novas verticais também ganharam peso. O volume transacionado em cartões somou R$ 14,6 bilhões. O crescimento foi de 11%. Os prêmios de seguros de vida atingiram R$ 502 milhões, avanço de 25%. A previdência acumulou R$ 95 bilhões em ativos no período, com expansão de 17%. As receitas de câmbio, investimentos globais e consórcio cresceram 21% no ano.
O banco de atacado foi o principal vetor de expansão no trimestre. A receita somou R$ 895 milhões. A alta foi de 49% na comparação anual. A atividade de DCM sustentou o resultado. A área manteve posição relevante no mercado doméstico. A carteira de crédito expandida cresceu 27% e alcançou R$ 78 bilhões.
Para 2026, a estratégia da XP seguirá focada principalmente no varejo, com ênfase em cross-sell e expansão das verticais. O banco de atacado tende a seguir relevante, condicionado ao ritmo do mercado de capitais. A evolução da margem dependerá da disciplina de custos e do mix de produtos.
Mudanças no bloco de controle
A XP anunciou também mudanças no bloco de controle. A reorganização ocorreu na XP Control LLC, entidade que detém o comando da companhia listada na Nasdaq. Thiago Maffra e José Berenguer passaram a deter participações com direito a voto na ControlCo. Ambos passam a integrar o bloco de controle ao lado de Guilherme Benchimol, Fabrício Cunha de Almeida e Guilherme Sant’Anna.
Bruno Constantino deixou de ser sócio votante. Bernardo Botelho e Gabriel Leal também deixaram a condição de votantes. A ControlCo adquiriu as participações com direito a voto desses executivos. O pagamento foi dividido entre caixa e ações ordinárias Classe A da XP Inc. Botelho e Leal seguem como sócios não votantes. Os três permanecem no Conselho de Administração.
Após as movimentações, a participação econômica da ControlCo na XP Inc., considerando a conversão de ações Classe B em Classe A, foi reduzida para 18%. O poder de voto, porém, permanece concentrado. A ControlCo seguirá com ao menos 69% dos votos. Guilherme Benchimol continua como principal sócio da entidade controladora.
A companhia definiu a reorganização como parte de uma transição planejada de liderança. O objetivo é reforçar a governança e dar estabilidade à estrutura de controle. A entrada de Maffra e Berenguer no bloco de controle formaliza a centralidade da atual gestão na condução estratégica.