O líder da oposição húngara e primeiro colocado nas pesquisas para as eleições parlamentares de fevereiro, Péter Magyar, denunciou um golpe baixo, supostamente articulado pelo governo de Viktor Orbán em conluio com uma ex-namorada do candidato, para publicar na rede X um vídeo de uma “relação íntima” do casal.
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Magyar classificou o episódio como uma tentativa de prejudicá-lo por meio de uma campanha difamatória às vésperas das eleições parlamentares de 12 de abril, nas quais o primeiro-ministro corre o risco de ser derrotado pela primeira vez desde 2006. Ele afirma que vem recebendo ameaças há algum tempo, mas garante que “não cederá à chantagem”. Após anunciar, em 2023, o divórcio da ex-ministra da Justiça Judit Varga, com quem tem três filhos, o advogado deixou o partido de Orbán e lançou, na primavera de 2024, um movimento político anti-establishment, o Tisza, que em poucos meses se tornou o principal partido do país.
— Hoje, muitos jornalistas receberam um link que mostra um quarto monitorado por câmeras. Suspeito que planejam divulgar uma gravação — possivelmente feita com equipamentos dos serviços secretos e até manipulada — que me mostra em um momento íntimo com minha ex-namorada — escreveu Magyar.
— Tenho 45 anos e uma vida sexual normal, com uma parceira adulta. Tenho três filhos menores, algo que este governo perverso — autoproclamado defensor da família — evidentemente ignora. Queridos covardes do Fidesz: publiquem o que quiserem, falsifiquem o que acharem melhor. Não me renderei às ameaças. Que todos saibam: nem antes nem agora cederei a chantagens de qualquer tipo, nem da máfia político-econômica húngara, nem dos membros da rede internacional que a sustenta.
Magyar acusou o Fidesz de recorrer a táticas de intimidação e a campanhas ao estilo russo para desviar a atenção de escândalos ligados à corrupção e ao abuso de menores em instituições estatais. Até o momento, nenhuma gravação foi divulgada.
Em uma longa publicação, Magyar lembrou que faltam dois meses para as eleições e que se completam exatamente dois anos desde sua estreia política na oposição:
— Tudo começou há dois anos. Há dois anos, eu estava em frente ao estúdio do principal canal político húngaro no YouTube, o Partizán. Fiquei alguns minutos na entrada. Queria desistir. Sabia o que me aguardava se entrasse e falasse. Mas, depois de olhar a foto dos meus três filhos, comecei a subir as escadas; não queria que vivessem em um país dominado por uma máfia familiar (…). Faltam 60 dias para as fatídicas eleições. Há dois anos isso era inimaginável, e agora estamos às portas da vitória.
Orbán tenta recuperar popularidade concedendo benefícios a mulheres e idosos e desqualificando Magyar como uma marionete da União Europeia; em resposta, o líder do Tisza parece evitar qualquer associação com os liberais europeus.
Enquanto isso, o partido de Magyar, o Tisza, mantém uma vantagem de 10 pontos sobre o partido nacionalista Fidesz, de Orbán, segundo uma pesquisa publicada nesta sexta-feira. Orbán enfrenta o maior desafio ao seu poder desde que o Fidesz chegou ao governo com uma vitória esmagadora em 2010, embora o resultado ainda seja incerto.
A mais recente pesquisa, realizada entre 31 de janeiro e 6 de fevereiro pelo Idea Institute, mostrou que 48% dos eleitores decididos apoiam o Tisza, enquanto 38% apoiam o Fidesz — o mesmo índice do mês anterior. O Idea Institute informou ainda, em publicação em sua página oficial no Facebook, que o número de eleitores indecisos caiu três pontos em um mês, para 24%.
— No mês passado, muitos eleitores encontraram um partido para apoiar, e os partidos menores também se beneficiaram disso — afirmaram.
Segundo o levantamento, outros dois partidos obteriam votos suficientes para entrar no Parlamento: o partido de extrema direita Nossa Pátria (Mi Hazánk) e a Coalizão Democrática (Demokratikus Koalíció), de esquerda, ambos com 5% de apoio.
As eleições de abril terão implicações importantes para a Europa e para as forças políticas de extrema direita. Orbán, aliado do presidente americano Donald Trump e do russo Vladimir Putin, tem se confrontado com frequência com a União Europeia (UE) em diversos temas, especialmente por causa da guerra na Ucrânia.
Magyar, de centro-direita, declarou que seu partido combaterá a corrupção, desbloqueará bilhões de euros em fundos congelados da UE para impulsionar a economia e consolidará a integração da Hungria à UE e à Otan.
A UE acusa Orbán de corroer os valores democráticos na Hungria, algo que ele nega.
A maioria das pesquisas indica que o Fidesz está atrás do Tisza, apesar das medidas para agradar os eleitores após três anos de estagnação econômica no país, que também sofreu a pior onda inflacionária da UE após a invasão russa da Ucrânia.
No entanto, institutos pró-governo apontam vantagem do Fidesz. Uma pesquisa de fevereiro, também divulgada nesta sexta-feira pelo governista Instituto Nézőpont, revelou que 46% dos eleitores apoiam o Fidesz de Orbán, enquanto 40% respaldam o Tisza.
Com informações de Reuters e AFP